Mato Grosso
Mais de 60 mil cirurgias foram realizadas na Caravana da Transformação em todo Estado
Após percorrer aproximadamente 13 mil quilômetros e atender a população dos 141 municípios de Mato Grosso, a Caravana da Transformação registrou 66.337 cirurgias, sendo 52.270 de catarata, 8.240 de pterígio e 5.827 de yag laser, além de 88.174 consultas. Os números representam um marco na história da saúde oftalmológica que serviu também de legado a tantas pessoas que há anos viviam na escuridão e não acreditavam mais na oportunidade de voltar a enxergar.
A distância entre as cidades, ausência de sinal de internet e a chuva não impediram que o projeto seguisse adiante. Iniciada em julho de 2016, a Caravana foi um projeto piloto que deu certo e transformou muitas vidas, conforme destacou o coordenador-Geral da Caravana, José Arlindo de Oliveira. A iniciativa foi inspirada no formato da Caravana da Saúde realizada no Mato Grosso do Sul.
“Atingimos os resultados esperados e encerramos este formato da Caravana com a certeza de dever cumprido. Foi um trabalho diferenciado, gratificante, e que contribuiu para melhorar não só a saúde, mas o nosso pensar no ser humano”, afirmou o secretário.
Neste período foram atendidos pacientes com mais de 55 anos (público com maior incidência), jovens com catarata congênita (má formação do cristalino do olho que se desenvolve durante a gestação), população indígena e até centenários, como dona Maria Francisca Tomicha de Souza, moradora de Várzea Grande. Na Caravana sediada em Cuiabá, ela fez cirurgia de catarata nos dois olhos. “Estou enxergando tudo, graças a Deus. Estou 100%”, comemorou a senhora de 104 anos, que, independente, gosta de cuidar da casa e de cozinhar para família.

A Caravana da Transformação passou pelos municípios de Barra do Bugres, Peixoto de Azevedo, Canarana, Jaciara, São José dos Quatro Marcos, Porto Alegre do Norte, Alta Floresta, Barra do Garças, Juína, Tangará da serra, Rondonópolis, Cáceres, Cuiabá e Sinop, atendendo pessoas de diferentes comportamentos, feições e sotaques. No entanto, ao deixar a carreta cirúrgica o sorriso no rosto de cada paciente era unânime. Um destes foi João Gomes Batista, 66. O aposentado mora em Sorriso e foi atendido na edição de Sinop.
“Há três anos eu não enxergava mais e parei de trabalhar como carreteiro. Estou feliz demais e só quero dizer muito obrigado. Poder ver nitidamente é maravilhoso, vocês não sabem o bem que estão fazendo as pessoas”, relatou emocionado.
A Caravana também serviu de cenário para outras histórias marcantes como a de dona Jane Paz, moradora de Peixoto de Azevedo que conseguiu ver a neta mais nova pela primeira vez, após fazer a cirurgia de catarata. Mudou a rotina de Jurema dos Santos Reis, de 30 anos, paciente diagnosticada com catarata congênita aos 14 anos. Ela foi operada em abril de 2017, na Caravana de Porto Alegre do Norte.

“Durante a cirurgia, eu via as luzes do aparelho piscando. A sensação de enxergar normalmente é boa demais. Quero ser médica para ajudar as pessoas, e se não fosse pelos médicos que me atenderam aqui, eu não estaria vendo tudo agora”, relatou Jurema.
A edição de Cáceres registrou o encontro emocionante dos irmãos João Evangelista Filho, 69 e Jandir Evangelista da Silva, 59. Eles não se viam há 27 anos e se encontraram durante a consulta realizada na Cidade Universitária da Unemat em fevereiro deste ano.
Jandir Evangelista mora no Pará e veio até Mato Grosso para tentar uma consulta. Ele conseguiu chegar até Cáceres após regulação e foi atendido junto ao grupo de pacientes do município de Jauru, um dos municípios beneficiados na edição. “Fomos bem atendidos, é tudo moderno, a gente já sai da sala de cirurgia enxergando e sem nenhuma preocupação. É um trabalho excepcional que precisa ser valorizado e recomendo à população”, afirmou João.
Os serviços de Cidadania ofertados nos dias “D” também fizeram a diferença em cada cidade que a Caravana passou. Ao todo foram feitos 411.788 mil atendimentos nesta área e mais de 353.323 mil pessoas passaram pela estrutura, geralmente distribuída em 10 mil metros quadrados, equipada com carretas ambulatoriais e cirúrgicas, cadeiras, sanitários, praça de alimentação e acessibilidade para cadeirantes e deficientes visuais.
O mutirão de serviços realizado em parceria com as secretarias estaduais e autarquias atraiu e contribuiu para que o cidadão pudesse emitir a segunda via de documentos simples como RG, CPF, Carteira de Trabalho,Carteira de Reservista, Carteira de Pescador e também atualização de benefícios como o Bolsa Família e CadÚnico.
Todas as informações sobre os custos com a estrutura, logística e atendimentos das 14 edições estão disponíveis no Portal Transparência: www.transparencia.mt.gov.br
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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