Agro News
Safra avança, mas agro enfrenta pressão de tarifas, clima e risco geopolítico
A colheita de grãos acelera no campo e confirma o potencial produtivo da safra 2025/26, mas o ambiente externo e climático impõe um grau adicional de incerteza ao agronegócio brasileiro neste início de ano.
Segundo o Instituto Mato‑Grossense de Economia Agropecuária (Imea), até 27 de fevereiro de 2026 a colheita de soja em Mato Grosso já atingiu 78,34% da área plantada, com avanço semanal de mais de 12 pontos porcentuais — ritmo acima da média histórica na data, mas inferior ao observado no mesmo período do ano passado. Na mesma região, o plantio de milho de segunda safra chegou a 81,93% da área prevista.
Para o conjunto do Brasil, levantamentos privados apontam que a colheita da soja atingia cerca de 39% da área nacional, ritmo que se mantém um dos mais lentos dos últimos cinco anos, em parte devido às chuvas que dificultam os trabalhos no Centro-Oeste e outras regiões produtoras.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mantém a estimativa de 353,4 milhões de toneladas para o total de grãos, alta de 0,3% sobre o ciclo passado e novo recorde. O número consolida o Brasil como principal fornecedor global de soja e um dos maiores exportadores de milho e proteína animal.
“O campo está entregando produtividade. A safra se confirma forte, mesmo com desafios pontuais de clima. O problema hoje não é capacidade de produzir, é administrar risco”, afirma Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Feagro-MT).
No front externo, a decisão do governo norte-americano de aplicar tarifa global de 10% sobre produtos não cobertos por isenção adiciona um novo componente à equação comercial. Para o agro brasileiro, ficaram isentos itens estratégicos como carne bovina, laranja, suco de laranja e fertilizantes.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 46% dos produtos brasileiros seguem isentos, enquanto 25% passam a ser taxados em 10% e 29% mantêm as tarifas anteriores.
Para Rezende, o efeito prático dependerá da reação dos importadores e da dinâmica cambial. “O Brasil mantém competitividade em diversas cadeias, mas qualquer alteração tarifária muda a conta de margem. O produtor hoje opera com custo elevado e não tem muito espaço para absorver aumento indireto de carga”.
No campo climático, fevereiro foi marcado por chuvas intensas que devem se estender até o fim do verão. Cidades como Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, registraram deslizamentos de terra. No hemisfério norte, nevascas históricas atingiram Nova York, reforçando o padrão de extremos meteorológicos.
A instabilidade aumenta o risco sobre logística, armazenagem e qualidade da produção. “A variabilidade climática virou variável permanente. Não se trata mais de exceção, mas de gestão contínua de risco”, diz o dirigente.
Ao mesmo tempo, o Brasil amplia frentes comerciais. O avanço do acordo Mercosul–União Europeia e a abertura do mercado chinês para o sorgo brasileiro sinalizam diversificação de destinos. No primeiro bimestre de 2026, 42 novas plantas frigoríficas foram habilitadas para exportação, incluindo mercados de alta exigência técnica, como Japão e Coreia do Sul.
O cenário geopolítico, porém, adiciona imprevisibilidade. A escalada da guerra envolvendo o Irã pode afetar diretamente o agronegócio brasileiro, tanto pelo lado das exportações quanto pelo custo de produção.
Entre os possíveis impactos estão:
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Alta do petróleo, com reflexo sobre fretes e insumos, mas efeito positivo potencial para etanol e açúcar;
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Pressão sobre fertilizantes, já que o Irã é fornecedor relevante;
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Oscilações cambiais, com influência direta na formação de preços;
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Risco logístico, com eventual encarecimento de transporte marítimo e aéreo.
“O agro brasileiro é resiliente, mas está inserido em um tabuleiro global cada vez mais instável. Produzir bem já não basta. É preciso estratégia comercial, gestão financeira e leitura geopolítica”, afirma Rezende.
Com safra robusta e mercados em expansão, o setor inicia 2026 com fundamentos sólidos. Mas o ambiente internacional e climático reforça que a previsibilidade — seja comercial, regulatória ou geopolítica — tornou-se tão estratégica quanto a própria produtividade no campo.
Fonte: Pensar Agro
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Fundação Mato Grosso anuncia novos eventos para algodão e milho
Para o segundo semestre deste ano serão realizados encontros técnicos abrangendo as culturas do algodão e milho, além de um dia de campo, em junho, voltado exclusivamente para o algodão

Após três dias de uma intensa programação e difusão de informação, o 26º Encontro Técnico de Soja da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), evento ocorrido em Cuiabá, se posiciona mais uma vez na vanguarda como o primeiro canal de validação para os produtores rurais e todo mercado, reunindo toda a cadeia produtiva de grãos, trazendo inovação em diferentes áreas de conhecimento e fortalecendo vínculos com o ecossistema da cadeia sojicultura.
Para o Head Corporativo e Comercial da Fundação Mato Grosso, Flávio Garcia, o 26º Encontro Técnico de Soja superou mais uma vez todas as expectativas de entrega ao público e na difusão de conhecimento por meio dos painéis e de networks aos produtores participantes e entre os principais players técnicos e gestores do agronegócio.
“O tema ‘Cada grão importa’, resume bem a realidade atual em tempos de margens muito apertadas, onde o produtor precisa cada vez mais estar com todo o posicionamento técnico-científico em mãos para a melhor tomada de decisão. O que nós da Fundação Mato Grosso entregamos são dados validados por nossa área de pesquisa com referência, posicionamento, qualidade e inovações no que há de melhor no mercado e para que o produtor tenha todas essas ferramentas em mãos para aplicar, seja na área de entomologia, fitopatologia, nas escolhas de cultivares, na genética, como na questão dos nematóides, matologia , mecanização e na área de solos buscando sempre a maior eficiência e resultado. No ponto de vista estratégico, a Fundação Mato Grosso por meio do seu Conselho Curador, se reuniu com várias das maiores companhias agrícolas parceiras e desenvolvedoras de P & D em um Lounge Business, visando alinhamentos na busca da perenidade, confiança, credibilidade e imparcialidade na entrega e posicionamento para o produtor. Além do fortalecimento de relacionamento, para que nós da Fundação MT sempre estejamos em “primeira mão” apresentando essas soluções inovadoras ao mercado”, destacou Garcia.
Assim que ocorreu o fechamento do Encontro Técnico de Soja, que contou com a participação de 300 pessoas nos dois dias de evento e 150 participantes de forma on-line, a Fundação Mato Grosso já anunciou mais dois grandes encontros para o segundo semestre deste ano, desta vez abrangendo as culturas do algodão e milho, nos meses de agosto e novembro respectivamente. Além de um dia de campo, nos dias 10 e 11 de junho, voltado exclusivamente para o algodão, trará para os participantes uma prévia dos resultados em campo da estação da Fundação Mato Grosso, na Fazenda Tucunaré, do Grupo Amaggi, em Sapezal.
Para o gerente de Pesquisas Serviços e Operações da Fundação Mato Grosso, Luís Carlos de Oliveira, na área técnica-científica, a atual edição do Encontro Técnico de Soja, cumpriu o seu papel, com informação de qualidade e com a validação de muitas horas de pesquisas em painéis técnicos em paralelo estudos de campo, que trazem um cenário abrangente, em assunto sensíveis como o caruru e a mosca-branca, para que produtor possa tomar a melhor decisão no dia a dia de operação na fazenda. “Em resumo para nós, o encontro cumpriu o papel dele nestes 26 anos que é levar informação confiável para o produtor, então estamos cumprindo a nossa missão é a nossa satisfação maior é o legado que nós estamos deixando que foi o Encontro Técnico de Soja”, apontou o gerente.
Sobre a FMT:
A Fundação MT é uma instituição privada sem fins lucrativos, referência nacional em pesquisa e difusão de tecnologias para o agronegócio. Com foco em culturas como soja, milho e algodão, atua no desenvolvimento de soluções que aumentam a produtividade e a sustentabilidade no campo, promovendo a integração entre pesquisa científica e aplicação prática junto aos produtores rurais.
Conta ainda com cinco estações de pesquisa distribuídas estrategicamente pelo estado de Mato Grosso, ampliando sua capacidade de geração e validação de tecnologias em diferentes condições de cultivo. Entre seus pilares institucionais, destaca-se a imparcialidade, garantindo credibilidade e isenção na geração e disseminação de informações técnicas.
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Crédito travado expõe falhas em regra ambiental e causa insegurança jurídica
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Mais etanol e vendas antecipadas mudam ritmo do mercado
O avanço das vendas antecipadas pelas usinas e a mudança no destino da cana-de-açúcar estão redesenhando o mercado na safra 2026/27, com impacto direto sobre exportações e preços. A expectativa é de queda de cerca de 14,2% nos embarques brasileiros de açúcar, à medida que cresce o direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol.
Em março, o Brasil exportou 1,808 milhão de toneladas de açúcar, volume 1,42% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. A receita somou aproximadamente R$ 3,39 bilhões (US$ 657,57 milhões convertidos a R$ 5,15), recuo de 24,7% na comparação anual, refletindo preços internacionais mais baixos.
Apesar da retração no mês, o acumulado do primeiro trimestre ainda indica crescimento em volume. Entre janeiro e março, os embarques alcançaram 6,04 milhões de toneladas, alta de 5,78% sobre igual período de 2025. A receita, por outro lado, caiu 19,6%, evidenciando a pressão sobre os preços médios.
No campo, a principal mudança está no mix de produção. A moagem no Centro-Sul deve variar entre 625 milhões e 635 milhões de toneladas, com maior participação do etanol. A parcela da cana destinada ao açúcar tende a cair para 48,8%, abaixo dos 50,7% do ciclo anterior, em resposta direta aos preços mais elevados dos combustíveis.
Esse ajuste ocorre em um cenário de possível déficit global estimado em 2,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, o que, em tese, sustentaria as cotações internacionais. No entanto, o comportamento das usinas tem atuado como fator de contenção no curto prazo.
Levantamento da StoneX indica que as fixações de açúcar no Centro-Sul avançaram de 41,8% para 59,5% ao longo de março. A diferença em relação ao mesmo período do ciclo anterior, que já foi de 20 pontos percentuais, recuou para cerca de 10 pontos.
Na prática, esse movimento reduz a pressão de venda que vinha travando altas mais consistentes. Com menos volume disponível para negociação imediata, o mercado passa a operar em um ambiente mais equilibrado, com menor resistência a eventuais valorizações.
No cenário internacional, os preços do açúcar registraram ganhos moderados em março, influenciados por fatores financeiros e geopolíticos, como a redução de posições vendidas por fundos em meio a tensões no Oriente Médio.
Para o produtor, o foco permanece na gestão do mix entre açúcar e etanol, que segue diretamente ligado ao comportamento do petróleo. A combinação entre custos, preços internacionais e demanda por combustíveis deve definir o rumo das margens ao longo da safra.
Fonte: Pensar Agro
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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), 




