Mato Grosso
Obra de recuperação de pontos emergenciais do Córrego Mané Pinto avança
Após dois meses da retomada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), as obras de recuperação de pontos críticos do Córrego Mané Pinto, na Avenida Oito de Abril, no bairro Porto, em Cuiabá, avançam e o local começa a ganhar nova cara. O contrato para revitalização do córrego, idealizado para Copa de 2014, estava rescindido e foi restabelecido por ordem judicial.
Os trabalhos recomeçaram em junho e inicialmente estão sendo “atacados” pontos tidos como emergenciais, localizados, principalmente, nos entroncamentos das Avenidas São Sebastião e Ipiranga.
O secretário-adjunto de Obras Especiais, Isaac Nascimento Filho, explica que equipe técnica da Sinfra identificou que seria necessário, a princípio, concentrar os esforços nos serviços emergenciais porque ao menos oito pontos do córrego apresentavam risco de desabamento e ofereciam perigo à população que trafega na região.
“Detectamos desmoronamento nas paredes (talude), na parte inclinada do córrego. Para resolver o problema, primeiramente tratamos o fundo do canal e trabalhando nos taludes, com intenção de evitar novas ocorrências”, explicou ele.
Segundo a equipe técnica da Sinfra, os pontos de desmoronamento do córrego foram ocasionados pela infiltração da água da chuva, que provocou o escorregamento das placas nas paredes do córrego, deixando o aterro exposto.
“A medida que aumentaram as chuvas as placas foram levadas, gerando a erosão na margem da via”, relatou o engenheiro Adelmo Barros, que integra a superintendência de Gestão de Obras Especiais da Sinfra.
Para resolver a situação, foi realizada a reestruturação do fundo do canal do Córrego Mané Pinto, com a utilização dos chamados colchões reno, estruturas drenantes feitas com gabiões, e ainda a recomposição das paredes, com uso da mesma técnica, visando a proteção e a estabilização da margem.
“Por cima desses colchões é colocada ainda uma camada de concreto e é realizado, posteriormente, o acabamento. Com esse serviço, não haverá mais desmoronamento nesses pontos”, garantiu o engenheiro.

O superintende de Gestão de Obras Especiais, Edson Nivaldo Brasil de Oliveira, destacou que os serviços estão bastante avançados e que o trabalho vem sendo acompanhado de perto pela equipe de engenharia com a ajuda também de programas de alta tecnologia que possibilitam a visualização do canteiro de obras de forma real na tela do computador. “Dessa forma podemos fazer o antes e o depois, e comparar o quanto avançou”, revelou.

Obra retomada
A revitalização do Córrego Mané Pinto, na Avenida Oito de Abril, é uma obra de 2012, lançada visando a melhoria da região do bairro do Porto para a Copa de 2014, na qual Cuiabá foi uma das sedes. Até 2019, 67,3% dos serviços previstos em projeto haviam sido concluídos.
No ano de 2018, o contrato com construtora responsável da obra acabou sendo rescindido pelo não cumprimento do cronograma de execução. Porém, este ano, por decisão judicial, o rompimento foi suspenso e a construtora reassumiu os trabalhos. A ordem de reinício dos serviços foi emitida à empresa dia 5 de junho de 2019 e as atividades seguem no canteiro de obras.
Conforme o superintendente de Gestão de Obras Especiais, Edson Brasil, quase 70% da obra já havia sido concluída até 2014 com destaque para pavimentação da Avenida Oito de Abril e também toda a parte de instalação do tronco coletor de esgoto, que possibilitará que os dejetos não sejam mais jogados no córrego.
“O que falta fazer agora da obra como um todo é a revitalização do córrego, a adequação de todas as rotatórias ao longo da via, bem como a urbanização e a interligação dos ramais de esgoto que caem hoje no canal. Após a conclusão da obra, será uma mudança grande na região, inclusive o odor existente agora praticamente vai acabar”, avaliou ele, dizendo que o esgoto uma vez jogado no tronco coletor será levado para estação de tratamento no bairro Dom Aquino, deixando de ficar a céu aberto.

Cronograma
Pela ordem de reinício de serviço, publicada no Diário Oficial, a obra completa de revitalização do Córrego Mané Pinto é de 15 meses, com cronograma até o final do segundo semestre de 2020. “O projeto já foi refeito e definido. Essa é uma obra que veio agora para seguir e ser concluída”, afirmou o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, dizendo que todos os esforços da pasta são nesse sentido.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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