Mato Grosso
Rede de Proteção discute alternativas para corrigir fragilidades
Integrantes da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente discutiram nesta quarta-feira (05) estratégias de enfrentamento aos desafios para garantia do direito à saúde mental desse público. O crescimento do número de crianças e adolescentes usuários de substâncias psicoativas em Mato Grosso preocupa os profissionais que atuam nessa área. Estrutura ineficaz e até mesmo falhas na articulação entre as instituições que atuam na rede de proteção foram alguns dos problemas apontados para enfrentamento à problemática.
Promovido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) – Escola de Governo, o seminário virtual contou com a participação de representantes de Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) de Cuiabá e Várzea Grande, assistência social, promotores de Justiça, psicólogos, entre outros profissionais. O evento terá sequência nesta quinta-feira (05), a partir das 9h. A transmissão ocorre ao vivo no canal do MPMT no Youtube. Veja como foi o primeiro dia Aqui.
O primeiro painel teve como tema “Atendimento à criança ou adolescente usuário de substâncias psicoativas: principais desafios e estratégias”. Palestraram sobre o assunto a enfermeira coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Luciane Maria Cassini, e a psicóloga e servidora do CAPS AD de Várzea Grande, Janyne Lourenço Moura.
A psicóloga clínica Andréia de Fátima de Souza Dembiski e o promotor de Justiça Nilton César Padovan, coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Infância e da Juventude do MPMT, foram debatedores. A promotora de Justiça em Barra do Garças, Clarissa Cubis de Lima presidiu o painel.
A enfermeira e coordenadora do CAPS I da Secretaria de Estado de Saúde, Luciane Maria Cassini, alertou que entre os motivos que podem levar o adolescente a usar drogas ilícitas estão a baixa autoestima, histórico familiar, baixa confiança, grande disponibilidade, sexualidade precoce e baixo desempenho na escola. Entre os fatores de proteção, ela destacou o bom relacionamento familiar, vínculo religioso, noções claras de limites, a rede de atenção, supervisão ou monitoramento, além da realização de projetos que ajudem o adolescente a lidar com suas frustrações, medos, inseguranças, dores e sofrimentos.
“A Rede de Proteção está fragilizada, mas mesmo com o que temos é preciso fomentar e reforçar a necessidade de atendimento. É necessário uma maior articulação com a rede e a promoção de ações e situações que visem ao desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes”, afirmou.
O coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude, promotor de Justiça Nilton César Padovan, lembrou que existe proibição judicial de internação de crianças e adolescentes em comunidades terapêuticas. Ressaltou ainda que quem decide sobre a internação voluntária é o médico e não o juiz. “Ao magistrado cabe apenas estabelecer onde e as condições para que a internação involuntária ocorra. Além disso, o prazo máximo de internação é de 90 dias”, explicou.
O promotor de Justiça apresentou também parâmetros sugestivos, elaborados pelo Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude com o aval da Procuradoria Especializada da Criança e do Adolescente, para auxiliar os promotores de Justiça a cumprirem o objetivo estratégico estabelecido no Planejamento Institucional que diz respeito à garantia do direito à saúde mental da criança e do adolescente, com cobertura de rede de cuidado e tratamento ambulatorial para uso abusivo de substância psicoativa.
PROGRAMAÇÃO – Nesta quinta-feira (6), o painel “O CAPSi e o desafio da gestão em rede para tratamento de crianças e adolescentes usuários de substâncias psicoativas” terá como palestrantes a fonoaudióloga e supervisora clínico-institucional de Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II), Cristiana Beatrice Lykouropoulos. O procurador de Justiça titular da Especializada em Defesa da Criança e do Adolescente, Paulo Roberto Jorge do Prado, será debatedor. E o promotor de Justiça em Vila Rica, Jacques de Barros Lopes, atuará como presidente do painel.
Fonte: MP MT
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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