Mato Grosso
Setasc lança campanha de arrecadação para Fundo da Infância e Adolescência
Com o lema “Faça sua declaração de amor”, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente (Cedca-MT) lançaram na manhã desta segunda-feira (25.02) a campanha estadual de arrecadação de recursos do imposto de renda 2019 para o Fundo da Infância e Adolescência (FIA).
O evento teve como objetivo incentivar e esclarecer dúvidas sobre o procedimento das doações que viabilizarão as ações do Fundo. A presidente do Cedca, Lindacir Rocha Bernardon, que participou da solenidade de abertura, agradeceu as parcerias e ressaltou a importância da iniciativa para o fortalecimento da campanha.
“Nós precisamos de uma campanha forte. O que nós percebemos é que no ano passado 97 munícipios estavam aptos a receber a arrecadação e que Cuiabá foi o município que mais arrecadou, mas os dados também mostram que apenas 197 pessoas da capital participaram da campanha. Precisamos conscientizar a sociedade na contribuição para mudar a realidade das crianças e adolescentes mato-grossenses”, disse.
A secretária de Estado de Assistência Social e Cidadania, Rosamaria Carvalho, reforçou a necessidade da união de todos e o apoio aos fundos municipais. “Precisamos da ajuda de todos, junto aos contadores. É dever do Estado proteger a infância e adolescência e as questões que acabam afetando este público. Arrecadar para o fundo é uma maneira de garantir que este público esteja protegido”, salientou.
Para o presidente do Conselho Regional de Contabilidade, Manoel Lourenço de Amorim Silva, a participação do profissional de contabilidade é essencial na divulgação da campanha e para esclarecimento da sociedade.
“Esse é momento de conclamar a todos os profissionais de contabilidade do Estado, que levem essa informação, porque são muitos projetos que são aprovados e não são executados por falta de dinheiro. As pessoas precisam saber que na hora que for realizar a sua declaração elas podem destinar uma porcentagem para seu município, para custear todos esses projetos”, finalizou.
Ainda estiveram presentes as presidentes da Associação para Desenvolvimento dos Municípios de Mato Grosso (APDM), Tayane Castro; da Comissão da Infância e Juventude da Ordem dos Advogados e Conselheira do Cedca, Tatiane Barros Ramalho; o secretário municipal de Primavera do Leste, Eraldo Fortes; e a presidente da Comissão do Fundo da Infância, Tatiane Maria dos Santos da Silva.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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