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Entre Libertadores e Traidores O Futuro Político de Bolsonaro e Tarcísio

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Ilson Galdino, advogado e servidor-público municipal

O cenário político brasileiro começa a se reorganizar em torno de uma questão central, qual será o papel de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026? A resposta não é simples, porque vai muito além das disputas jurídicas que envolvem o ex-presidente.

O que está em jogo, nos bastidores, é um projeto de poder que pode afastá-lo do protagonismo e, ao mesmo tempo, usar sua popularidade como ativo político. E, nesse jogo de poder, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, desponta como peça-chave, mas não necessariamente como aliado leal.

Você já percebeu como, em política, os maiores inimigos muitas vezes surgem de onde menos se espera? Pois é exatamente esse enredo que se desenha em torno de Bolsonaro.

Carlos e Eduardo Bolsonaro, além de Silas Malafaia apontado como mentor do clã, alertam para manobras de bastidores e, cresce a percepção de que não é apenas a esquerda que quer enfraquecer Bolsonaro. Há, também, um esforço dentro do próprio campo conservador para reduzir seu protagonismo.

O centrão estaria costurando uma saída estratégica; oferecer anistia a Bolsonaro, que já não seria mais ampla e irrestrita, em troca de sua renúncia tácita à disputa presidencial.

E quem aparece como beneficiário direto desse arranjo? Tarcísio de Freitas. O governador paulista, visto por muitos como sucessor natural, vem sendo apontado por aliados do bolsonarismo raiz como o principal articulador ou, ao menos, como quem mais se favoreceria desse movimento.

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A lógica é cruel, libertar Bolsonaro juridicamente, mas mantê-lo fora da corrida eleitoral, usando sua popularidade apenas como cabo eleitoral. Dessa forma, governadores, líderes do centrão e figuras políticas poderiam se apresentar como os libertadores de Bolsonaro, explorando a gratidão de sua base sem, no entanto, permitir que ele retorne de fato ao jogo.

Essa articulação explicaria a aproximação crescente de governadores a Bolsonaro, não para fortalecê-lo como candidato, mas para controlá-lo como símbolo. Aqui, a analogia com o boneco João-Bobo é inevitável, quanto mais empurrado, mais ele volta à posição inicial.

Nesse caso, a estratégia não é derrubá-lo de vez, mas mantê-lo em pé apenas o suficiente para servir de peça de conveniência no tabuleiro político, utilizá-lo como ativo eleitoral para ungir um nome considerado mais palatável pelo sistema possivelmente Tarcísio. Assim, pacifica-se o ambiente, reorganiza-se o campo conservador e canaliza-se o voto bolsonarista, mas sem o protagonista na urna.

O dilema é claro, de um lado, a tentativa de enquadrar Bolsonaro como peça secundária; de outro, sua própria recusa em abdicar do protagonismo. Entre essas forças, Tarcísio precisará decidir se será apenas um herdeiro pragmático ou se se arriscará a ser visto como traidor por uma base que não perdoa desvios de lealdade.

Não é segredo que o bolsonarismo raiz não perdoa desvios. Qualquer percepção de que Tarcísio está se beneficiando da “desativação” de Bolsonaro pode transformar seu trunfo em fardo.

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O discurso que se desenha nos bastidores é duplo, de um lado, políticos que desejam se apresentar como os libertadores de Bolsonaro; de outro, a leitura de que essa libertação é, na prática, uma traição calculada, que o afasta das urnas e o transforma em mero cabo eleitoral.

Essa disputa não é inédita na política brasileira, líderes carismáticos já foram afastados da corrida e usados como símbolos para legitimar sucessores. A diferença, agora, está na intensidade da polarização e na dependência visceral que a direita tem da base bolsonarista.

Para quem acompanha a política, o alerta é claro, não se trata apenas de acompanhar discursos inflamados ou bravatas. O que está em jogo é um projeto de poder que tenta reconfigurar a direita brasileira, deslocando Bolsonaro para os bastidores e preparando Tarcísio como herdeiro controlado de seu capital político.

O leitor atento precisa, portanto, questionar; quem realmente está ao lado de Bolsonaro? E, mais do que isso, até onde o ex-presidente conseguirá resistir às tentativas de transformá-lo em personagem secundário da própria história, ou seja, como peça de conveniência?

A grande questão, portanto, não é apenas se Bolsonaro terá anistia, mas se terá autonomia política. O ex-presidente aceita ser símbolo ou insistirá em ser protagonista?

Tarcísio terá habilidade para herdar sem trair, ou cairá na armadilha de parecer cúmplice de uma manobra que reduz Bolsonaro a um João-Bobo?

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A política brasileira é um tabuleiro em constante movimento. Hoje, a narrativa vendida é a da anistia libertadora; amanhã, pode ser a de traição estratégica.

Nos próximos meses, o país vai assistir a uma disputa que não se dará apenas nas urnas ou nos tribunais, mas também nos bastidores da direita. Entre alianças calculadas e discursos de fidelidade, a grande questão permanece quem controlará o capital político de Bolsonaro em 2026; ele próprio ou aqueles que querem transformá-lo em peça decorativa de conveniência?

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Saúde mental: urgência pública que exige ação e acolhimento

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*Irajá Lacerda

A saúde mental deixou de ser uma preocupação silenciosa e se consolidou como uma das grandes urgências públicas do Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu o impressionante número de 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais e comportamentais, o que representa uma alta de 15,66% em relação ao ano anterior. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideram os afastamentos, revelando um país emocionalmente adoecido.

O cenário nacional dialoga com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, divulgados no final 2025, que apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. A OMS também estima que depressão e ansiedade custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Essa realidade ganhou ainda mais atenção no Brasil com a atualização da NR-1, que passou a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, reforçando que a pressão no ambiente de trabalho e o esgotamento profissional exigem prevenção, responsabilidade e acolhimento.

Esses números não são apenas estatísticas. Por trás de cada linha há uma mãe exausta, um trabalhador no limite ou um jovem sofrendo em isolamento. Dados oficiais do IBGE em 2026, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), revelam que cerca de três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos relataram sentir tristeza frequente, 18,5% disseram sentir que a vida “não vale a pena ser vivida” e 32%  afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito.

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O impacto vai além do ambiente escolar: estudos do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) apontam que o tratamento de jovens com transtornos mentais chega a comprometer metade da renda das famílias na busca por apoio. O cenário exige que família, escola, assistência social e saúde atuem de forma integrada para acolher crianças e jovens antes que a dor vire tragédia.

Em Mato Grosso, esse desafio também precisa ser encarado de frente. Em 2025, o estado registrou 5.556 afastamentos temporários por transtornos mentais e comportamentais, segundo a Previdência Social. Não adianta ostentarmos indicadores econômicos grandiosos se as nossas famílias sofrem desamparadas, sem acesso adequado a psicólogos, psiquiatras e tratamento contínuo. O desenvolvimento econômico perde o sentido se não vier acompanhado da dignidade humana.

Para mudar essa realidade no nosso estado, a ação precisa ser descentralizada. É urgente expandir os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para o interior, garantindo que o morador de qualquer município tenha o mesmo direito ao cuidado que quem vive na capital. Além disso, precisamos estruturar programas de apoio emocional permanentes dentro das escolas estaduais, capacitando professores para identificar os primeiros sinais de crise em crianças e adolescentes, e criar parcerias com o setor privado para aplicar a NR-1 de forma humana e acolhedora.

Cuidar de pessoas significa olhar para aquilo que as grandes obras e os discursos políticos tradicionais ignoram. É enxergar a dor de quem não consegue pedir socorro e garantir que o orçamento público priorize a vida. O Brasil e Mato Grosso precisam transformar a saúde mental em prioridade absoluta. Uma sociedade só é verdadeiramente rica e desenvolvida quando protege sua gente, oferecendo a cada cidadão a oportunidade e o amparo necessários para viver bem e com dignidade.

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*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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Governança jurídica: empresas fortes dependem de segurança institucional

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DAUTO PASSARE

Empresas não crescem apenas por eficiência operacional ou capacidade financeira. Crescem porque conseguem planejar — e o planejamento depende de estabilidade institucional, previsibilidade regulatória e segurança jurídica.

O desenvolvimento econômico está diretamente ligado à confiança que empresários e investidores possuem nas instituições. Quando as regras mudam constantemente, os contratos se tornam inseguros e o ambiente regulatório é instável, o impacto atinge toda a economia.

O Brasil ainda convive com elevada complexidade jurídica, excesso de judicialização e insegurança tributária. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o país mantém dezenas de milhões de processos em tramitação, refletindo um cenário de intensa litigiosidade.

Nesse contexto, a governança jurídica deixou de ser apenas uma função técnica e passou a ocupar posição estratégica dentro das empresas.

Empresas sólidas dependem de estruturas capazes de prevenir riscos, organizar relações societárias, garantir segurança contratual e antecipar conflitos regulatórios e tributários.

A advocacia contemporânea exerce justamente esse papel: não apenas atuar em crises já instaladas, mas contribuir para a construção de estabilidade e segurança dentro das organizações.

A ausência de segurança jurídica produz efeitos silenciosos, mas profundos: investimentos são adiados, projetos deixam de avançar e o custo operacional aumenta.

Por outro lado, ambientes institucionalmente estáveis favorecem crescimento sustentável, inovação e expansão econômica.

No agronegócio e no setor empresarial, especialmente, previsibilidade regulatória e segurança contratual tornaram-se elementos indispensáveis para o desenvolvimento dos negócios.

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Mais do que uma questão técnica, a segurança jurídica é hoje um ativo econômico.

Empresas fortes precisam de instituições fortes — e a advocacia estratégica tem papel fundamental na construção desse ambiente de estabilidade e confiança.

*é advogado, professor universitário e sócio-fundador do escritório Passare Advocacia em Cuiabá

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Pejotização da medicina: o lucro de poucos e a precarização da profissão médica

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Dr. Adeildo Lucena

A medicina brasileira atravessa uma das maiores transformações da sua história profissional. O que antes era uma carreira associada à estabilidade, autonomia técnica e valorização social vem sendo substituído por um modelo de contratação marcado pela precarização, insegurança jurídica e perda de direitos. O nome desse processo é pejotização.

Hospitais, clínicas, organizações sociais e grandes grupos privados de saúde passaram a substituir vínculos formais por contratos de pessoa jurídica (PJ), obrigando médicos a abrirem empresas para poder trabalhar. Na prática, muitos profissionais continuam submetidos à mesma rotina de um empregado comum — com escala fixa, subordinação, metas e plantões obrigatórios —, mas sem férias, sem 13º salário, sem FGTS, sem licença médica e sem aposentadoria adequada.

A chamada “flexibilização” virou, na realidade, um mecanismo de redução de custos para o sistema privado de saúde.

Dados recentes mostram a dimensão desse fenômeno. Estudo citado por pesquisadores da FGV aponta que a pejotização no Brasil já provocou perdas entre R$ 89 bilhões e R$ 144 bilhões aos cofres públicos desde a reforma trabalhista de 2017. A diferença ocorre porque trabalhadores contratados como PJ recolhem muito menos tributos e contribuições previdenciárias do que empregados regidos pela CLT.

O próprio  Conselho Federal de Medicina reconheceu que empresas utilizam a pejotização para economizar recursos, transferindo riscos aos profissionais e comprometendo as condições de trabalho. Durante debate nacional promovido pelo CFM, representantes da medicina do trabalho alertaram que médicos terceirizados vêm sendo colocados para exercer funções fora de suas atribuições e sem garantias mínimas de proteção profissional.

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Ao mesmo tempo, o Brasil vive uma explosão no número de profissionais. A pesquisa “Demografia Médica 2025”, conduzida pela Faculdade de Medicina da USP em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira, aponta que o país já ultrapassou a marca de 635 mil médicos ativos, com previsão de crescimento contínuo nos próximos anos.

Esse aumento da oferta de mão de obra, somado à expansão agressiva de grandes conglomerados privados da saúde, criou um ambiente de forte pressão econômica sobre os médicos, especialmente os mais jovens. Muitos recém-formados entram no mercado já obrigados a abrir CNPJ antes mesmo do primeiro plantão.

Sem direitos trabalhistas, milhares de médicos enfrentam jornadas exaustivas, insegurança previdenciária e ausência completa de estabilidade. Há profissionais trabalhando anos seguidos sem férias remuneradas, sem cobertura em caso de afastamento por doença e sem qualquer proteção em situações de maternidade ou incapacidade laboral.

O problema ultrapassa a questão corporativa. A pejotização também afeta diretamente a qualidade da assistência prestada à população.

A lógica empresarial da redução de custos transforma o médico em mera peça operacional dentro de uma cadeia financeira controlada por grupos econômicos. O profissional passa a viver sob pressão de produtividade, metas de atendimento e redução do tempo de consulta. A medicina perde seu caráter humanizado e se aproxima perigosamente de um modelo industrial.

Os grandes grupos econômicos lucram. Os planos de saúde ampliam faturamento. As organizações privadas reduzem encargos. Mas o médico perde segurança, perde autonomia e perde dignidade profissional.

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O mais grave é que esse modelo vem sendo naturalizado.

Criou-se uma falsa ideia de que direitos trabalhistas seriam privilégios ultrapassados. Não são. São garantias mínimas de proteção humana e profissional.

Defender relações de trabalho dignas não significa negar novas formas de contratação. Significa impedir abusos e preservar condições mínimas para o exercício ético da medicina.

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso entende que o debate sobre a pejotização precisa deixar os bastidores jurídicos e ganhar dimensão pública. A sociedade precisa compreender que precarizar o trabalho médico também significa fragilizar o atendimento à população.

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