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Mato Grosso

MORTES ANUNCIADAS Masculinidade e violência: A desconstrução dos agressores através do Serviço de Reflexão para Homens

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Nara Assis | Sesp-MT

O consumo de álcool e/ou de outras drogas é comumente utilizado como justificativa no processo de violência doméstica. O uso dessas substâncias foi admitido por pelo menos 12 homens, entre os 17 inquéritos de tentativa de homicídios e feminicídio inicialmente selecionados pela jornalista e escrivã da Polícia Civil, Luciene Oliveira, em sua dissertação de mestrado “O feminicídio no processo da violência é um crime evitável? Políticas de proteção às mulheres em situação de violência”. O montante representa 71% dos autores dos casos, que ocorreram entre 2016 e 2017, em Várzea Grande.

Um exemplo de inquérito que teve a bebida como fator influenciador envolve Belém (nome fictício para resguardar a vítima), estudante de 18 anos de idade, que relatou o ciúme exagerado do homem com quem se relacionou por um ano e três meses.

As brigas eram recorrentes e se tornavam intensas sempre que ele bebia, até que ela disse a ele, por telefone, pois estava na escola, que queria terminar o relacionamento.

Chegando em casa, os dois discutiram novamente e ela foi dormir porque ele estava bêbado. Ele continuou bebendo e chamou a sogra para acordar a vítima, “pois queria se despedir”. Quando Belém acordou, ele perguntou se ela realmente queria terminar. “Eu disse que sim, daí ele pegou a arma e fez cinco disparos e me acertou três, no abdômen, no braço direito e o terceiro na perna”.

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Belém ficou cerca de dois meses internada e, quando pôde prestar declarações à polícia, ainda apresentava as sequelas da sua quase morte: estava com uma traqueostomia.

No entanto, a pesquisa mencionada acima – que foi aprovada pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – demonstra que este é somente um “indicador de risco para a violência de gênero”. Isto porque, apesar de estar associado ao ato violento, segundo entendimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) o álcool não é o único fator de risco da violência de gênero e nem pode ser usado como argumento para atenuar as agressões graves e recorrentes.

Como esse tipo de abuso está associado ao poder masculino, as ações de enfrentamento à violência de gênero precisam contemplar também os homens na transformação de suas masculinidades.

É com esse objetivo que a Rede de Enfrentamento de Várzea Grande passou a executar o Serviço de Reflexão para Homens (SER). A iniciativa é desenvolvida pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Várzea Grande, por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), e, no município de Nossa Senhora do Livramento, pelo Centro de Referência e Assistência Social (CRAS).

O serviço trabalha a recuperação de homens agressores de mulheres, que são direcionados pelo Poder Judiciário para rodas de conversas e palestras e incentivados a refletirem sobre suas experiências enquanto homens que praticam a violência. O programa compreende 13 encontros semanais, em grupos de no máximo 20 homens. Infelizmente há resistência em participar.

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Conforme relatório do SER, nos meses de julho, agosto, outubro e dezembro de 2019, 168 homens que respondem processos judiciais foram determinados pelo Poder Judiciário a participarem dos módulos do programa de reeducação e reinserção de agressores. Deste total, 141 homens descumpriram a decisão, ou seja, 83%. Pelos números apresentados, somente 27 homens agressores participaram das atividades naquele ano.

Reconhecimento das violências

Nos inquéritos analisados, os autores, na maioria, são homens jovens, sendo 44% com idades entre 18 e 29 anos; 28% na faixa de 30 a 40 anos; e 28% com idade entre 41 a 55 anos.

A profissão de pedreiro foi declarada pela maioria (28%) do total de 17 inquéritos selecionados inicialmente na pesquisa. Em seguida, está serviços gerais (17%), motorista (11%), comerciante (5,5%), entre outras. Apenas um deles declarou que estava desempregado.

Os homens reconhecem que não podem matar, mas acreditam que as agressões verbais, comumente exercidas no cotidiano conjugal não são atos de violência e fazem parte do controle masculino dentro da relação. Para eles, somente a agressão que deixa marcas físicas, a lesão corporal, é tida como violência.

Conclusão

A dissertação conclui que os crimes de feminicídios não são evitáveis, “em função do conjunto de ações necessárias não chegarem ao alcance totalitário das mulheres que sofrem violências, ao ponto de transformar a realidade delas, bem como a mudança de postura dos homens perante elas”. A pesquisa ressalta, porém, que o assassinato de mulheres no contexto da violência doméstica e familiar é previsível por tratar-se de mortes anunciadas nas narrativas das mulheres e suas atitudes de resistências.

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“Isso nos confirma a hipótese de confiança no sistema de segurança pública, não apenas para resolução do conflito imediato, mas também na forma de reivindicação de seus direitos pela aplicabilidade da legislação. No entanto, são as atitudes internas agregadas a um conjunto de serviços institucionalizados em rede que tornarão possíveis a transformação da realidade e a desconstrução subjetiva da violência como um fenômeno natural nas relações dessas mulheres e perante à sociedade”, ressalta a mestra em Sociologia pela UFMT e autora da pesquisa, Luciene Oliveira.

Como parte do compromisso firmado junto ao Conselho de Ética da UFMT, cópias da versão final da dissertação foram encaminhadas à Diretoria da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT), Delegacia da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande, e para a Academia de Polícia Civil (Acadepol).

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BR-163 terá interdição total para detonação de rochas em Guarantã do Norte no dia 29 de abril

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Foto- Assessoria

Na próxima quarta-feira, 29 de abril de 2026, a BR-163 terá interdição total no km 1109, em Guarantã do Norte (MT), das 10h45 às 12h45 (Horário do Mato Grosso), para a realização de detonação de rochas. O procedimento integra as obras de correção de traçado na Serra do Cachimbo, executadas pela Via Brasil BR-163.

Essa é a segunda detonação realizada durante o mês de abril, outras cinco estão previstas com intervalo médio de uma semana entre elas. Antes de cada operação, a concessionária realizará ampla divulgação das interrupções temporárias do tráfego.
A Via Brasil BR-163 reforça a importância de que os motoristas respeitem a sinalização provisória, sigam as orientações das equipes no local e evitem aglomerações nas proximidades durante a atividade. Para maior comodidade e segurança, recomenda-se o planejamento da viagem fora do período de interdição.

Sobre as obras

Com investimento de R$ 16 milhões, a obra de correção de traçado irá suavizar três curvas localizadas na Serra do Cachimbo, proporcionando maior visibilidade e segurança aos motoristas. A intervenção contribuirá para a redução de acidentes e tombamentos no trecho.

A previsão de conclusão é outubro de 2026. Fora os momentos pontuais de detonação, não haverá interdições prolongadas, e todo o trecho permanecerá devidamente sinalizado, com orientação permanente aos usuários da rodovia.

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Feira Brasileira de Sementes contará com palestrantes renomados e temas atuais do agronegócio nacional e mundial

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Com o tema “A Semente é o Elo”, o encontro conectará pesquisa, melhoramento genético, produção de sementes, tecnologia e mercado

A Feira Brasileira de Sementes (FEBRASEM), que ocorre em Rondonópolis (MT), nos dias 17 e 18 de junho, se consolidou como um dos principais eventos do setor de sementes do Brasil. O evento idealizado e promovido pela Associação dos Produtores de Sementes do Mato Grosso (APROSMAT), em sua quinta edição tem como tema “A Semente é o Elo”, já tem sua lista confirmada de palestrantes de renome no Agro e muito conhecimento a ser compartilhado com os participantes.

Segundo o presidente da APROSMAT, Nelson Croda, a proposta desta edição é integrar todos os pilares da cadeia produtiva. O foco está no entendimento de que a semente não é apenas o início do plantio, mas o elo que conecta o melhoramento genético, a tecnologia de ponta e a eficiência comercial. Em um cenário global cada vez mais exigente. “Ao longo dos dois dias, a programação reúne oito momentos estratégicos, entre palestras e painéis técnicos, abordando temas fundamentais para o fortalecimento do setor de sementes. Já estão confirmadas importantes lideranças da indústria de biotecnologia e germoplasma, além de doutores, especialistas em mercado e profissionais altamente qualificados”, destacou.

Um dos palestrantes convidados para a FEBRASEM será Marcos Jank, formado em Engenharia Agronômica pela ESALQ-USP, atualmente é professor sênior de agronegócio no Insper e coordenador do Centro Insper Agro Global. Na área de comunicação, atua como comentarista de agronegócio na CNN Brasil e colabora com diversos veículos nacionais e internacionais.

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O evento foi desenhado para promover não apenas o conhecimento teórico, mas também a geração de negócios e o fortalecimento de parcerias. A estrutura contará com palestras estratégicas ofertando conteúdos voltados especificamente para os setores de sementes e grãos, exposição tecnológica e máquinas e networking qualificado, com ambientes planejados para conexões empresariais e um happy hour de integração ao final das atividades.

As inscrições para a FEBRASEM 2026, já estão no 2º lote, e para não ficar de fora de uma das maiores feiras do segmento sementeiro nacional, acesse o link abaixo:

https://www.sympla.com.br/evento/febrasem-2026/3320456?algoliaID=447c62ad747ae13407bb86812130ab58

Confira quem são os demais palestrantes da 5ª Edição da FEBRASEM:

Mauricio Schineider – CEO da StarSe Agro e cofundador da Solubio, uma das gigantes biotechs do agronegócio brasileiro.
Maria de Fátima Zorato – Bióloga, com mestrado em Fitopatologia e doutorado em Ciência e Tecnologia de Sementes.
Geri Meneghello – Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Ciência e Tecnologia de Sementes (UFPeL).
França Neto – Ph.D. em Fisiologia e Patologia de Sementes junto à Universidade da Flórida.
Eduardo Lourenço – Doutor e Mestre Direito Constitucional com especialização em Direito Empresarial e Contratos e possui L.L.M. (Master of Laws) em Direito Tributário.
Anderson Galvão – Engenheiro Agrônomo e Fundador e Diretor Céleres.
Fernando Wagner – Gerente executivo de Negócios Institucionais na GDM Seeds.
Janaína Martuscello – Zootecnista e professora titular da Universidade Federal de São João Del Rei (MG).
Jonas Pinto – Doutor em Ciência e Tecnologia de Sementes pela UFPel e atua há mais de 20 anos no setor sementes.
Marcelo Batistela – Vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da Basf do Brasil.

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Mato Grosso

Governador Otaviano Pivetta mantém cronograma e reforça avanço das escolas cívico-militares em Mato Grosso

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O governador Otaviano Pivetta anunciou, nesta quinta-feira (9.4), a manutenção do cronograma de transformação de escolas regulares no modelo de gestão cívico-militar em Mato Grosso. Nesta última etapa prevista para 2026, 16 unidades da Rede Estadual passarão por consultas públicas, em um processo que busca ampliar ainda mais a presença de um formato de gestão que vem ganhando adesão e apoio das comunidades escolares em diferentes regiões do Estado.

Segundo o governador, o avanço do modelo reflete não apenas uma decisão administrativa do Estado, mas também uma demanda que tem partido das próprias famílias, estudantes e profissionais da educação, que reconhecem nas escolas cívico-militares um ambiente mais organizado, seguro e favorável à aprendizagem.

“Esse é um modelo que vem dando resultados, fortalecendo o ambiente escolar e atendendo a uma reivindicação legítima da comunidade. Em muitos municípios, são os próprios pais e profissionais da educação que pedem a transformação, porque reconhecem os ganhos na organização, na disciplina e no processo de ensino e aprendizagem”, explica Otaviano Pivetta.

As votações serão realizadas sempre das 7h às 19h. Nos dias 13 e 14 de abril, participarão da consulta as escolas estaduais Nilza de Oliveira Pipino, em Sinop; Nova União, em Nova Canaã do Norte; João Ribeiro Vilela, em Primavera do Leste; Osmair Pinheiro da Silva, em Nova Maringá; Rui Barbosa, em Nova Mutum; Prefeito Artur Ramos, em Jaciara; Doutor Estevão Alves Correa, em Cuiabá; 13 de Maio, em Tangará da Serra; e Professor Muralha de Miranda, em Nova Marilândia.

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Já nos dias 15 e 16 de abril, novas consultas serão realizadas nas escolas estaduais Cândido Portinari, em Tapurah; Francisco Saldanha Neto, em Tabaporã; João Paulo II, em Itaúba; Mário Schabatt Souza, em Lucas do Rio Verde; Paulo Freire, em Marcelândia; André Antônio Maggi, em Colíder; e Jayme Veríssimo de Campos Júnior, em Alta Floresta.

Otaviano Pivetta destacou que o processo será conduzido com transparência e participação direta da comunidade escolar, que poderá votar entre as opções “Aprovo” e “Não aprovo”. A expectativa do governo é consolidar mais uma etapa importante da política educacional adotada no Estado.

“Nosso compromisso é cumprir o cronograma com transparência, responsabilidade e respeito à vontade da comunidade escolar. A consulta pública garante esse direito de participação e fortalece uma política que já mostrou resultados concretos em Mato Grosso”, completa o governador.

De acordo com ele, a meta inicial era alcançar 205 escolas no modelo cívico-militar, número que já foi superado, com 208 unidades. Com a realização das novas consultas públicas, a Rede poderá chegar a 224 escolas com esse formato de gestão, ampliando uma experiência que vem se consolidando em diversas regiões do Estado.

O modelo cívico-militar não altera o currículo escolar nem interfere na proposta pedagógica das unidades. A condução pedagógica permanece sob responsabilidade de diretores, coordenadores e professores da Rede Estadual, seguindo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.

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Segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), as mudanças concentram-se nas áreas administrativa e disciplinar, com a atuação de militares da reserva no apoio à organização do ambiente escolar, no controle de acesso, na promoção de atividades cívicas e no fortalecimento de valores como disciplina, respeito e hierarquia.

Para o governador, a expansão do modelo representa a continuidade de uma política pública que combina participação da comunidade, reforço na gestão e foco em resultados. A avaliação do governo é que a experiência bem-sucedida das unidades já convertidas tem impulsionado novas adesões e consolidado o formato como referência na educação pública estadual.

“Quando a comunidade percebe que a escola melhora o ambiente, fortalece a convivência e cria melhores condições para ensinar e aprender, ela passa a defender esse modelo. É isso que estamos vendo em Mato Grosso, com uma política que nasceu para fortalecer a educação e que hoje encontra respaldo crescente da população”, concluiu Otaviano Pivetta.

Fonte: Governo MT – MT

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