Mato Grosso
Sejudh tem 120 dias para organizar atendimento médico para população carcerária
| Assunto: Tomada de Contas Interessado Principal: Prefeitura Municipal de Varzea Grande |
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| LUIZ HENRIQUE LIMA CONSELHEIRO INTERINO |
DETALHES DO PROCESSO |
| INTEIRO TEOR |
| VOTO DO RELATOR |
| ASSISTA AO JULGAMENTO |
O gestor da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) tem 120 dias para apresentar uma escala de atendimento de saúde, com regime de plantão, para atendimento de saúde à população carcerária de Mato Grosso. Para isso poderá fazer alterações, se necessárias, nos contratos temporários e na regulamentação da carreira do sistema penitenciário na área de saúde. A determinação é do Pleno do Tribunal de Contas de Mato Grosso, que na sessão extraordinária do dia 19 de dezembro julgou Tomada de Contas Especial que apurou irregularidades no pagamento de remuneração integral ao médico contratado pela Sejudh, Elber Rocha Figueiredo de Arruda.
A Tomada de Contas Especial (Processo nº 173622/2016) foi relatada pelo conselheiro interino Luiz Henrique Lima e foi instaurada pela Sejudh por determinação do TCE em 2015 (Julgamento Singular nº 1437/LHL/2015). A decisão condenou o servidor Elber Rocha Figueiredo ao pagamento de multa de 20 UPFs em razão do acúmulo ilegal de três cargos públicos, com determinação de instauração de Tomada de Contas Especial para apuração das irregularidades.
Na Tomada de Contas Especial foi demonstrado que os médicos lotados na Penitenciária Central do Estado não cumpriam a carga horária de 30 horas semanais, mas apenas de cinco horas, trabalhadas meio período duas vezes na semana. Diante disso, foi sugerido que fosse determinada a restituição de valores ao erário do montante de R$ 132.039,09.
“Ressalto que na Tomada de Contas Especial foi admitida na própria defesa do médico que a carga horária não era cumprida. Por outro lado, o regime de trabalho do referido médico não era diferenciado dos demais. Pelo contrário, os autos indicam que todos os médicos que prestavam atendimento no citado estabelecimento prisional cumpriam carga horária reduzida, prevista em escala de atendimento sob a responsabilidade da Diretoria de Saúde do Sistema Penitenciário”, comentou o relator em seu voto.
Luiz Henrique pontuou ainda que Elber Rocha Figueiredo de Arruda afirmou que desde o processo seletivo realizado pela Sejudh-MT, era de conhecimento dos médicos que a carga horária de trabalho seria de dois períodos na semana, para que houvesse interessados em prestar atendimento na unidade penal. Assim, o relator apresentou seu voto pela irregularidade da Tomada de Contas Especial, mas com o afastamento da proposta de ressarcimento.
No prazo de 120 dias a Sejudh-MT deverá cientificar os médicos efetivos e contratados, responsáveis pelo atendimento à população carcerária, quanto ao cumprimento da carga horária prevista no plano de cargos, carreiras e salários, ou nos contratos temporários, sob pena de redução proporcional da remuneração paga mensalmente e da apuração da responsabilidade via processo disciplinar, sem prejuízo das sanções previstas legalmente.
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Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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