Mato Grosso
Reeducandas abrem janelas e livros em busca de diplomas
A primeira coisa que elas fazem ao entrar na sala de aula é abrir as janelas. Um instante de contemplação à luz do dia que interrompe as longas horas que passam entre paredes e teto. Maria* e Luiza* estudam na Escola Estadual Nova Chance e estão entre as 74 reeducandas da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, que se inscreveram no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).
A participação no Encceja é voluntária e gratuita, destinada aos jovens e adultos residentes no Brasil e no exterior, inclusive às pessoas privadas de liberdade, que não tiveram oportunidade de concluir os estudos na idade apropriada. Para intensificar a preparação, as recuperandas participaram de “aulões”, nos dias 1º e 03 de outubro, ministradas por professores habilitados nas disciplinas de matemática e português da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT).
O exame permite aos participantes alcançarem o certificado nos Ensinos Fundamental ou Médio. É exatamente isso que Luiza almeja, um bom resultado para avançar do 8º ano do Ensino Fundamental para o Ensino Médio. “Quando estava lá fora eu queria estudar, mas sempre acontecia alguma coisa, um problema de saúde, ou algo do tipo. Então, quando eu vim para o presídio surgiram as vagas na escola, aí fiz a matrícula”. Segundo ela, os professores são atenciosos e muito pacientes, principalmente no caso dela que tem mais dificuldade em matemática.
Aos 23 anos de idade, Luiza afirma que está presa por conta de um mal-entendido, ocorrido em 2016. “Estava no lugar errado e na hora errada, teve uma confusão, uma briga. Eu tinha ido na moto com meu esposo, porque chamaram ele até lá, saiu morte, e algumas testemunhas disseram que eu estava guiando a moto e dei fuga para ele, mas eu estava na garupa, ele tinha acabado de me buscar no serviço”, conta ela, que trabalhava como auxiliar de cozinha na época. O marido também foi preso.
A jovem tinha o sonho de ser médica veterinária, mas hoje já considera cursar Enfermagem ou Educação Física. Com semblante sereno e voz tranquila, ela diz que procura prestar atenção e receber o máximo de informações possíveis nas aulas, que ocorrem de segunda a sexta-feira, no período vespertino. “Quando sair daqui, pretendo continuar estudando porque é bom, uma coisa que a gente leva para a vida inteira, e onde você for procurar emprego todo mundo pergunta do estudo e para ficar mais inteligente, né, ter mais sabedoria”. Enquanto isso, ela, que é natural de Cáceres, comercializa peças em crochê, que aprendeu a fazer na adolescência.
Mais falante, Maria conta que as aulas são os momentos mais aguardados do dia. “Logo que cheguei procurei me matricular, porque a gente fica lá dentro trancada e quando vem estudar pode ver o dia, sentir o vento e conhecer outras pessoas de outros raios, conversar com os professores”. Ela chegou a desistir, mas foi convencida a retomar os estudos. “Eles foram conversando comigo, me estimulando, eu vi que os professores vêm de longe, tem uns que vêm de ônibus. Aí pensei ‘eles estão fazendo de tudo para ensinar, vou aproveitar a oportunidade’”.
Ela está com 37 anos e foi presa há seis meses, pela segunda vez, quando tentava levar drogas de Porto Velho (RO), onde nasceu, para Fortaleza. Mãe de quatro filhos, Maria parou de estudar quando estava no 6º ano do Ensino Fundamental. O plano para quando ganhar a liberdade novamente é vender algum tipo de alimento, como bolo ou geladinho, e continuar dedicando tempo à igreja, como já faz dentro da penitenciária. “Eu sou evangélica, já era antes de entrar aqui, e quero continuar nesta comunhão com Deus”.
Segundo a orientadora pedagógica da Escola Estadual Nova Chance, Maria Conceição Caldas, o objetivo dos “aulões” foi propiciar às reeducandas uma melhor assertividade na prova. “Agradecemos à diretora da unidade, Maria Giselma Ferreira, que abriu as portas e nos propiciou esses dois momentos, e também à Seduc pela parceria. Nós acreditamos que isso irá ajudá-las muito na hora da prova e também que elas possam estimular as que ainda não são alunas para que façam parte da escola”.
Há 15 anos em salas de aula regulares, a professora Tânia Italaney começou a lecionar em unidades prisionais em janeiro deste ano. Com formação em Biologia, ela é responsável pela disciplina de Ciências da Natureza na Penitenciária Ana Maria e na Penitenciária Central do Estado (PCE). “É uma experiência nova, pois nas escolas comuns o aluno tem toda a liberdade de ir e vir, e aqui dentro não. Então, há dias que elas chegam para estudar irritadas”.
O desafio, segundo a educadora, é conseguir transmitir o conhecimento de forma atrativa e paciente. “Elas são extremamente inteligentes, mas algumas apresentam defasagem. O trabalho é focado não só no conteúdo específico, temos que trazer algo diferenciado, tem que ser uma aula dialogada, que traga visão de mundo também”.
Outro ponto apontado por Tânia é a rotatividade de alunas, que na penitenciária feminina é maior. Os resultados, porém, são gratificantes. “Eu já cheguei a chorar ouvindo algumas histórias, é gratificante sentir que podemos colaborar com uma nova vida que elas querem buscar fora daqui”.
Mais de 2 mil inscritos no estado
Em Mato Grosso, 2.036 reeducandos de 40 unidades penais do Sistema Penitenciário farão as provas do Encceja nos dias 08 e 09 de outubro deste ano. Deste total, 191 são mulheres. Os dados são do Núcleo de Educação nas Prisões (NEP) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).
Em 2018, foram 1.664 inscritos de 39 unidades penais envolvidas. Destes, 264 foram aprovados e conquistaram a certificação, sendo 131 mulheres privadas de liberdade. Destas, 81 eram da Penitenciária Ana Maria do Couto May. Atualmente, a unidade feminina de Cuiabá possui 217 recuperandas e 56 delas estudam na Escola Estadual Nova Chance.
O número de inscritas é maior que o de alunas porque a coordenação também dá oportunidade às demais reeducandas que desejem obter a certificação. Além do título de conclusão de ensino, é possível conseguir remição da pena, conforme estipula a Recomendação n° 40, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Nós entendemos que o estudo é muito importante e a maioria delas tem este interesse”, explica a coordenadora pedagógica da penitenciária, Margaret Anderson de Oliveira.
A norma diz que na hipótese de o apenado não estar, circunstancialmente, vinculado a atividades regulares de ensino no interior do estabelecimento penal e realizar estudos por conta própria, ou com simples acompanhamento pedagógico, deve-se considerar, “como base de cálculo para fins de cômputo das horas, visando à remição da pena pelo estudo, 50% da carga horária definida legalmente para cada nível de ensino [fundamental ou médio]”.
As unidades prisionais também participam de outros exames nacionais e concursos de redação. Da Penitenciária Ana Maria do Couto, uma aluna foi classificada para a segunda etapa da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e aguarda o resultado da prova que ocorreu no final de setembro.
*Os nomes são fictícios, para preservar as identidades das entrevistadas.
Mato Grosso
Feira Brasileira de Sementes contará com palestrantes renomados e temas atuais do agronegócio nacional e mundial
Com o tema “A Semente é o Elo”, o encontro conectará pesquisa, melhoramento genético, produção de sementes, tecnologia e mercado

A Feira Brasileira de Sementes (FEBRASEM), que ocorre em Rondonópolis (MT), nos dias 17 e 18 de junho, se consolidou como um dos principais eventos do setor de sementes do Brasil. O evento idealizado e promovido pela Associação dos Produtores de Sementes do Mato Grosso (APROSMAT), em sua quinta edição tem como tema “A Semente é o Elo”, já tem sua lista confirmada de palestrantes de renome no Agro e muito conhecimento a ser compartilhado com os participantes.
Segundo o presidente da APROSMAT, Nelson Croda, a proposta desta edição é integrar todos os pilares da cadeia produtiva. O foco está no entendimento de que a semente não é apenas o início do plantio, mas o elo que conecta o melhoramento genético, a tecnologia de ponta e a eficiência comercial. Em um cenário global cada vez mais exigente. “Ao longo dos dois dias, a programação reúne oito momentos estratégicos, entre palestras e painéis técnicos, abordando temas fundamentais para o fortalecimento do setor de sementes. Já estão confirmadas importantes lideranças da indústria de biotecnologia e germoplasma, além de doutores, especialistas em mercado e profissionais altamente qualificados”, destacou.
Um dos palestrantes convidados para a FEBRASEM será Marcos Jank, formado em Engenharia Agronômica pela ESALQ-USP, atualmente é professor sênior de agronegócio no Insper e coordenador do Centro Insper Agro Global. Na área de comunicação, atua como comentarista de agronegócio na CNN Brasil e colabora com diversos veículos nacionais e internacionais.
O evento foi desenhado para promover não apenas o conhecimento teórico, mas também a geração de negócios e o fortalecimento de parcerias. A estrutura contará com palestras estratégicas ofertando conteúdos voltados especificamente para os setores de sementes e grãos, exposição tecnológica e máquinas e networking qualificado, com ambientes planejados para conexões empresariais e um happy hour de integração ao final das atividades.
As inscrições para a FEBRASEM 2026, já estão no 2º lote, e para não ficar de fora de uma das maiores feiras do segmento sementeiro nacional, acesse o link abaixo:
https://www.sympla.com.br/evento/febrasem-2026/3320456?algoliaID=447c62ad747ae13407bb86812130ab58
Confira quem são os demais palestrantes da 5ª Edição da FEBRASEM:
Mauricio Schineider – CEO da StarSe Agro e cofundador da Solubio, uma das gigantes biotechs do agronegócio brasileiro.
Maria de Fátima Zorato – Bióloga, com mestrado em Fitopatologia e doutorado em Ciência e Tecnologia de Sementes.
Geri Meneghello – Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Ciência e Tecnologia de Sementes (UFPeL).
França Neto – Ph.D. em Fisiologia e Patologia de Sementes junto à Universidade da Flórida.
Eduardo Lourenço – Doutor e Mestre Direito Constitucional com especialização em Direito Empresarial e Contratos e possui L.L.M. (Master of Laws) em Direito Tributário.
Anderson Galvão – Engenheiro Agrônomo e Fundador e Diretor Céleres.
Fernando Wagner – Gerente executivo de Negócios Institucionais na GDM Seeds.
Janaína Martuscello – Zootecnista e professora titular da Universidade Federal de São João Del Rei (MG).
Jonas Pinto – Doutor em Ciência e Tecnologia de Sementes pela UFPel e atua há mais de 20 anos no setor sementes.
Marcelo Batistela – Vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da Basf do Brasil.
Mato Grosso
Governador Otaviano Pivetta mantém cronograma e reforça avanço das escolas cívico-militares em Mato Grosso

O governador Otaviano Pivetta anunciou, nesta quinta-feira (9.4), a manutenção do cronograma de transformação de escolas regulares no modelo de gestão cívico-militar em Mato Grosso. Nesta última etapa prevista para 2026, 16 unidades da Rede Estadual passarão por consultas públicas, em um processo que busca ampliar ainda mais a presença de um formato de gestão que vem ganhando adesão e apoio das comunidades escolares em diferentes regiões do Estado.
Segundo o governador, o avanço do modelo reflete não apenas uma decisão administrativa do Estado, mas também uma demanda que tem partido das próprias famílias, estudantes e profissionais da educação, que reconhecem nas escolas cívico-militares um ambiente mais organizado, seguro e favorável à aprendizagem.
“Esse é um modelo que vem dando resultados, fortalecendo o ambiente escolar e atendendo a uma reivindicação legítima da comunidade. Em muitos municípios, são os próprios pais e profissionais da educação que pedem a transformação, porque reconhecem os ganhos na organização, na disciplina e no processo de ensino e aprendizagem”, explica Otaviano Pivetta.
As votações serão realizadas sempre das 7h às 19h. Nos dias 13 e 14 de abril, participarão da consulta as escolas estaduais Nilza de Oliveira Pipino, em Sinop; Nova União, em Nova Canaã do Norte; João Ribeiro Vilela, em Primavera do Leste; Osmair Pinheiro da Silva, em Nova Maringá; Rui Barbosa, em Nova Mutum; Prefeito Artur Ramos, em Jaciara; Doutor Estevão Alves Correa, em Cuiabá; 13 de Maio, em Tangará da Serra; e Professor Muralha de Miranda, em Nova Marilândia.
Já nos dias 15 e 16 de abril, novas consultas serão realizadas nas escolas estaduais Cândido Portinari, em Tapurah; Francisco Saldanha Neto, em Tabaporã; João Paulo II, em Itaúba; Mário Schabatt Souza, em Lucas do Rio Verde; Paulo Freire, em Marcelândia; André Antônio Maggi, em Colíder; e Jayme Veríssimo de Campos Júnior, em Alta Floresta.
Otaviano Pivetta destacou que o processo será conduzido com transparência e participação direta da comunidade escolar, que poderá votar entre as opções “Aprovo” e “Não aprovo”. A expectativa do governo é consolidar mais uma etapa importante da política educacional adotada no Estado.
“Nosso compromisso é cumprir o cronograma com transparência, responsabilidade e respeito à vontade da comunidade escolar. A consulta pública garante esse direito de participação e fortalece uma política que já mostrou resultados concretos em Mato Grosso”, completa o governador.
De acordo com ele, a meta inicial era alcançar 205 escolas no modelo cívico-militar, número que já foi superado, com 208 unidades. Com a realização das novas consultas públicas, a Rede poderá chegar a 224 escolas com esse formato de gestão, ampliando uma experiência que vem se consolidando em diversas regiões do Estado.
O modelo cívico-militar não altera o currículo escolar nem interfere na proposta pedagógica das unidades. A condução pedagógica permanece sob responsabilidade de diretores, coordenadores e professores da Rede Estadual, seguindo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.
Segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), as mudanças concentram-se nas áreas administrativa e disciplinar, com a atuação de militares da reserva no apoio à organização do ambiente escolar, no controle de acesso, na promoção de atividades cívicas e no fortalecimento de valores como disciplina, respeito e hierarquia.
Para o governador, a expansão do modelo representa a continuidade de uma política pública que combina participação da comunidade, reforço na gestão e foco em resultados. A avaliação do governo é que a experiência bem-sucedida das unidades já convertidas tem impulsionado novas adesões e consolidado o formato como referência na educação pública estadual.
“Quando a comunidade percebe que a escola melhora o ambiente, fortalece a convivência e cria melhores condições para ensinar e aprender, ela passa a defender esse modelo. É isso que estamos vendo em Mato Grosso, com uma política que nasceu para fortalecer a educação e que hoje encontra respaldo crescente da população”, concluiu Otaviano Pivetta.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Corpo de Bombeiros combate incêndio em carro de passeio em via pública

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combateu, na manhã desta quinta-feira (9.4), um incêndio em um carro de passeio no bairro Bela Vista, no município de Poxoréu (a 263 km de Cuiabá).
A 6ª Companhia Independente Bombeiro Militar (6ª CIBM) foi acionada via 193 por volta das 07h15. Ao chegar, a equipe se deparou com uma picape em chamas na via pública.
De imediato, os bombeiros iniciaram a ação de combate ao fogo, sendo necessário o uso de cerca de 500 litros de água para conter o incêndio.
Após a extinção das chamas, a equipe da 6ª CIBM realizou o rescaldo para eliminar possíveis focos remanescentes. Não houve registro de vítimas.
Fonte: Governo MT – MT
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