Mato Grosso
MT se une à ONU para atender 121 famílias do ‘Vale do Mangaval’
O Governo do Estado desenvolve com a Organização das Nações Unidas (ONU) o Programa Parceria para Economia Verde (Page). O programa trabalha no incentivo às políticas sustentáveis, capazes de conjugar eficiência produtiva e preservação ambiental. A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), trabalha na execução específica de dois produtos com a Page: a construção do Sistema Estadual Integrado da Agricultura Familiar (Seiaf-MT) e o projeto piloto de regularização ambiental no projeto de crédito fundiário ‘Vale do Mangaval’, no município de Cáceres.
O projeto atenderá inicialmente as 121 famílias do Vale do Mangaval, beneficiárias do Programa Nacional de Crédito Familiar (PNCF), desenvolvido com o propósito de garantir ao agricultor crédito em condições acessíveis para a aquisição do imóvel rural e instalação de infraestrutura básica.
O ‘Vale do Mangaval’ foi selecionado para a execução do projeto que avaliará a aplicação de uma nova metodologia voltada à regularização ambiental. A prioridade é sanar as dificuldades enfrentadas pelas famílias para a consolidação das unidades produtivas.
“Nosso foco é sanar as inconsistências que envolvem o processo de cada família, garantindo aos agricultores a segurança jurídica para a produção da terra, com condições de acesso ao credito e consequentemente, o aumento da produção. A equação é simples. Produtor com capacidade de investimento é igual a aumento da produção, geração de renda, abertura de novos postos de trabalho, aquecimento da economia local e regional, e qualidade de vida. Os benefícios são inúmeros”, defendeu o secretário de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), Silvano Amaral.
Com a regularização, as famílias poderão explorar economicamente seus lotes, garantindo acesso ao crédito e o aumento da produção, além da geração de emprego e renda, e o estímulo à permanência das famílias no campo.
Além das questões ambientais, o projeto também realizará o diagnóstico socioeconômico das famílias. As informações serão coletadas a partir de questionários aplicados durante visita às propriedades. Além de traçar o perfil socioeconômico do agricultor e levantar informações relativas à vocação agrícola, os questionários também reunirão dados que permitirão avançar no georreferenciamento, e posterior regularização ambiental das propriedades. O mapeamento ainda reunirá informações socioambientais, e apontará as medidas necessárias para a recomposição de áreas eventualmente degradadas.
A Page já disponibilizou R$ 54 mil em recursos internacionais para a aquisição de equipamentos e estruturação do projeto. Além da Seaf, que participa com o custeio das atividades realizadas pelos servidores da pasta, o programa ainda é composto pelas Secretarias de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasci), de Desenvolvimento Econômico (Sedec), de Meio Ambiente (Sema), e de Planejamento e Gestão (Seplag). A coordenação geral dos trabalhos está a cargo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Escritório de Inovação Tecnológica (EIT), da própria universidade. A previsão é que o projeto seja concluído até meados de 2020.
Para que os pesquisadores tenham acesso aos beneficiários, a UFMT e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) formalizarão uma parceria para a realização de uma série de eventos mobilizadores. A ideia é esclarecer os agricultores sobre a importância de receber os agentes para a coleta dos dados. Também será formada uma rede de apoio com a participação de técnicos da Seaf, Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), UFMT e Prefeitura de Cáceres para mobilização e acesso às propriedades.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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