Mato Grosso
Agroindústrias com selo do SIAPP conquistam 25 premiações no Festival do Queijo de Mato Grosso

Agroindústrias com o selo do Serviço de Inspeção Agroindustrial e de Pequeno Porte (SIAPP) receberam 25 premiações no 2° Concurso de Queijos e Produtos Lácteos de Mato Grosso, realizado no encerramento do primeiro Festival do Queijo de Mato Grosso, na noite deste sábado (26), no Centro de Eventos Pantanal, em Cuiabá.
Promovido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT), em parceria com a Secretaria de Agricultura Familiar de Mato Grosso (Seaf/MT) e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), o evento contou com 12 categorias. O produtor Silas Vicente, da Quinta da Cartucheira, de Nossa Senhora do Livramento, foi o destaque da noite com seis premiações. A agroindústria dele conta com o SIAPP 003.
A Quinta da Cartucheira conquistou quatro ouros, com a Manteiga Trunfada e os queijos Ouro da Cartucheira, Esmeralda da Cartucheira e o Diamante da Cartucheira, além de prata com o Rubi da Cartucheira. Também recebeu o prêmio de Melhor Queijo de MT, na Categoria Super Ouro, com o queijo Ouro da Cartucheira. A queijaria acumula prêmios internacionais, como em Portugal e na França.
Após se consolidar no mercado, Silas passou a ensinar outros produtores, que também conseguiram o selo de inspeção sanitária do Siapp, uma parceria entre Seaf, Empaer e Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) para que produtores de pequena escala ingressem no mercado formal com agilidade, ao mesmo tempo em que garante o cumprimento das normas sanitárias dos produtos de origem animal para consumo humano.
Os alunos de Silas passaram a conquistar novos mercados no Estado e premiações pelo Brasil. Curiosamente, ele foi o primeiro a experimentar o queijo maturado de casca florida “Yatav de Leverger”, da produtora Ludymilla Camareiro de Abreu, do Milagre da Vida, em Santo Antônio do Leverger, que ganhou medalha de ouro no Expoqueijo 2025, em Minas Gerais, principal concurso internacional do Brasil, com participação de mais de 20 países.
Na noite de ontem, Ludymilla recebeu a medalha de ouro na categoria Cachorrada com Certificado, com a Cachorrada Ruah. Ela detém o SIAPP número 002. “Ver a Seaf, Empaer e Indea atuar de forma conjunta para atender o pequeno produtor rural e fazer parte disso é uma experiência sensacional”, avaliou. Segundo ela, o selo abriu as portas para a comercialização dos produtos no mercado formal. “Hoje eu vendo para uma das redes de supermercado mais exigentes, em termos de qualidade e normas sanitárias, de Cuiabá”, destaca.
Com medalha de prata com o queijo ‘Ipê Branco Neves’, na categoria “Queijo de Massa Crua – Maturado acima de 31 dias – Com Certificação”, a produtora Ana Maria de Freitas, da Queijaria Sítio Dois Corações, em Nossa Senhora do Livramento, conta que, ao buscar qualificação, passou uma semana em Minas Gerais e, em seguida, conheceu Silas. “Somos uma equipe com cerca de 15 pessoas que o Silas acolheu. Ele foi o primeiro premiado de Mato Grosso, de queijos finos, e nos qualificou. É uma referência para nós. Foi nele que nos espelhamos e melhoramos nossa qualidade.”
Segundo a produtora, o ‘Ipê Branco Neves’ foi inspirado no Canastra. “Hoje meu carro-chefe são os queijos de massa, que são os maturados. O mais vendido é o Canastra”, destaca. Ela produz sozinha uma média de 10 queijos por semana, com cerca de 100 litros de leite. O pai faz a ordenha nas vacas do próprio sítio.
Ana Maria passou a vender os queijos quando a mãe ficou idosa. “Minha mãe produziu o frescal a vida inteira. Ao lidar com a comercialização, vi a necessidade de aperfeiçoamento”. Ela recebeu o selo do SIAPP 025, em cerimônia simbólica durante a abertura do Festival do Queijo, com outros oito produtores de pequena escala. “O SIAPP abre as portas para a comercialização formal em todo Estado. É a porta de entrada, o reconhecimento do produto”, avalia.
A meta de Ana Maria é aumentar a produção após obter o selo. “Vou percorrer também os pontos de venda”. Ela também produz o Ipê Amarelo Ouro, uma manteiga de garrafa que conquistou o ouro no Prêmio Queijo Brasil 2025, em Blumenau (SC). No evento, o doce de leite dela ficou com o bronze.
Com o selo do SiAPP 013, a queijaria Vila Láctea, de Sorriso, obteve o ouro com o queijo Poranga, mais duas pratas com o Mofo Azul e o Iogurte de Morango, além de um bronze com o Cabacinha. Também nas categorias com certificação, proveniente da obtenção do selo do SIAPP, Nildes Queijos e Derivados, da produtora Evanildes de Oliveira Balbino, de Paranatinga, ficou com dois ouros com o Requeijão de Corte e o Queijo do Vale, e bronze com o doce de leite em barra.
Outros dois ouros foram conquistados pela Queijaria Brasifort, de Nova Brasilândia, com o doce Cachorrada e o Doce de Leite Pastoso, além do bronze com a Manteiga. Do produtor Isaías Nunes de Freitas, a Brasifort conta com o selo do SIAPP 022. De Nova Mutum, com o selo 011, a Queijaria Cattani conseguiu um ouro com o queijo Maringá Trufado e uma prata com Queijo Maringá massa filada.
Já Jackson Marques Pacheco, do Lenda do Pantanal, de Santo Antônio do Leverger, conquistou três bronzes com os queijos Si Minino, Alvorecer e Pantanal. Ele obteve o primeiro registro do Siapp em Mato Grosso. “Sem esse registro, eu atuaria de forma irregular. Agora, com ele, posso chegar na porteira da minha fazenda e vislumbrar a possibilidade de levar meus produtos para onde eu quiser”, destacou.
O SIAPP foi criado pela Lei nº 12.387/2024 para desburocratizar, agilizar e baratear o processo de regularização sanitária, o que promove a inclusão produtiva e valoriza a produção da agricultura de pequena escala.
A secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, destacou que o resultado é motivo de orgulho para todo o Estado. “A gente vê produtos de excelência sendo reconhecidos, e isso dá confiança pro consumidor, que sabe que está levando pra mesa algo seguro, de qualidade, feito com capricho. O Estado acredita muito no potencial da agricultura familiar”.
O diretor-presidente da Empaer, Suelme Fernandes, reforçou que os resultados demonstram a força do trabalho técnico aliado à política pública. “Cada selo SIAPP representa uma história de superação e aprendizado. A Empaer acompanha de perto todo o processo, da orientação inicial até a comercialização, garantindo que o pequeno produtor tenha o mesmo padrão de qualidade e segurança que qualquer grande indústria. Esses prêmios provam que a agricultura familiar de Mato Grosso tem excelência e está preparada para competir em qualquer cenário, dentro e fora do Estado”, afirmou.
A coordenadora de Agroindústria da Seaf, Camila Caexêta, comemora o desempenho das pequenas agroindústrias em concursos concorridos. “É muito gratificante ver tantos produtos das agroindústrias de pequeno porte registradas no SIAPP sendo premiados num concurso de queijos e lácteos, avaliados por uma banca tão renomada, com o paladar mais apurado e técnico. É uma alegria enorme. Mostra que eles estão no caminho certo e revela o quanto esse setor é forte em Mato Grosso”.
Fonte: Governo MT – MT
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Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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