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A morte da Preta Gil acendeu o alerta: você sabe o que é o câncer colorretal?

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Dra. Manoela Regina Alves Corrêa Barros

Infelizmente, o falecimento da cantora Preta Gil, que lutava contra um câncer colorretal, ganhou a mídia nos últimos dias e trouxe o questionamento: você sabe o que é o câncer colorretal, os seus sintomas e as formas de prevenção? Ao contrário do que muitas pessoas acham, esse câncer é mais comum do que se imagina.

Globalmente, cerca de 1,9 milhão de novos casos são diagnosticados por ano, com mais de 900 mil mortes atribuídas à doença anualmente. É o 3º tipo mais comum e é a 2ª causa de morte por câncer no mundo. No Brasil, o câncer colorretal ocupa posição de destaque entre os tipos mais comuns, especialmente ao lado de mama e próstata na mortalidade e incidência.

Apesar da grande incidência, e por ter acometido outras personalidades como o Pelé e o ator de Pantera Negra Chadwick Boseman, o câncer colorretal ainda é pouco divulgado se comparado a outras campanhas, como o Outubro Rosa e Novembro Azul. Esse fato é entristecedor, porque o câncer que afeta o intestino grosso, incluindo o cólon e o reto, é um dos que têm maior chance de prevenção e cura quando detectado precocemente.

Se muitas vidas podem ser salvas, por que ainda não falamos tanto do câncer colorretal? Há muitas prerrogativas que sustentam essa pouca mobilização, a meu ver. A começar que o câncer de mama e o de próstata têm movimentos internacionais consolidados que foram amplamente abraçados por governos, ONGs e empresas. O câncer colorretal não teve, até pouco tempo atrás, uma campanha de alcance mundial tão forte, embora o Março Azul (ou Março Azul-Marinho) esteja ganhando espaço.

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Outra questão é o estigma e tabu que circulam em questões relacionadas ao intestino e evacuação, que ainda provocam constrangimento. As pessoas têm vergonha de falar sobre os hábitos intestinais, o que reduz a mobilização social. O exame preventivo, que é a colonoscopia, é pouco divulgado e considerado desconfortável, o que afasta as pessoas do tema.

Sem contar que campanhas de mama e próstata usam símbolos fortes, como o laço rosa e azul, e abordam temas que envolvem autoestima, sexualidade e família. O câncer colorretal ainda não encontrou uma narrativa mobilizadora tão potente, apesar de ter alta incidência e grande potencial de prevenção. Outro ponto é que há menos histórias públicas de sobreviventes ou figuras famosas engajadas falando sobre o tema.

Apesar do pouco conhecimento da população, acredito que momentos tristes como esse servem para alertar as pessoas. Após a morte da cantora Preta Gil, por exemplo, o Hospital AC Camargo, em São Paulo, registrou aumento na busca por colonoscopias, exame fundamental para a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.

Então este artigo é mais uma forma de te “chacoalhar”! Atenção redobrada para você que tem idade acima de 50 anos (e até menos), tem uma alimentação rica em carnes processadas (linguiça, bacon, presunto) e carne vermelha em excesso, consome poucas fibras, frutas e vegetais, é obeso, sedentário, fuma, ingere muito álcool e tem histórico familiar de câncer colorretal ou doenças inflamatórias intestinais.

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Busque o médico imediatamente caso observe sangue nas fezes, alterações no hábito intestinal como diarreia ou constipação persistentes, dor ou desconforto abdominal frequente, perda de peso inexplicável, cansaço e anemia sem causa aparente. Esses sintomas podem estar no seu corpo já dando os sinais. Sintomas como sangue nas fezes ou alteração intestinal por mais de 4 semanas precisam de investigação médica imediata.

Saiba que prevenir ainda é o melhor remédio e a taxa de cura chega a 90% quando descoberto em estágios iniciais. Mantenha uma alimentação rica em fibras, reduza o consumo de carnes processadas, carnes vermelhas e álcool, não fume, pratique atividades físicas regularmente e faça os e exames de rastreamento a partir dos 45-50 anos, ou antes se houver histórico familiar. A colonoscopia é considerada fundamental para detectar e remover pólipos, que são pequenas lesões que podem evoluir para tumores malignos ao longo dos anos.

Aqui deixo outro alerta: muitas pessoas associam o câncer colorretal a uma doença de idosos, não percebendo que está crescendo em adultos jovens, inclusive abaixo dos 40 anos. Se você tiver alguns dos sintomas, incluindo fezes muito finas (em fita), fezes pretas, com sangue ou muco, procure JÁ o seu médico. Não espere os sinais, prevenir é sempre o caminho mais seguro.

Diretora Clínica e Radio-Oncologista do Hospital de Câncer de MT, Dra. Manoela Regina Alves Corrêa Barros

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Há vagas, há trabalhadores, mas por que eles não se encontram?

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Foto- Assessoria

 

Mato Grosso vive um paradoxo. De um lado, pessoas entregando currículos e esperando por uma oportunidade. Do outro, empresários afirmando que não conseguem encontrar profissionais preparados. Há gente querendo trabalhar e empresas precisando contratar. Então, por que essa conta não fecha?

O estado encerrou 2025 com taxa de desemprego de apenas 2,2%, a menor do país, e com o maior nível de ocupação do Brasil, de 66,7%. Ainda assim, milhares de pessoas continuam procurando espaço no mercado de trabalho.

Os dados do Sine ajudam a mostrar esse desencontro. Em 2025, foram ofertadas mais de 36 mil vagas em Mato Grosso, mas pouco mais de 11 mil trabalhadores foram efetivamente colocados. Isso não significa que todas as demais vagas tenham permanecido abertas, mas revela que anunciar uma oportunidade e concretizar uma contratação são coisas diferentes.

No campo, o problema é ainda mais evidente. Levantamento do Sistema Famato, elaborado pelo Imea em parceria com o Senar-MT mostra que 62,6% dos produtores enfrentam grande dificuldade para contratar e 69,2% apontam a falta de qualificação técnica como um dos principais obstáculos. A função mais demandada é a de operador de máquinas agrícolas, que exige domínio de equipamentos com tecnologias cada vez mais avançadas.

Parte do problema está na distância entre aquilo que os cursos oferecem e o que as empresas realmente precisam. Abrem-se turmas, entregam-se certificados, mas pouco se acompanha quantos alunos conseguiram emprego depois da formação. E certificado sem oportunidade não muda a vida de ninguém.

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Também seria injusto atribuir toda a responsabilidade ao trabalhador. Nem toda vaga difícil de preencher resulta da falta de qualificação. Pesam salários pouco atrativos, falta de transporte, distâncias e jornadas incompatíveis. Da mesma forma, as empresas não podem esperar que todo profissional chegue pronto. Quem contrata também precisa investir em treinamento interno e oferecer a primeira oportunidade.

A solução passa por aproximar empresas, poder público, Sine, Sistema S, institutos federais e escolas técnicas. Antes de abrir um curso, é preciso saber onde estão as vagas, quais habilidades são exigidas e quais empresas estão dispostas a contratar.

O sucesso de uma política de qualificação não deve ser medido apenas pelo número de matrículas ou certificados, mas por quantas pessoas conseguiram emprego e aumentaram a renda.

Mato Grosso não precisa apenas formar mais trabalhadores. Precisa formar melhor e conectar melhor. Quando os cursos responderem às necessidades reais, as vagas chegarem a quem procura trabalho e as empresas participarem da formação, essa conta finalmente começará a fechar.

*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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O agro no centro do mundo

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Por Paulo Lucion

Paulo Lucion é empresário

Quando o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) nasceu em São Paulo, ele surgiu com uma proposta ousada: aproximar o campo da cidade, conectar tecnologia, inovação, negócios, cultura e pessoas em torno de um dos setores mais importantes para o desenvolvimento econômico e social do planeta.

Agora, em 2026, damos um passo ainda maior. Pela primeira vez, o festival ultrapassa os limites da capital paulista e escolhe Sorriso para sediar uma edição do evento. E não poderia haver lugar mais simbólico para isso.

Sorriso não é apenas a Capital Nacional do Agronegócio. É uma cidade que representa aquilo que o agro brasileiro tem de mais forte: produtividade, tecnologia, empreendedorismo, sustentabilidade e capacidade de alimentar o mundo. Aqui, a produção acontece em larga escala, mas também se constrói conhecimento, inovação e desenvolvimento.

Receber o GAFFFF é um reconhecimento da importância que Mato Grosso conquistou no cenário nacional e internacional. Durante muitos anos, o Brasil discutiu o agro olhando para os grandes centros urbanos. Hoje, o mundo quer vir conhecer onde as coisas realmente acontecem.

Entre os dias 23 e 26 de julho, Sorriso será palco de debates sobre segurança alimentar, inovação, tecnologia, sustentabilidade, mercados globais e os desafios que definirão o futuro da produção de alimentos. Teremos mais de uma centena de palestrantes nacionais e internacionais, lideranças empresariais, produtores rurais, investidores, pesquisadores e especialistas compartilhando conhecimento e construindo conexões.

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Mas o GAFFFF vai além dos fóruns e painéis técnicos. O grande mérito do festival é mostrar que o agro não pertence apenas a quem produz. O agro está presente na mesa das famílias, na geração de empregos, na indústria, no comércio, na logística, na ciência e na cultura. Por isso, o evento une conteúdo, negócios, gastronomia, entretenimento e esporte em uma experiência que aproxima diferentes públicos.

A expectativa de receber milhares de visitantes durante os quatro dias do evento também representa uma oportunidade para hotéis, restaurantes, comércio, prestadores de serviço e para toda a cadeia econômica do município e da região.

O GAFFFF também é uma vitrine para mostrar ao Brasil e ao mundo a capacidade produtiva de Mato Grosso, a força do agronegócio brasileiro e o potencial de uma região que continua crescendo, inovando e liderando transformações.

Como presidente de honra desta edição, vejo a realização do festival em Sorriso como um marco histórico. Estamos trazendo para o coração do agro mundial um evento que discute o futuro da humanidade por meio da produção de alimentos. Uma ponte entre Mato Grosso e a Faria Lima, pois a outra edição do GAFFFF será nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque. A escolha das praças não é casual. Sorriso representa o centro da produção agrícola brasileira. São Paulo, por sua vez, concentra capital, grandes empresas, investidores e tomadores de decisão.

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O mundo estará olhando para Sorriso. E Sorriso está pronta para receber o mundo.

Paulo Lucion é empresário, presidente de Honra do GAFFFF Sorriso e CEO da Nutribras Alimentos

“Se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria.” #RM12.8
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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso.É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
 
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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