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Mesmo em recesso, parlamentares articulam derrubada do veto que fragilizou orçamento

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Faltam 18 dias para a retomada oficial dos trabalhos do Congresso Nacional, marcada para 2 de fevereiro, mas o tema do orçamento do agro já domina as articulações nos bastidores de Brasília. Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificaram as conversas para derrubar o veto presidencial que retirou a proteção orçamentária de políticas consideradas estratégicas para o setor rural em 2026.

O ponto de conflito é o veto integral à Seção III do Anexo III da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, dispositivo aprovado pelo Congresso que impedia o contingenciamento de despesas como Seguro Rural, Defesa Agropecuária, pesquisa, infraestrutura e inovação da Embrapa. A decisão do Executivo foi formalizada na Lei nº 15.321, publicada no fim de dezembro.

Na avaliação da bancada ruralista, a retirada da salvaguarda devolve ao produtor a incerteza orçamentária em um momento já marcado por eventos climáticos extremos, elevação dos custos de produção e crédito mais caro. O dispositivo vetado havia sido construído justamente para garantir previsibilidade mínima a políticas classificadas como discricionárias, mas essenciais ao funcionamento do setor.

O governo justificou o veto com o argumento de que a vedação ao contingenciamento reduziria a flexibilidade da gestão fiscal e dificultaria o cumprimento da meta de resultado primário. Para a FPA, no entanto, o ajuste fiscal voltou a recair sobre áreas sensíveis do agro, contrariando o entendimento firmado durante a tramitação da LDO no Congresso.

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Os números do Seguro Rural ajudam a dimensionar a preocupação. Em 2024, a demanda estimada foi de R$ 2,1 bilhões, mas o Orçamento aprovou apenas R$ 964,5 milhões. Após bloqueios, o valor efetivamente disponível caiu para R$ 820,2 milhões, menos de 60% do necessário. Já em 2025, o setor solicitou R$ 4 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), mas a LOA autorizou R$ 1,06 bilhão, valor que acabou reduzido a R$ 615 milhões após contingenciamentos.

Esse encolhimento orçamentário tem reflexo direto na cobertura. Dados recentes indicam que apenas 8% da área plantada no país está segurada, percentual que já foi de cerca de 17% em 2021, ampliando a exposição do produtor aos riscos climáticos e sanitários.

REAÇÕES – Diante do veto, a reação da FPA foi imediata. O presidente da FPA, Pedro Lupion, afirmou que a retirada da proteção orçamentária compromete o planejamento da próxima safra e recoloca o seguro agrícola na linha de corte fiscal.

Já o Presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, lembrou que esse veto preocupa profundamente quem está no campo. “O produtor rural já enfrenta clima cada vez mais imprevisível, custos elevados e crédito caro, e agora vê instrumentos básicos de proteção, como o Seguro Rural, voltarem a ficar sujeitos a cortes. Não é razoável tratar políticas estratégicas do agro como despesa ajustável, quando elas garantem produção, abastecimento e segurança alimentar”.

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“A atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária é fundamental nesse momento. A FPA tem sido a voz organizada do produtor em Brasília e já mostrou, durante a tramitação da LDO, que entende a realidade do campo. O dispositivo vetado não foi um privilégio, mas uma tentativa de dar previsibilidade mínima a quem produz e assume riscos todos os dias”, disse Isan.

“O agro não pode ser usado como variável de ajuste fiscal. Quando se corta seguro, defesa agropecuária ou pesquisa, o impacto não é apenas no produtor, mas em toda a cadeia, do consumidor à balança comercial. O Brasil é potência agrícola justamente porque investiu em tecnologia, sanidade e gestão de risco, e isso não pode ser desmontado”, advertiu Rezende.

“Esperamos que, com a retomada dos trabalhos do Congresso, prevaleça o bom senso. A derrubada desse veto é uma sinalização clara de respeito ao produtor rural e de compromisso com a estabilidade do setor. O campo precisa de regras claras, orçamento previsível e políticas públicas que deem segurança para continuar produzindo e investindo”, completou.

O vice-presidente da FPA, Arnaldo Jardim, reforçou que o Brasil já opera com um sistema de seguro rural limitado e defendeu prioridade absoluta à recomposição dos recursos. Segundo ele, a queda da área segurada traz consequências diretas para a estabilidade da produção e para a segurança alimentar.

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Críticas semelhantes vieram de outros integrantes da bancada. Para o deputado Tião Medeiros, o veto enfraquece políticas essenciais e sinaliza desprestígio ao setor produtivo. Já o deputado Sérgio Souza  avaliou que o governo transferiu o risco fiscal diretamente ao produtor rural. “Ajuste fiscal é necessário, mas não pode ser feito às custas do agro”, afirmou.

Além do Seguro Rural, o veto atinge recursos destinados à Defesa Agropecuária, regulação, fiscalização e pesquisa, áreas consideradas estratégicas para a sanidade, o acesso a mercados internacionais e a credibilidade do Brasil como fornecedor global de alimentos.

Com o veto em vigor, a execução dessas políticas em 2026 passa a depender da decisão do Congresso. Até lá, mesmo sem sessões plenárias, a FPA trabalha para consolidar votos e chegar a fevereiro com articulação suficiente para reverter a decisão do Executivo.

Fonte: Pensar Agro

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Renegociações de dívidas rurais atinge R$ 7,5 bilhões em quase 28 mil contratos

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 7,5 bilhões em operações de reestruturação de passivos do setor agropecuário dentro do programa federal de liquidação de dívidas rurais encerrado em 10 de fevereiro. A iniciativa, financiada com recursos do Tesouro Nacional, foi criada para produtores atingidos por perdas climáticas recorrentes e alcançou 27.796 contratos em 754 municípios de 22 Estados.

A linha foi aberta em outubro de 2025 e permaneceu disponível até 10 de fevereiro deste ano. Ao todo, havia R$ 12 bilhões reservados para prorrogação, amortização ou quitação de operações de crédito rural. O valor médio das renegociações ficou em aproximadamente R$ 270 mil por produtor, perfil que indica predominância de propriedades familiares e de médio porte.

Do montante aprovado, R$ 4,8 bilhões foram direcionados a agricultores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), responsáveis por 25.041 contratos. Outros R$ 2,7 bilhões atenderam produtores de maior escala, somando 2.755 operações.

O mecanismo permitiu alongamento de passivos de custeio e investimento, incluindo renegociação de Cédulas de Produto Rural (CPR). O prazo de pagamento chegou a nove anos, com até doze meses de carência — condição considerada essencial em regiões que enfrentaram quebras sucessivas de safra por estiagem ou excesso de chuvas nas últimas temporadas.

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A adesão ampla mostra a dimensão do problema financeiro enfrentado no campo desde 2023. Eventos climáticos extremos — seca prolongada no Sul, excesso de chuvas no Centro-Oeste e irregularidade hídrica em áreas de segunda safra — reduziram produtividade e comprometeram fluxo de caixa, especialmente em propriedades altamente alavancadas após o ciclo de juros elevados.

Na prática, o programa funcionou como uma ponte de liquidez. Ao substituir dívidas de curto prazo por financiamento de longo prazo subsidiado, o produtor evitou execução bancária, preservou garantias reais e ganhou tempo para recompor capital de giro na safra seguinte. Cooperativas também puderam enquadrar operações, reduzindo o risco sistêmico regional — um ponto sensível em municípios dependentes da renda agrícola.

A regra exigia comprovação de perdas climáticas em duas ou mais safras e reconhecimento oficial de situação de adversidade no município. Esse critério restringiu o acesso, mas direcionou os recursos para áreas com maior deterioração financeira.

No mercado, a medida foi interpretada como instrumento emergencial de estabilidade produtiva. A manutenção da capacidade de plantio em 2025/26 ajuda a evitar retração de área e, consequentemente, queda de oferta agrícola — fator que pressiona preços de alimentos e a inflação.

Para o produtor, o impacto imediato não é aumento de renda, mas sobrevivência financeira: a renegociação reduz a pressão de curto prazo, reabre acesso ao crédito rural regular e permite voltar ao ciclo produtivo sem comprometer patrimônio. Em regiões afetadas por sucessivas frustrações de safra, isso significa, na prática, a diferença entre plantar novamente ou sair da atividade.

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Fonte: Pensar Agro

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10ª edição do Farm Show consolida Primavera do Leste como polo do agro

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A Farm Show MT, marcada para 10 a 13 de março em Primavera do Leste (distante 235 km da capital, Cuiabá), em Mato Grosso, completa uma década em um momento simbólico para o agronegócio brasileiro: o de profissionalização das feiras agrícolas como plataforma efetiva de comercialização. Longe de ser apenas vitrine tecnológica, o evento passou a funcionar como canal direto de investimento do produtor rural — e os números das edições recentes confirmam isso.

Na edição anterior, a feira recebeu mais de 65 mil visitantes e superou R$ 1,8 bilhão em negócios fechados entre máquinas, implementos, soluções digitais e insumos, com mais de 350 expositores.
O volume aproxima o evento dos principais encontros comerciais do Centro-Oeste e reforça um fenômeno observado nos últimos anos: a decisão de compra de parte relevante do parque de máquinas agrícolas passou a ocorrer dentro das feiras regionais.

Criada em 2015, a Farm Show nasceu como exposição tradicional, mas mudou de perfil ao longo da década e se consolidou como feira de negócios propriamente dita, acompanhando a expansão econômica do município.

Polo produtivo explica força da feira

A relevância econômica do evento está diretamente ligada ao lugar onde ele ocorre. Primavera do Leste está situada a cerca de 200 quilômetros de Cuiabá, capital do Mato Grosso.

O município não é apenas uma cidade agrícola típica: ele figura entre os maiores geradores de riqueza do campo no país. Dados do IBGE colocam Primavera do Leste entre os principais municípios brasileiros em valor de produção agrícola, integrando o grupo dos maiores polos de geração de renda rural do país.

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A região concentra produção de soja, milho e algodão — base do sistema de segunda safra mato-grossense. O próprio estado deve colher cerca de 50 milhões de toneladas de milho safrinha em ciclos recentes, evidenciando a escala produtiva que sustenta o mercado de máquinas, crédito e tecnologia agrícola.

É esse nível de produção que transforma a feira em ambiente de decisão econômica: o produtor visita, compara e compra. Não por acaso, a comercialização dos estandes costuma ocorrer meses antes do evento e há fila de empresas interessadas em participar.

Mais que exposição: termômetro de investimento

Feiras agrícolas regionais passaram a desempenhar um papel semelhante ao das antigas bolsas de negócios do setor. Em Mato Grosso, onde o custo operacional é elevado e a janela de plantio é curta, a definição de investimento precisa ocorrer rapidamente. A feira concentra revendas, bancos, tradings e fabricantes no mesmo local, reduzindo custo de negociação e acelerando contratos.

Na prática, a Farm Show funciona como um “início informal” da safra seguinte: produtores avaliam margens, negociam financiamento e travam compras de tecnologia antes do plantio.

Dentro dessa lógica econômica, a organização ampliou áreas de interação com o público urbano — estratégia adotada por várias feiras agrícolas após a intensificação do debate ambiental e climático envolvendo a produção agropecuária.

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A proposta não é apenas recreativa. Trata-se de comunicação setorial: apresentar ao consumidor urbano como funciona a produção de alimentos, num estado cuja economia depende diretamente da agropecuária.

O crescimento da Farm Show não é isolado. Ele reflete a mudança estrutural do agro brasileiro: a interiorização do investimento. Municípios produtores passaram a concentrar renda, serviços e indústria, e feiras locais viraram centros de decisão econômica. Um exemplo vem lá do Paraná, onde o Show Rural Coopavel 2026, realizado semana passada, recebeu 430.300 visitantes e realizou R$ 7,5 bilhões em negócios

Para o produtor, isso significa algo objetivo — menos deslocamento, mais acesso a tecnologia e crédito e maior poder de negociação. Para o mercado, indica outra coisa: as decisões que antes passavam pelas capitais agora estão sendo tomadas no interior do país, onde a produção realmente acontece.

Fonte: Pensar Agro

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Abate mais cedo pode reduzir em até 40% as emissões da pecuária de corte

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A redução da idade de abate do gado começa a ganhar peso não apenas como estratégia produtiva, mas também ambiental dentro da pecuária brasileira. Levantamentos conduzidos pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) e análises da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicam que encurtar o ciclo do animal é uma das medidas mais imediatas para diminuir a intensidade de emissões de carbono por quilo de carne produzida no País.

Segundo os estudos, ao antecipar o abate e elevar a eficiência produtiva, a pecuária pode reduzir entre 30% e 40% das emissões por unidade de produto em situações reais de adoção tecnológica. O ganho ocorre porque o animal permanece menos tempo no sistema produtivo, diminuindo o período de fermentação entérica — principal fonte de metano — e também o volume total de pasto e suplementação consumido ao longo da vida.

Hoje, boa parte do rebanho nacional ainda é abatida em idade relativamente elevada para padrões produtivos modernos. A redução de cerca de um ano no ciclo de produção já é suficiente para cortar significativamente as emissões acumuladas por animal, além de aumentar a taxa de giro da fazenda e a produção por hectare.

Os levantamentos apontam que, quando a antecipação do abate é combinada com genética melhorada, suplementação nutricional, recuperação de pastagens e manejo mais intensivo, o impacto ambiental se amplia. Em cenários de maior adoção tecnológica, a pecuária brasileira poderia reduzir suas emissões totais em até 80% até 2050. Em modelos teóricos que incluem captura de carbono no solo e sistemas integrados de produção, a queda líquida projetada pode se aproximar de 90%.

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Parte relevante desse resultado está no solo. Pastagens recuperadas acumulam matéria orgânica e funcionam como reservatórios de carbono. Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta ampliam a biomassa vegetal e retiram CO₂ da atmosfera, enquanto aditivos alimentares e dietas balanceadas melhoram a conversão alimentar e reduzem a produção de metano por animal.

A Abiec avalia que a modernização da cadeia produtiva — incluindo rastreabilidade, padronização sanitária e terminação mais eficiente — permite expandir essas práticas sem comprometer competitividade internacional. Pelo contrário: mercados compradores, principalmente Europa e Ásia, passaram a incorporar critérios ambientais na negociação da carne bovina.

Para pesquisadores, a discussão também envolve método de medição. A pecuária tropical brasileira é majoritariamente a pasto e não pode ser comparada diretamente a sistemas confinados de clima temperado. Ao produzir mais carne por área e por animal em menor tempo, a atividade reduz a emissão por quilo produzido, mesmo mantendo grande rebanho absoluto.

Na prática, a agenda ambiental da pecuária passa menos por redução de produção e mais por produtividade. Abater mais cedo, produzir mais arrobas por hectare e manejar melhor o pasto tornou-se não só estratégia econômica — com maior giro de capital e menor custo por arroba — como também argumento ambiental em um mercado global cada vez mais sensível à origem da proteína.

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Fonte: Pensar Agro

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