Mato Grosso
Espaço da Beleza transforma preparação dos noivos em momento de acolhimento e emoção

Enquanto o altar era preparado para a cerimônia do Casamento Abençoado, que ocorreu neste domingo (22.2), no Ginásio Aecim Tocantins, em Cuiabá, outro espaço concentrou sorrisos, lágrimas discretas e corações acelerados: o Espaço da Beleza.
Noivas e noivos, com horários previamente reservados, passaram por produção completa: maquiagem, cabelo e cuidados pessoais, de forma totalmente gratuita, vivenciando os primeiros instantes do grande dia.
A iniciativa integra o Programa SER Família, idealizado pela primeira-dama Virginia Mendes, promovida pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT) e da Unidade de Ações Sociais e Atenção à Família (Unaf).
Foto: Kawê Pires | Setasc-MT
De acordo com a primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, o Espaço da Beleza foi pensado para que os noivos se sentissem especiais desde os primeiros momentos do grande dia, reforçando o compromisso social do programa com a dignidade e o fortalecimento das famílias.
“Cada detalhe do Casamento Abençoado foi planejado com muito carinho, e o Espaço da Beleza é a expressão desse cuidado. Queremos que cada noiva e cada noivo se sintam valorizados, acolhidos e respeitados. Não é apenas sobre oficializar uma união, é sobre realizar sonhos, fortalecer famílias e garantir que esse momento tão importante seja vivido com autoestima e alegria. Esse é o propósito do SER Família: cuidar das pessoas e transformar vidas”, ressaltou.
A cerimônia reuniu casais de 24 municípios e garantiu a oficialização civil gratuita a famílias com renda de até três salários mínimos inscritas no Cadastro Único, assegurando direitos e fortalecendo vínculos. Mais do que um espaço de produção estética, o Espaço da Beleza se tornou ambiente de acolhimento, escuta e partilha de histórias.
Entre pincéis e sprays de cabelo, a jovem Eduarda Jakulski Jorge, de 18 anos, se prepara para dizer “sim” ao noivo, Jessicley Jorge da Silva, do município de Campo Novo do Parecis. Para ela, o momento é a confirmação de que o sonho não foi abandonado, apenas adiado.
“Nós já tínhamos planos de nos casar. Tentamos realizar os trâmites, mas surgiram dificuldades. Depois ficamos sabendo da iniciativa e decidimos participar. Não sabíamos exatamente como funcionava, mas fomos buscar informações e, felizmente, deu tudo certo”, contou.
Eduarda acredita que tudo acontece no tempo certo. “Se desejamos nos casar, Deus provê as condições. Basta dar o primeiro passo, mesmo sem recursos financeiros. Tenho certeza de que será perfeito”, disse.
Foto: Kawê Pires | Setasc-MT
Ao lado do noivo, ela destaca o cuidado da organização, o acolhimento recebido desde a chegada ao alojamento e a importância da iniciativa para casais que não teriam condições de arcar com os custos de uma celebração tradicional.
“O coração está acelerado. Estamos um pouco nervosos, mas confiantes. Desde que chegamos, fomos muito bem acolhidos, está tudo perfeito. O casamento é um sonho para muitos, e essa iniciativa permite que pessoas sem condições financeiras realizem esse momento tão especial”, declarou.
Jessicley reforça o sentimento de superação. “É algo que a gente já esperava. Tivemos alguns percalços no caminho, parecia que não era para ser, mas Deus estava no controle e nos presenteou com essa oportunidade”, disse emocionado.
O secretário de Estado de Assistência Social e Cidadania, Klebson, destacou que o Espaço da Beleza simboliza o olhar sensível da gestão estadual para além da formalização jurídica, priorizando o cuidado e a valorização dos casais participantes.
“O Espaço da Beleza representa o cuidado integral que buscamos oferecer às famílias atendidas pela política de assistência social. Não se trata apenas da oficialização civil, mas de garantir que cada casal viva esse momento com dignidade, autoestima e acolhimento. Pensamos em cada detalhe, da produção à alimentação e ao alojamento, para que eles se sintam valorizados e respeitados. O Casamento Abençoado reafirma o compromisso do Governo do Estado em fortalecer vínculos familiares e promover inclusão social de forma concreta e humanizada”, destacou.
Também no Espaço da Beleza, a noiva Avila Cristine Lima Ferreira, de Barra do Garças, viveu intensamente cada detalhe da preparação ao lado do noivo, Andrey Gomes Vieira Júnior. O casal está junto há seis meses e se conheceram no trabalho.
“Sinto-me emocionada, com o coração um pouco acelerado. Esse casamento é um sonho desde criança. Nos conhecemos no trabalho. Estávamos planejando casar mais adiante, mas vimos a oportunidade e a agarramos. Foi como se tivesse sido entregue para nós”, relatou.
Foto: Kawê Pires | Setasc-MT
Avila destacou a estrutura oferecida aos noivos. “Tem salão de beleza, maquiagem, cabelo e espaço para nos prepararmos durante o dia. Além do alojamento para os novios de outros municípios, com alimentação deliciosa e quartos preparados para nos receber. Está tudo perfeito”, confidenciou.
Andrey descreve a experiência como especial. Eles souberam da iniciativa pelo Instagram e procuraram a secretaria do município para confirmar a participação. “Percebo que é uma ocasião muito abençoada. Imaginei algo mais íntimo, mas fomos muito bem recebidos. A infraestrutura é excelente. Considero uma iniciativa excelente. Espero que eventos como este se repitam”, afirmou Andrey.
No Espaço da Beleza, espelhos refletem mais que maquiagem e penteados finalizados. Refletem histórias de fé, superação e esperança, que, antes mesmo do altar, já começaram a ser celebradas.
Estrutura pensada para acolher
O Casamento Abençoado – Vale do Rio Cuiabá reuniu casais de Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento, Barão de Melgaço, Jangada, Acorizal, Jaciara, Barra do Bugres, Campo Verde, Chapada dos Guimarães, Campo Novo do Parecis, Planalto da Serra, Nova Brasilândia, Pedra Preta, Santo Antônio do Leverger, Poconé, Poxoréu, Tesouro, Primavera do Leste, Sapezal, Barra do Garças, Porto Estrela, Santo Antônio do Leste e Diamantino.
A ação é realizada em parceria com a Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso (Anoreg-MT), a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de Mato Grosso (Arpen-MT), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Corregedoria-Geral da Justiça e da Justiça Comunitária, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), além dos Tabelionatos de Registro Civil, o Instituto INCA e das Secretarias Municipais de Assistência Social.
Além da cerimônia, a estrutura contou com tendas cartorárias, espaço de acolhimento, alimentação, alojamento para casais de municípios mais distantes e suporte logístico completo. A edição também incorporou responsabilidade socioambiental, com coleta seletiva e destinação adequada de resíduos em parceria com cooperativas locais.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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