Mato Grosso
Matemática inspira adolescentes em conflito com a lei a buscar futuro melhor
Estimular e promover o estudo da matemática é o principal objetivo da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e é de fato o motivo que leva à maioria dos estudantes a se inscreverem. Mas, para dois jovens mato-grossenses o estímulo está em outros dois objetivos elencados no regulamento da prova: promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento e identificar jovens talentos e incentivar seu ingresso em universidades nas áreas científicas e tecnológicas.
B.A.O, de 18 anos de idade, e A.M.M, de 17 anos, estudam na Escola Estadual Meninos do Futuro e foram classificados para a segunda fase da OBMEP, que será realizada no próximo domingo (28.09). Privados de liberdade, mas não dos estudos, eles são internos do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) no Complexo Pomeri, em Cuiabá, e cumprem medida socioeducativa há cerca de um ano. Além deles, outros cinco adolescentes, que passaram pela unidade e já cumpriram medidas, também se classificaram para a segunda etapa da prova.
Com a maioridade recém-conquistada, B.A.O., que cursa o 1º ano do Ensino Médio, pensa no futuro que pode ter com a matemática.
“Eu me empenhei muito para conseguir este resultado e continuo estudando para a próxima prova, as aulas aqui são boas e o professor também”. O jovem conta com o apoio da família, que o visita toda semana. “Eles me incentivam e é muito importante para mim, quero ter um futuro melhor, penso em fazer Engenharia quando sair”, afirmou.
Já para A.M.M., que está no 9º ano do Ensino Fundamental, a matemática nunca fui a disciplina preferida. “Eu quis participar da prova porque é melhor para mim, estudar, ter um futuro bom lá na frente. Eu não gostava muito não, mas estou aprendendo a gostar mais”.
Ele contou que ficou surpreso e ao mesmo tempo animado com o resultado. “As aulas são boas, sinto que estou evoluindo, quero ter uma nova vida quando sair, continuar estudando, fazer uma faculdade e trabalhar, talvez ser empresário”. Também com o incentivo da família, ele está se dedicando ainda mais à matemática para conseguir um bom resultado na segunda fase da Olimpíada. “Vou pra cima”, garantiu.
O professor de matemática da Escola Estadual Meninos do Futuro, Ismael de Oliveira Alves, explicou que primeiro é feito um trabalho de preparação da base de ensino, pois muitos chegam com uma grande defasagem escolar.
“Alguns acabam saindo da escola justamente porque não conseguem acompanhar o ritmo, já chegam com esta dificuldade as vezes até mesmo pela vida que levavam lá fora, faltavam às aulas, largavam na metade do ano, enfim, é preciso um trabalho focado para convencê-los a não desistirem”.
Prática das teorias em maquetes
Todos seguem as regras da escola, conforme ressaltou o professor. “Eles respeitam bastante, respeitam a gente em sala de aula. Eles sabem a importância que tem o conteúdo que a gente aplica e a gente já vai preparando tanto no conteúdo quanto mentalmente para eles fazerem essas provas”.
Para a prova de domingo, Ismael de Oliveira focou a preparação em uma atividade prática. “Com o que eles já viram na parte teórica, que estrutura a parte de geometria de ângulos, de escalas, regras de três, volume, eles construíram maquetes de casas, colocando elementos que queriam. E tudo foi feito aplicando o conhecimento, calculando profundidade, a área, perímetro, etc.”.

Há 14 anos atuando como professor, ele frisou que além da preocupação com o conteúdo da disciplina, é preciso sempre estar atento ao valor que o estudo tem na vida destes jovens.
“Nós temos consciência em relação ao ensino, que pode mudar a vida deles, por isso nós tomamos muito cuidado para que eles saibam o que eles estão fazendo, que eles consigam fazer as atividades e este tipo de prova para verem que eles podem fazer aquilo, que são capazes”.
A Gerência de Acompanhamento ao Egresso do Sistema Socioeducativo entrou em contato com as duas meninas e os três meninos que também foram classificados e não estão mais na unidade, para que participem da segunda fase da avaliação. Em 2017, a unidade também teve cinco adolescentes aprovados.
“Acreditamos que a iniciativa é muito boa, todos eles querem muito estudar, e como apresentam alguma dificuldade de aprendizagem e aqui temos menos alunos em sala de aula, conseguimos detectar esta dificuldade mais rapidamente e focar nisso, então eles se empenham mais”, destacou a diretora da escola, Marli Goveia de Oliveira.
Os adolescentes dedicam quatro horas diárias às aulas com todas as disciplinas regulares, mas também participam de projetos de música, palestras, entre outras atividades extracurriculares. Atualmente, a Escola Estadual Meninos do Futuro possui 22 alunos da internação, 26 do provisório e 10 no feminino. O Complexo Pomeri está hoje com 56 adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa.

Os integrantes do Sistema Penitenciário de Mato Grosso também fizeram a prova da Olimpíada. De um total de 93, foram aprovados para a próxima fase 63 reeducandos que estão cursando do 6º ao 9ª ano do Ensino Fundamental e mais 30 do Ensino Médio.
As Olimpíadas de Matemática
A 15ª OBMEP é uma realização da Associação Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), promovida com recursos oriundos do contrato de gestão firmado pelo IMPA com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e com o Ministério da Educação (MEC). É dirigida aos alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e aos alunos do Ensino Médio, de escolas públicas municipais, estaduais e federais, e escolas privadas, bem como aos respectivos professores, escolas e secretarias de educação, todos localizados no território brasileiro.
A primeira fase consistiu em uma prova objetiva, de caráter eliminatório composta por 20 questões de múltipla escolha, valendo um ponto cada, totalizando 20 pontos máximos. A segunda fase se caracteriza pela aplicação de prova discursiva, de caráter classificatório, composta de seis questões valendo até 20 pontos cada, totalizando 120 pontos.
Serão premiados alunos, professores, escolas e Secretarias Municipais de Educação pelos melhores desempenhos nesta edição. Será concedido entre os alunos participantes um total de 575 medalhas de ouro, 1.725 medalhas de prata, 5.175 medalhas de bronze e até 51.900 menções honrosas, de acordo com os critérios presentes no regulamento.
Todos os alunos medalhistas serão convidados a participar do Programa de Iniciação Científica (PIC Jr.) como incentivo e promoção do desenvolvimento acadêmico dos participantes. A divulgação dos premiados será feita no dia 03 de dezembro de 2019, no site http://www.obmep.org.br/.

Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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