Mato Grosso
Empaer visita aldeia Meruri para implantação do projeto de fruticultura
A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) realizou uma visita técnica na aldeia Meruri, comunidade que abriga indígenas Bororos em General Carneiro (715 km ao Norte de Cuiabá), para implantação de um projeto de cultivo de frutas. A visita foi solicitada pelo cacique José Mário Kugarubo, que pretende utilizar uma área de 10 hectares para plantar frutas como banana, abacaxi, mamão, entre outras. A visita contou com apoio dos representantes da Missão Salesiana de Mato Grosso que atuam na comunidade indígena.
O cacique Kugarubo quer iniciar o cultivo com a finalidade de produzir alimentos para subsistência e também como uma fonte de renda para a comunidade indígena. A intenção é buscar parcerias para aquisição de mudas de frutíferas e também produzir na aldeia as mudas que serão cultivadas pelos índios. A aldeia possui 657 habitantes que cultivam mandioca e trabalham com a criação de peixes. “Precisamos diversificar para garantir alimentos e renda para a aldeia”, explica o cacique.
O cultivo de frutíferas será realizado na aldeia principal e nas cinco pequenas aldeias adjacentes, que vão plantar numa área de um hectare, totalizando 15 hectares. O técnico agropecuário da Empaer,João marcos Alves Ribeiro, comenta que a principal fonte de alimentação da comunidade indígena é a mandioca, cultivada em uma área de seis hectares. Ele esclarece que a fruticultura pode ser uma fonte de renda e alimentação para a aldeia.
De acordo com João, técnicos da Empaer trabalham com a comunidade indígena prestando serviços de assistência técnica e extensão rural. “Hoje na aldeia principal são cultivados mandioca e uma pequena área com plantio de banana da terra. Fizemos uma avaliação da área e constatamos que a reserva indígena é bem favorável para o plantio de frutas pela abundância de água existente no local”, enfatiza João Marcos.
Durante a implantação dos pomares, os indígenas vão receber informações técnicas e orientações para conduzir o cultivo. Ribeiro declara que o plantio poderá começar no período das chuvas, ainda este ano.
Aproveitamento da mandioca
A Empaer, em parceria com a Prefeitura Municipal, realizou na aldeia Meruri uma oficina sobre o aproveitamento da cultura da mandioca. A extensionista social da Empaer, Zita Maria Ferreira Dourado, ministrou o curso e destacou diversas maneiras e formas do aproveitamento da mandioca. Ensinou na prática algumas receitas, como mané pelado, pão de mandioca, brigadeiro de mandioca, pão de queijo, escondidinho de mandioca, suco, pizza, roscas e outros, e transformou mandioca em farinha e polvilho dentro das técnicas de qualidade. O evento contou com a participação de 30 indígenas.
De acordo com a extensionita Zita Maria, a iniciativa ofereceu oportunidades às famílias para obter renda e lucro com a comercialização dos produtos. “Com a mandioca é possível fazer vários tipos diferentes de farinhas, doces, salgados e outros. O curso foi bem aceito pelos indígenas e na turma havia quatro homens que se destacaram na elaboração das receitas e realizaram vários pratos de forma correta e saborosa”, esclarece Zita.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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