Mato Grosso
‘Golpe do motoboy’ faz vítima em Cuiabá; Procon-MT alerta consumidores
Era início de mês quando Aparecido*, 82 anos, morador de Cuiabá, recebeu uma ligação no telefone de casa. Do outro lado da linha, um suposto atendente de banco informou ao idoso que haviam sido identificadas transações suspeitas na conta dele e que, portanto, o cliente deveria entrar em contato com o banco pelo número da central de atendimento – que consta no verso do cartão.
Ao desligar aquela chamada, o aposentado não poderia imaginar que a ligação que faria em seguida para o banco, a fim de resolver o suposto problema com o cartão, poderia ser interceptada por criminosos que se passariam novamente por atendentes do banco. Dessa forma, recolheram informações confidenciais do consumidor, como os dados pessoais, senha e informações da conta.
O “golpe do motoboy” ganhou esse nome porque, após as ligações falseadas, a vítima é informada pelos golpistas que um motoboy contratado pelo banco vai recolher o cartão em sua residência. Em posse da senha, do cartão e com a confiança da vítima – devido ao contato realizado com banco – os criminosos efetuam saques e compras em nome da vítima. No caso Aparecido*, ele tinha acabado de receber sua aposentadoria.
O relato chegou ao Procon estadual em novembro deste ano via reclamação contra um banco que se recusou a anular as compras criminosas registradas na fatura de cartão de crédito. Casos semelhantes vêm sendo registrados no Brasil desde 2018, já com causas judicializadas e com decisões favoráveis às vítimas dos golpes.
A 22ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, por exemplo, condenou este ano um banco a indenizar dois clientes vítimas do “golpe do motoboy”, conforme publicado pelo site Conjur, em outubro de 2019. Por maioria, a Câmara entendeu que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos causados por fraudes ou delitos praticados por terceiros em seu âmbito de atuação.
Tal entendimento se baseia, entre outras regras, no artigo 6 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que considera como direito básico do consumidor o direito à segurança dos produtos e serviços oferecidos no mercado de consumo.
Conforme a secretária adjunta do órgão de defesa do consumidor, Gisela Simona, no caso do golpe em questão, há falha na prestação do serviço, uma vez que os mecanismos de segurança do banco “não foram capazes de impedir o acesso dos golpistas aos dados privados da vítima”.
Dicas para evitar fraudes com cartões bancários:
– Não acesse suas informações via link recebido por mensagem, e-mail ou redes sociais;
– Não conceda suas informações e senhas por ligações telefônicas, mensagens, nem compartilhe com outras pessoas;
– O cartão de crédito é pessoal e intransferível, por isso não entregue-o a outra pessoa;
– Os bancos não fazem recolhimento de cartão;
– Na hora de inutilizar um cartão de banco, corte o chip e a tarja preta que fica no verso do cartão. É no chip e na tarja que estão registradas as informações bancárias;
* Nome fictício utilizado para proteção do consumidor.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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