Mato Grosso
Especialistas defendem pagamento por serviços ambientais
Sob a premissa de que aquele que contribui para a produção de serviços ambientais, como qualidade do ar, manutenção da biodiversidade e conservação dos recursos hídricos, deve receber pagamentos por ele, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), por meio da coordenadoria de Conservação e Restauração de Ecossistemas realizou o Workshop Técnico Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). Especialistas de diversas áreas defenderam que os serviços possuem alto valor já que são essenciais tanto para o desenvolvimento econômico, quanto para o bem-estar da população.
O pagamento pela produção da água foi o principal assunto debatido durante o encontro. Devanir dos Santos, coordenador de Implementação de Projetos Indutores da Agência Nacional das Águas lançou uma provocação para a plateia. “A ausência de valoração da água, faz com que ninguém cuide desse recurso natural. Afinal, não se sabe o valor da água”. De acordo com o engenheiro agrônomo, um dos impulsionadores da falta de valorização dos serviços ambientais é a teoria conhecida como “Tragédia dos Comuns” em que a satisfação de um prazer individual resulta em uma situação ruim do ponto de vista coletivo.
Santos apresentou o Programa Produtor de Água da ANA que incentiva os agricultores a cuidarem das zonas de recarga, gerando serviços ambientais. Ele citou o exemplo da cidade de Nova Iorque, em que a agricultura começou a colocar em risco o abastecimento da metrópole e que, diante do quadro, a companhia de abastecimento passou a remunerar os agricultores para evitar o avanço a novas áreas e mitigar os riscos de uma crise hídrica, para demonstrar a necessidade de dividir a responsabilidade entre todos os usuários do recurso.
Situação similar à da cidade americana, vive o município de Tangará da Serra (242 km a Oeste de Cuiabá) que enfrentou uma crise hídrica com a seca do rio Queima Pé em 2013, fato que culminou no desabastecimento da cidade. O cenário crítico impulsionou o projeto de pagamento por serviços ambientais na bacia do curso hídrico. Para remunerar os produtores que aderiram ao projeto de reposição florestal e cuidam ativamente das zonas de recarga do rio, o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) iniciou a cobrança de 1,5% na fatura de água e esgoto.
“Realizamos um trabalho árduo para reconquistar a confiança dos produtores e implementarmos o programa, já que muitas ações do poder público são vistas com descrédito. Agora que já conseguimos perceber resultados, vamos traçar novas estratégias para conseguirmos a adesão dos produtores que estão de fora do programa”, defendeu o diretor do Samae, Wesley Torres. Na mesma linha de Tangará da Serra, o município de Alta Floresta apresentou o projeto Guardiões das Águas em parceria com a Embrapa para recuperação de cursos de rios e nascentes com sistemas agroflorestais.
Durante o encontro realizado na última sexta-feira (26), a analista ambiental do Ibama, Raquel Lacerda, apresentou a utilização do pagamento por serviços ambientais como instrumento econômico na recuperação ambiental. Já a professora de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), doutora Maria Daniele Teixeira, propôs uma reflexão sobre os métodos que podem ser utilizados para definir a valoração econômica dos recursos ambientais.
Representando o Instituto Centro de Vida (ICV), Paula Bernasconi, trouxe para os participantes exemplos práticos da aplicação dos pagamentos por serviços ambientais, explorando as oportunidades para Mato Grosso por meio Sistema Estadual de REDD+ (Lei 9878/2013). Durante o evento, o coordenador Conservação e Restauração de Ecossistemas, Marcos Ferreira, conduziu um grupo de trabalho para encontrar sinergias entre os programas e traçar novas alternativas para Mato Grosso.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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