Mato Grosso
Sema embarga loteamento ilegal em área de floresta em Aripuanã
A equipe de fiscalização de Flora da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) flagrou um loteamento ilegal em área rural de floresta na região de Aripuanã. A ação, realizada durante a Operação Saúva, foi uma parceria entre a Sema e a Polícia Militar. O responsável pelo loteamento foi autuado no valor de R$ 15 milhões. O nome da operação é uma alusão as formigas-cortadeiras.
Foi constatado desmatamento a corte raso em 1.762 hectares de área de floresta no bioma amazônico, considerado de especial preservação. Toda a área de implantação do loteamento, equivalente a 7.361 hectares foi embargada pela equipe de fiscalização durante a operação.
O responsável pelo loteamento, que se identificou como proprietário da área, foi autuado durante a operação em R$ 5 milhões por desmate em Área de Preservação Permanente e por implantar empreendimento, no caso um loteamento, sem licença ambiental.
Posteriormente, ele recebeu outra autuação por crimes ambientais, no valor de R$ 10 milhões, que envolveu o desmate total da área e o descumprimento de embargo, que ficou comprovado por imagem de satélite.
Ele também foi conduzido à Delegacia de Polícia de Aripuanã por se tratar de crime ambiental de instalar loteamento rural em área de floresta sem licença de órgão ambiental competente e por destruir Área de Preservação Permanente.
A operação foi deflagrada no Distrito de Conselvan no final do mês de julho e teve participação conjunta da Coordenadoria de Fiscalização de Flora a Força Tática do 2º Comando Regional de Várzea Grande e 3º Batalhão de Polícia Militar PM.
O loteamento ilegal é visto como incentivo ao desmatamento, considerando que, por se tratar de área de “grilo”, não tem a documentação exigida para a solicitação de desmate autorizado. Os pequenos agricultores que compram o lote realizam desmatamento ilegal, inclusive atingindo áreas de Proteção Permanente com objetivo de desenvolver a agricultura e pecuária.
Prevenção ao desmatamento
Com a intenção de coibir o desmatamento e agir logo que ele começa, a Sema passou a utilizar neste mês de agosto a Plataforma de Monitoramento com Imagens Satélite Planet, um sistema de detecção em tempo real de alta resolução espacial de 3 metros que cobre todo o território do estado e permite um monitoramento ambiental preventivo.
A partir do monitoramento diário com imagens e alertas semanais de desmatamento, o serviço de fiscalização poderá identificar a ação no início, resultando em maior eficiência no combate ao desmatamento ilegal e beneficiando, consequentemente, quem produz de forma lícita.
O sistema permite detectar desmates de até um hectare e o monitoramento diário possibilita identificar rapidamente os desmatamentos que estão se iniciando nos três biomas – Amazônia, Cerrado e Pantanal – de forma a atuar imediatamente no seu combate.
A geração de laudos automatizados dará celeridade ao processo e otimizará o tempo dos técnicos, permitindo realizar mais fiscalização de campo para análise dos alertas gerados. A ação trará resposta rápida na autuação administrativa, responsabilização criminal e obrigação de reparar o dano.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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