Mato Grosso
Polícia Civil cumpre mandados de prisão contra mandante e executores de homicídio de trabalhador em Sorriso

A Delegacia da Polícia Civil de Sorriso cumpriu, nesta quarta-feira (22.1), mandados de prisão e de buscas contra o mandante e dois executores do homicídio de um trabalhador, morto no dia 10 de janeiro, e na tentativa de homicídio contra outra vítima.
Um dos mandados foi cumprido na Penitenciária Central do Estado contra o mandante do homicídio de Everson Santos da Silva, de 36 anos. Outro dois envolvidos na execução da vítima foram presos na cidade de Sorriso, um delas, uma mulher. Um quarto criminoso que está com a prisão decretada está foragido.
O corpo de Everson Santos da Silva, de 36 anos, foi encontrado em uma área de mata, próximo ao bairro Jardim Amazônia, no dia 10 de janeiro. Ele estava com as mãos amarradas e com diversas perfurações de arma de fogo.
Durante as diligências para esclarecer o crime, a Divisão de Homicídios prendeu em flagrante, no mesmo dia do crime, três envolvidos na execução da vítima – dois adultos e um adolescente.
No decorrer da investigação, a equipe policial identificou os demais executores e o mandante do crime.
O delegado Bruno França Ferreira explicou que os primeiros criminosos presos pela Polícia Civil informaram que a vítima foi morta porque o grupo julgou que fotos feitas pelo trabalhador teriam alusão a outra organização criminosa.
Na noite em que foi sequestrado e depois morto, Everson, que estava na cidade a trabalho, estava em um bar de Sorriso. A investigação apurou que a vítima não tinha conhecimento de que o local era frequentado por criminosos ligados a uma determinada facção. “Em nenhum momento, a vítima teve intenção de fazer qualquer gesto alusivo à facção criminosa, e foi sequestrada e covardemente executada com disparos de pistola de calibre 357”, pontuou o delegado Bruno.
O colega de trabalho que estava com Everson também foi vítima do mesmo grupo criminoso, contudo, conseguiu escapar do sequestro e buscar socorro.
Os investigados presos responderão pelos crimes de homicídio qualificado, sequestro e integração de organização criminosa.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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