Mato Grosso
Seduc promove seminário para debater com gestores municipais exclusão e abandono escolar
A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) promoveu, nesta segunda e terça-feira (16 e 17.05) o Seminário Estadual da Busca Ativa Escolar (BAE), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime-MT). O objetivo do evento é apoiar gestores municipais para trazer de volta crianças e adolescentes que estão fora da sala de aula.
O seminário ocorreu no auditório da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), em Cuiabá, e reuniu gestores de todos os municípios envolvidos com o Busca Ativa Escolar, estratégia composta por uma metodologia social e uma ferramenta tecnológica, criada pelo Unicef e Undime, e disponibilizadas gratuitamente para todos os municípios do país.
O secretário de Estado Educação, Alan Porto, reforçou a importância de os gestores educacionais operacionalizarem a plataforma com alimentação de dados, pois somente assim será possível entender a realidade vivida nos municípios e criar as políticas públicas necessárias para mudar o quadro da evasão. A plataforma serve como um grande banco de dados que permite a comunicação entre diferentes áreas, armazenando dados sobre cada caso que passa a ser acompanhado.
“Além do esforço de todos para encontrar essas crianças e adolescentes, é preciso garantir o acesso das informações na plataforma. Elas vão muito além de colocar o estudante em sala. É urgente atuarmos para atender aos três pilares, garantir o acesso, mas também a permanência e o aprendizado desses estudantes. Tudo com muita dignidade”, ressaltou Alan Porto.
Esta proposta de busca ativa se difere das outras existentes, pois não procura apenas colocar as crianças na escola. Para mudar a situação, se propõe a descobrir o motivo pelo qual elas saíram ou abandonaram a sala de aula.
Ação que requer uma articulação intersetorial, pois vai além de olhar os direitos educacionais dos jovens, envolvendo também a saúde, assistência social, conselhos tutelares, além de outros serviços da rede para atender crianças e, na maioria das vezes, suas famílias.
Apesar de 93% dos municípios mato-grossenses terem aderido ao projeto, 58 cidades estão inativas, ou seja, não estão utilizando a plataforma BAE. O esforço agora é para que todos os municípios participem do processo e, que os inativos passem a alimentar a plataforma.
Nesta terça-feira, foi realizada uma capacitação para garantir a melhor operacionalização de dados e também uma troca de experiências para que a busca seja de fato realizada e efetiva.
Participam também da união de esforços a Associação para Desenvolvimento Social dos Municípios (APDM-MT), o Instituto Peabiru e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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