Mato Grosso
TCE mantém Plano de Demissão Voluntária da MTI e processos serão retomados
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE) decidiu, durante julgamento nesta terça-feira (21.05), manter o Plano de Demissão Voluntária (PDV) dos empregados públicos da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI). Com isso, todos os processos que estavam suspensos serão retomados.
Em julgamento do pleno do TCE, a maioria dos conselheiros decidiu não homologar a decisão singular da conselheira interina Jaqueline Jacobsen, que havia suspendido o PDV. Na ocasião da decisão, 176 empregados haviam aderido ao plano de demissão e 68 já haviam saído da empresa nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano.
No recurso de agravo, a MTI apontou inúmeros benefícios financeiros ao adotar o PDV e a importância de considerar a vantajosidade do plano de incentivo à demissão, em detrimento de eventuais demissões sem justa causa. Segundo o estudo apresentado pela MTI referente aos 176 empregados que haviam aderido ao plano, o PDV custaria em torno de R$ 107 milhões, de 2019 a 2022, enquanto as demissões imediatas totalizariam R$ 118 milhões.
O conselheiro interino Luiz Henrique Lima, que havia pedido vista do recurso em sessão anterior, reconheceu a necessidade do plano quanto à economicidade dos recursos públicos, se comparado ao custo da permanência dos empregados públicos.
“Por esses cálculos chegou-se ao valor de R$ 107 milhões para o PDV e R$ 118 milhões para a rescisão motivada, ou seja, rebatendo o argumento inicial de que a demissão motivada seria mais vantajosa que o PDV nas atuais condições. Esse estudo corrobora a conclusão a que eu havia chegado.”, disse o conselheiro Luís Henrique.
Já a conselheira Jaqueline Jacobsen afirmou que, após análises dos novos dos documentos e estudos apresentados pela MTI, ficou “evidente” a vantajosidade do plano de demissão. “Está resultando em uma diferença vantajosa de mais de R$ 10 milhões. Esse estudo foi apresentado para nós e conseguimos analisar e entender que esse estudo supre a falha e a nossa grande dúvida, de que o Estado estaria tendo um custo maior do que se fossem feitas as demissões escalonadas, e isso ficou provado que não”, disse a conselheira.
Para o diretor-presidente da MTI, Kleber Geraldino, a decisão de retomar o PDV é positiva não apenas para a viabilidade econômica e financeira da empresa, mas também porque resguarda o compromisso estabelecido com os empregados que aderiram ao plano de demissão.
“O próximo passo é comunicar os servidores e publicar a portaria para retomar todos os processos. A prioridade será aqueles que já haviam saído e tiveram que retornar em razão da decisão do TCE, já que eles tiveram um papel importante não apenas durante os anos em que trabalharam na MTI, como também neste momento em que a empresa vira uma página de sua história”, encerrou.
O secretário de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Basílio Bezerra, elogiou a decisão do TCE e disse que o PDV é uma das formas mais estruturantes de reforma administrativa, pois gera benefícios para os dois lados. “De um lado tem as motivações pessoais de cada servidor e, do outro, a necessidade da administração pública de otimizar recursos. Além disso, há um aspecto social, pois muitos desses empregados já deram sua contribuição ao Estado e agora almejam outros caminhos“, finalizou.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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