Mato Grosso
Reforma administrativa mantém competências da CGE
A reforma administrativa do Poder Executivo de Mato Grosso, publicada no Diário Oficial que circula nesta terça-feira (29.01), mantém as competências da Controladoria Geral do Estado (CGE-MT), inclusive de órgão central de Corregedoria para investigação da conduta de servidores e fornecedores em eventuais ilícitos administrativos.
A reorganização trazida pela Lei Complementar n. 612/2019 confirma as atribuições da CGE-MT nas atividades de Ouvidoria, Auditoria, Controle e Corregedoria, numa execução articulada entre elas, conforme definição da Lei Complementar 550/2014, que transformou a Auditoria Geral do Estado (AGE) em CGE.
O modelo de atuação segue diretriz do Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci), nos moldes de como está organizada e funciona a Controladoria Geral da União (CGU) e pelo menos outros 16 órgãos de controle interno dos estados.
O secretário-controlador geral do Estado, Emerson Hideki Hayashida, explica que o objetivo da sistemática de trabalho é fortalecer o sistema de controle interno, aperfeiçoar a conduta do servidor estadual, ampliar os níveis de transparência e fomentar o controle social para melhorar a qualidade do serviço público.
“Este formato de atuação resultou, por exemplo, em ao menos R$ 1,2 bilhão de economia aos cofres estaduais nos últimos quatro anos, por meio de 5.933 trabalhos de controle interno e de auditoria executados pela CGE no Governo de Mato Grosso”, afirma o titular da Controladoria.
Lei Anticorrupção
Como desdobramento da atuação da CGE na área de Corregedoria, foram recuperados R$ 1,7 bilhão desviados por empresas envolvidas em ilícitos capitulados na Lei de Licitações e na Lei Anticorrupção. A maioria desse montante foi recuperada em conjunto com órgãos que integram o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira).
Os R$ 1,7 bilhão foram ressarcidos aos cofres públicos mediante a entrega de políticas públicas, nas especificações e prazos definidos pelos órgãos estaduais, como a construção do Centro de Reabilitação Dom Aquino Corrêa (Cridac), da Companhia de Atendimento a Emergências com Produtos Perigosos do Corpo de Bombeiros e da escola estadual de Barão de Melgaço.
Trabalho da Corregedoria
A CGE e as Unidades Setoriais de Correição analisaram 3.382 notícias de supostas irregularidades praticadas por servidores públicos estaduais e empresas contratadas. De fato, foram instaurados ao menos 1.152 procedimentos administrativos e concluídos 675 no período de 2015 a 2018.
A consolidação da estrutura de Corregedoria do Poder Executivo Estadual, sob a coordenação da CGE, resultou ainda na redução a quase zero das nulidades administrativas e judiciais por defeitos processuais.
“O papel da CGE enquanto responsável pela coordenação, orientação e execução do processo correcional é que seja aplicada a legislação disciplinar tanto para que não haja impunidade e seja garantida a prestação do serviço público com qualidade, quanto para que o servidor público tenha direito e acesso ao devido processo legal”, explica a secretário-controlador.
Melhor estruturação
O processo de estruturação do sistema de correição começou em 2011, quando a então AGE passou a responder pela coordenação das atividades de Corregedoria, seguindo diretriz do Conaci. Mas a estruturação do sistema tomou corpo mesmo após a transformação da AGE em CGE, em novembro de 2014.
A estruturação envolveu a organização das comissões setoriais dos órgãos, o desenvolvimento de técnicas e fluxos dos processos, a padronização de procedimentos, o acompanhamento dos prazos processuais, a emissão de orientações técnicas, a capacitação dos servidores atuantes nas unidades setoriais etc. Tudo com o propósito de contribuir para a celeridade e qualidade dos julgamentos, evitando vícios que possam resultar em nulidades processuais.
A estruturação do sistema de correição envolveu também a melhoria da estrutura física e instrumental de trabalho. Isso porque o novo prédio da CGE passou a contar com salas para acomodar de forma adequada algumas Setoriais de Correição.
Já estão instaladas no novo prédio as Unidades Setoriais de Correição da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e da Secretaria de Educação (Seduc). A intenção é acomodar na sede da Controladoria as Setoriais com maior volume e complexidade de processos.
“Isso porque o novo prédio da CGE conta com sete salas para oitivas e equipamentos para realização de audiências por videoconferência. A Controladoria também adquiriu um software para gravação audiovisual de oitivas, o que permite a otimização das audiências com qualidade da prova oral e transparência”, argumenta o secretário-controlador.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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