Mato Grosso
Pesquisa da Empaer auxilia pecuarista na escolha do plantio e evita impactos ambientais
O pecuarista Joarez Vilas Boas, proprietário de uma área de 658 hectares, localizada no município de Santo Antônio do Leverger (34 km ao Sul de Cuiabá), solicitou da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) um levantamento de solos da sua propriedade para verificar a capacidade do uso agrícola, como por exemplo, realizar o plantio de culturas anuais como soja, milho em integração com pasto.
O Doutor em Agricultura Tropical e pesquisador da Empaer, Fabricio Tomaz Ramos, fala que esse trabalho é inédito no Estado e pretende auxiliar produtores rurais na definição de cultivos e criações em suas terras evitando impactos ambientais, sociais e econômicos.
Com a criação de gado de corte, o pecuarista e também cirurgião dentista, possui a fazenda há mais de 18 anos. Ele tem a intenção de diversificar o plantio para soja, milho e pasto, caso a pesquisa confirme a aptidão para cultivos anuais. Antes de fazer o investimento quer saber se a escolha das culturas é compatível com o solo existente na sua área.
O trabalho de pesquisa mostra que a terra deve ser usada em função da sua capacidade de uso adequada, que pressupõe a disposição apropriada de florestas ou reservas, cultivos perenes, cultivos anuais, pastagens e etc.
Com um plantel de 270 cabeças de gado nelore, o pecuarista utiliza técnicas do bem-estar animal que garante o acesso dos animais a comida, água fresca, manejo adequado e outros. Da mesma forma, quer utilizar da tecnologia para realizar cultivos anuais.
“A intenção é verificar quais culturas podemos cultivar e quais não devemos. Quero verificar de forma científica o que posso produzir, que seja viável para o solo e para a manutenção da fazenda”, salienta.
De acordo com Fabrício, essa metodologia é muito útil para planejar o uso agropecuário e garantir a conservação do solo e dos recursos hídricos, pois garantirá que os solos sejam usados de acordo com a sua máxima capacidade sem degradá-los. A pesquisa vai descobrir o potencial das terras e a metodologia poderá ser aplicada em qualquer propriedade rural, independente do seu tamanho.
Usar a terra conforme sua capacidade e aptidão agropecuária específica, segundo o pesquisador, é a primeira estratégia para contribuir com uma agricultura sustentável e conservacionista do meio ambiente. Esse é um trabalho piloto executado pela área de pesquisa e extensão rural da Empaer, que considera dados de solo, clima, vegetação, entre outros.
O trabalho conta com a parceria do engenheiro agrônomo da Empaer, Osmar de Assis Alves e do engenheiro florestal e mestrando da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Hector Lopes de Oliveira.
De acordo com Ramos, já foram coletadas mais de 100 amostras de solo e encaminhadas para o laboratório. A previsão é que em março de 2020, o pecuarista tenha os resultados. O trabalho de campo e análises laboratoriais vão levar 90 dias para a conclusão. A intenção da equipe é aplicar essa metodologia de forma participativa para outros produtores interessados. “Nosso trabalho tem a finalidade de contribuir com a agricultura de Mato Grosso”, enfatiza.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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