Mato Grosso
Mobilização de cidadania em aldeia indígena segue até o final deste mês
Continuam até o final do mês as ações de cidadania e de assistência social na aldeia indígena Halataikwa, da etnia Enawenê-nawê, localizada entre os municípios de Juína, Comodoro e Sapezal, na região noroeste de Mato Grosso. A iniciativa, que atende a um pedido feito pelos próprios índios ao governado Mauro Mendes, faz parte do Programa Ser Indígena, idealizado pela primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, e é executado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT), sob o comando de Rosamaria Carvalho. A ação, que começou no dia 9 de setembro, seguirá até o dia 28.
Entre os dias 9 e 20 de setembro foram confeccionadas 139 Carteiras de Trabalho, 467 primeiras vias do Registro Geral e 300 CPFs. Foram feitos ainda 94 segundas vias de RGs, 76 de CPFs e quatro Certidões de Nascimento. Ao total, foram tiradas 3.051 fotos 3×4 para a confecção dos documentos. Além de viabilizar a documentação, a ação promoveu assistência a saúde para os indígenas.

Na última semana de mobilização, o Tribunal Regional Eleitoral viabilizou aos índios o Título Eleitoral. O Cartório Eleitoral de Comodoro, da 61ª Zona Eleitoral, realizou 18 revisões biometria/cadastro, 17 alistamentos (novos eleitores), e 22 transferências de títulos. Já o Cartório Eleitoral de Juína concluiu 16 novos cadastros. A meta inicial dos cartórios eram 107 biometrias em Comodoro e 203 em Juína.
Em mais um pedido atendido pelo Governo do Estado, cerca de 30 índios participaram de um curso de brigada de incêndio. As aulas foram ministradas em três dias e divididas em teóricas e práticas. Os módulos trabalhados foram: atendimento pré-hospitalar básico, combate à incêndio básico, ordem unida, treinamento físico militar e instrução de cidadania. O grupo de instrutores faz parte do 14° CIBM de Juína, pertencente ao Comando Regional VI de Tangará da Serra e comandado pelo coronel Abadio José da Cunha Júnior, que também coordena toda parte de estrutura e logística da ação.

Também foram doados 450 brinquedos, recebidos por meio de doação, e kits escolares para as crianças da aldeia. Os índios também receberam mil cobertores do Programa Aconchego, que foram reservados exclusivamente para atender essa demanda.
A secretária adjunta da Cidadania e Inclusão Socioprodutiva da Setasc, Rosineide Porcionato, que acompanha a ação desde o começo, conta que as mulheres da aldeia receberam de presente chinelos, xampus, escovas de dente, lixas de unha e esmaltes. “Elas já utilizavam esmaltes, falamos também da importância da higiene pessoal, principalmente das crianças”. Ela destaca que apesar da distancia e das dificuldades de logística, a iniciativa promoveu um bem estar a todos os envolvidos. “Desde o começo da ação fomos bem muito bem recebidos pelos índios e fazendo um balanço desta ação, entendemos que estamos levando mais ensinamentos de vida do que deixamos a eles”.

São parceiros da ação: Fundação Nacional do Índio (Funai), Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), Secretaria de Estado de Saúde, Casa Civil, Empaer, Polícia Federal, Polícia Militar, Secretaria Adjunta de Proteção e Defesa Civil, Politec, Receita Federal, Corpo de Bombeiros, Exército Brasileiro, Ministério Público Federal, Projeto Justiça Comunitária, Tribunal de Justiça, Fórum e prefeituras de Brasnorte, Juína e Comodoro.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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