Mato Grosso
PCE passa por faxina geral, retirada de materiais em excesso e reforma de celas
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) iniciou nesta semana uma operação intensiva de revista geral na Penitenciária Central do Estado, localizada em Cuiabá, para faxina, higienização, retirada de materiais em excesso e, posteriormente, a reforma das celas de todos os raios que compõem a carceragem da unidade.
Em coletiva com a imprensa nesta quinta-feira (15.08), o secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, explicou o objetivo da ação e tranquilizou a sociedade em relação às notícias falsas que vem sendo difundidas fazendo relação com a operação na maior unidade prisional de Mato Grosso e supostas retaliações à população nas ruas.
“A operação foi planejada com muito cuidado e profissionalismo visando à organização de todos os raios e celas da penitenciária. As equipes estão trabalhando muito, sempre com a segurança que requer uma operação dessa magnitude, pois temos quase 2.400 pessoas lá dentro, além dos servidores. Os agentes vão de cela por cela, retiram os reeducandos e depois iniciam a limpeza e higienização, e posterior pintura dos locais. Só retornarão para as celas os pertences pessoais básicos e aqueles permitidos por lei. Aparelhos elétricos que estão dentro dos cubículos estão sendo retirados e em seguida organizaremos a ventilação sem alimentação elétrica dentro das celas. A limpeza geral e retirada de materiais em excesso tem o objetivo de assegurar um ambiente mais salubre para reeducandos e servidores”, esclareceu Bustamante.

A operação tem acompanhamento de órgãos de controle como a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso, Defensoria Pública, Poder Judiciário, Ministério Público e Conselho Estadual de Direitos Humanos e Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Penitenciário do Tribunal de Justiça.
A operação é realizada em todos os raios da unidade prisional. Estão sendo verificadas ainda as condições estruturais da carceragem e a retirada de produtos que estão em desconformidade com o que está definido no Manual de Procedimento Operacional Padrão do Sistema Penitenciário e a Lei de Execuções Penais.
Para a remoção dos materiais em excesso, os agentes conduzem os reeducandos para as quadras onde cada um separa seus pertences pessoais. Na sequência, uma equipe de agentes faz revista e a retirada de todos os objetos que estão em excesso. Em seguida, os reeducandos que atuam nos serviços gerais na penitenciária trabalham na higienização das celas.
Visitas
Bustamante explicou ainda que as visitas de familiares aos presos estão suspensas neste início da operação, justamente para que os agentes penitenciários possam executar as ações com a segurança necessária.
“Fazer uma obra num local com quase 2.400 pessoas requer cuidado, reforço na segurança, pois é necessário movimentar muitas pessoas. Não é possível fazer esse trabalho e cuidar também do volume de visitantes, que é em média, de 600 pessoas a cada visita. A magnitude da operação não permite fazer com qualidade esse trabalho e ainda ter a segurança necessária para as visitas. Explicamos esse ponto aos órgãos de controle, que neste primeiro momento precisamos ter as equipes focadas na organização do espaço prisional”, destacou o secretário de Segurança Pública, acrescentando que a intenção do trabalho é justamente dar melhor condição de custódia ao reeducando.
Segurança na unidade
A operação é conduzida pela equipe da direção da Penitenciária Central, com agentes da capital e reforço de profissionais que integram o Grupo de Intervenção Rápida, todos qualificados para atuação em recinto carcerário, como contenção e intervenção. Nas demais unidades da capital, o reforço de pessoal é feito por agentes do Serviço de Operações Penitenciárias Especializadas.
A Polícia Militar dá apoio com trabalho ostensivo na área externa da PCE.
O secretário de Segurança Pública esclareceu novamente sobre a necessidade da operação diante do número que presos que são custodiados no local e em garantir mais segurança, prevenindo a entrada de materiais ilícitos.
“O Estado assumiu a responsabilidade de fazer essa faxina e fiscalização geral para verificar o que tem dentro da unidade e o que deve ser retirado, para melhorar a infraestrutura local”.

A PCE conta com equipamentos de detecção de produtos, como escâner corporal, detectores fixos e portáteis.
Em relação a bloqueadores de celulares, Alexandre Bustamante informou que os secretários de Segurança Pública dos Estados estão tratando via Ministério da Justiça para que as empresas de telefonia façam a instalação dos equipamentos.
“É impossível o Estado gastar recursos ou produto que é dele com serviço que é uma concessão federal. Solicitamos que o governo federal se mobilize para que em toda unidade carcerária tenha bloqueador e que o estado aplique recurso em outros serviços na segurança, saúde e educação, e não com bloqueadores de celular”, disse.
Atendimentos de saúde
A secretaria reforça que não houve qualquer intercorrência nas atividades desde o início da operação.
Os atendimentos de saúde são realizados pela equipe de profissionais da penitenciária, inclusive com medicação fornecida diretamente nas celas e havendo necessidade, os casos emergenciais são atendidos externamente.
Os reeducandos recebem normalmente alimentação e água. Não procede informação de que estejam fazendo uso de água suja ou que a penitenciária esteja sem energia.
Com colaboração da estagiária de Jornalismo Luariany Bispo
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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