Artigos
O agronegócio e a ciência de dados
Garantidor do saldo positivo da balança comercial brasileira, o agronegócio é responsável por 25% do PIB nacional, com incrementos registrados ano após ano no país. Embora sob uma enorme diversidade climática e feita sobre um solo tão variado quanto em suas dimensões continentais, a agropecuária brasileira busca a aplicação cada vez maior da tecnologia para garantir o aumento da produtividade e a diminuição dos custos com objetivo de se manter competitiva no mercado internacional.
Falar de transformação digital no campo não se trata mais de equipar as fazendas com maquinário pesado integrado com computador de bordo e monitoramento por satélite, ou a instalação de estações meteorológica sem variados pontos da fazenda. Caso toda essa alta tecnologia já embarcada nas máquinas e demais equipamentos utilizados nas propriedades rurais brasileiras não estiverem conectadas de maneira inteligente, não se atingirá a equação “maior produtividade e menor custo”, como se espera.
O termo Big Data, utilizado para definir um sistema de armazenamento que gera informações relevantes a partir da análise de um grande volume de dados, já é de conhecimento do produtor rural brasileiro. Conhecem, sobretudo, aqueles que tornaram sua atividade um negócio sucessório e, cada vez mais, ganhador de escala nos cenários nacional e mundial. Vive-se, também no agronegócio, a era do algoritmo, da robótica, da máxima conexão, da realidade virtual e da inteligência artificial como estratégias de facilitação nos processos de tomada de decisão.
Levando-se em conta o desafio do setor, cuja expectativa é que esteja alimentando, até 2050, quase 10 bilhões de habitantes – população estimada para o Planeta –, tornar os processos de produção e todas as cadeias que os envolvem mais eficientes requer ainda mais inovação. Somente através de soluções tecnológicas que promovam inteligência a partir da conexão de dados é possível atingir eficiência máxima, otimização de processos e eliminação de desperdício nas atividades rurais.
Outro termo que começa a ser conhecido e experimentado no setor é a Internet das Coisas (IoT – Internet ofThings), cuja tarefa é promover o que seu próprio nome já diz, conexão de todas as coisas através da instalação de sensores. Seu emprego nas atividades agropecuárias pode gerar, em tempo real e por longos períodos, informações que venham a alimentar o Big Data. O IoT tem apresentado uma nova forma de solucionar os desafios diários enfrentados pelo produtor, seja mantendo um controle dos processos, seja gerando alertas sobre pontos importantes que antes passavam despercebidos, já que, em muitos casos, havia a necessidade da presença e do acompanhamento constante, o que nem sempre era possível.
Já existem estudos que apontam uma ampliação próxima de 15% em produtividade e rentabilidade por hectare a partir da adoção de estratégias de IoT no monitoramento das lavouras. Essa constatação resulta em aumento de competitividade econômica para aqueles que as adotam justamente por aproveitarem melhor os recursos disponíveis com o uso racional, inclusive os naturais, traduzindo em atividades mais sustentáveis, caminho sem volta para a humanidade que busca uma melhor qualidade de vida.
Tantas estratégias tecnológicas pensadas para o setor não poderiam se distanciar daquilo que ficou conhecido como inteligência artificial, que é o desenvolvimento de algoritmos inteligentes capazes de raciocinar, aprender, tomar decisões e resolver problemas no lugar do ser humano. Essa inovação já pode ser adotada no campo a partir da instalação de softwares que trocam informações como máquinas e com o próprio produtor, auxiliando-o a tomar a melhor decisão.
Fazer essas inovações chegarem aos produtores e a todos os demais envolvidos nesse ecossistema demanda conhecimento das tecnologias disponíveis e, sobretudo, um profundo entendimento dos desafios e dores do campo. Já não há mais dúvida de que somente através da inovação e da transformação digital será possível atingir novos saltos de produtividade e redução de custos no agronegócio. Diversos setores estão sendo impactados pela era que estamos iniciando, em que o domínio da ciência de dados será tão importante quanto ter as melhores propriedades e fontes de recursos disponíveis.
*Wagner Figueiredo é especialista em novas tecnologias e diretor da Ausec
Artigos
Agro em ano eleitoral: até onde podem ir os incentivos e benefícios fiscais?
Artigos
63 anos não se constroem por acaso: a liderança por trás da longevidade empresarial

Por Ulana Bruehmueller
O brasileiro tem uma reconhecida vontade de empreender. Muitas empresas nascem pequenas, de um sonho, de uma oportunidade ou da necessidade de construir um futuro melhor. Começam com poucos recursos, muito trabalho e a esperança de crescer ano após ano.
Mas começar uma empresa é apenas o primeiro desafio. Fazê-la permanecer, atravessar gerações e continuar relevante é uma conquista muito maior.
No Brasil, poucas empresas alcançam mais de seis décadas de atividade. Ao longo do caminho, enfrentam obstáculos que vão do acesso ao crédito aos elevados custos de insumos, energia e produção, além da carga tributária, da insegurança jurídica e de uma logística ainda cara e ineficiente.
É nesse contexto que celebramos os 63 anos da Refrigerantes Marajá.
Mais do que uma data no calendário, este aniversário nos convida a uma reflexão: o que faz uma organização atravessar tantas transformações e permanecer relevante ao longo das gerações?
A qualidade dos produtos e a confiança dos consumidores são fundamentais. Mas longevidade também se constrói com liderança forte, propósito definido, valores consistentes e pessoas alinhadas em torno de uma mesma direção.
Ao longo de mais de seis décadas, a Marajá precisou se transformar inúmeras vezes. Cresceu, ampliou mercados, modernizou sua estrutura industrial, incorporou tecnologias, profissionalizou processos, fortaleceu sua governança e desenvolveu novas marcas e produtos.
Ao mesmo tempo, avançou em uma agenda de ESG cada vez mais consistente, compreendendo que responsabilidade ambiental e social, ética e boa governança não devem existir apenas no discurso. Precisam estar incorporadas à maneira como uma organização toma decisões e pensa no seu futuro.
Essa capacidade de evoluir sem perder a essência talvez seja uma das principais explicações para a longevidade de uma empresa.
E nenhuma transformação acontece sem pessoas.
Ao longo da minha carreira, aprendi que podemos definir estratégias, estabelecer metas, investir em tecnologia e modernizar processos, mas são as pessoas que transformam o planejamento em resultado. Por isso, o alinhamento da liderança e o comprometimento do time são fatores concretos de competitividade.
Estratégias mudam. Mercados mudam. Tecnologias evoluem. Gerações chegam com novas expectativas. Os valores, entretanto, permanecem como uma bússola, permitindo que a empresa se transforme sem perder sua identidade.
Tenho muito orgulho de ter dedicado mais de 30 anos da minha vida profissional à Marajá e de ter crescido junto com esta empresa. Foram décadas de desafios, crises, decisões, expansão, transformação e, acima de tudo, aprendizado.
Por isso, celebrar estes 63 anos é também agradecer.
Aos fundadores que tiveram a disposição de empreender. Aos acionistas, diretores e líderes que assumiram a responsabilidade de conduzir a empresa ao longo do tempo. Aos profissionais que passaram por aqui e deixaram sua contribuição. E aos que hoje continuam escrevendo esta história e preparando a Marajá para o futuro.
Depois de tantos anos na indústria, compreendo que uma das maiores responsabilidades de uma liderança não é apenas entregar os resultados do presente. É criar condições para que a organização continue crescendo e gerando valor para as próximas gerações.
Longevidade empresarial não é simplesmente resistir ao tempo. É atravessar gerações evoluindo sempre. Continuar olhando para frente e assumindo responsabilidade pelo futuro!
Ulana Maria Bruehmueller é CEO da Refrigerantes Marajá
Artigos
A cidade começa na calçada

Rodrigo Arruda e Sá
Quando pensamos em desenvolvimento urbano, quase sempre imaginamos grandes avenidas, viadutos, pontes ou obras de infraestrutura. Tudo isso é importante, mas existe um elemento muito mais presente na vida das pessoas e que, muitas vezes, passa despercebido: a calçada. É nela que a cidade realmente começa, porque é por ela que todos nós caminhamos antes de entrar em um carro, em um ônibus, em um comércio ou em uma praça.
A qualidade de uma cidade pode ser medida pela forma como ela trata o pedestre. É pela calçada que uma criança vai à escola, um idoso chega à farmácia, uma mãe empurra o carrinho do filho e um trabalhador segue até o ponto de ônibus. Quando esse espaço está esburacado, desnivelado, ocupado irregularmente ou simplesmente não existe, a cidade transmite uma mensagem clara: as pessoas deixaram de ser prioridade.
Não é preciso olhar para a Europa para encontrar bons exemplos. Curitiba transformou o cuidado com as calçadas em uma política permanente de urbanismo e acessibilidade. Maringá tornou-se referência nacional pela arborização, pela conservação dos espaços públicos e pela qualidade de seus passeios. Joinville e Blumenau também demonstram como calçadas bem cuidadas, praças limpas, iluminadas e bem conservadas tornam a cidade mais acolhedora para moradores, turistas e comerciantes.
Essas cidades compreenderam que desenvolvimento urbano não se resume a grandes obras. A qualidade de vida nasce dos espaços que as pessoas utilizam diariamente. Calçadas acessíveis, arborização, praças bem cuidadas, iluminação eficiente e limpeza permanente estimulam a convivência, fortalecem o comércio de rua, aumentam a sensação de segurança e fazem com que os moradores sintam orgulho da cidade onde vivem.
Em Cuiabá, infelizmente, ainda convivemos com uma realidade distante desse padrão. Além das calçadas interrompidas, desniveladas ou sem acessibilidade, muitas praças apresentam sinais evidentes de abandono.
A Praça Ipiranga, um dos espaços mais tradicionais da capital, frequentemente convive com acúmulo de lixo e mau cheiro, enquanto a Praça Popular, um dos principais pontos de encontro da cidade, além de estar coberta de lixo, sofre com a iluminação deficiente e manutenção insuficiente. Em vez de convidarem as famílias ao convívio, ao esporte e ao lazer, esses espaços acabam transmitindo uma sensação de descuido incompatível com a importância que têm para a vida urbana.
Como contador e empresário, aprendi que cidades agradáveis também são cidades economicamente mais fortes. O comércio prospera quando as pessoas caminham pelas ruas com conforto e segurança, frequentam as praças, permanecem mais tempo nos espaços públicos e ocupam naturalmente os centros comerciais. Investir nesses ambientes não é apenas uma política de urbanismo; é também uma política de desenvolvimento econômico.
É evidente que Cuiabá precisa continuar investindo em mobilidade, infraestrutura e transporte coletivo. Mas nenhuma dessas políticas produzirá resultados completos se esquecermos que toda viagem começa e termina a pé.
Antes de sermos motoristas, passageiros ou ciclistas, todos nós somos pedestres, e uma cidade que não acolhe quem caminha dificilmente será acolhedora para qualquer outro meio de transporte.
Talvez esteja na hora de ampliarmos o conceito de desenvolvimento urbano. Em vez de avaliar uma administração apenas pelo número de quilômetros de asfalto entregues ou pelas grandes obras inauguradas, deveríamos observar também a qualidade das calçadas, das praças e dos espaços públicos onde a vida realmente acontece.
Cuidar desses pequenos detalhes não é uma questão estética, mas uma demonstração de respeito ao cidadão e de compromisso com a qualidade de vida. Afinal, uma cidade verdadeiramente humana não se mede apenas pelo tamanho de suas avenidas, mas pelo cuidado com os lugares onde seus moradores caminham, convivem e constroem diariamente a sua história.
*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.
-
Rondonópolis20/08/2026 - 18:28De Pátio para Alessandra: Odair José muda de palanque em Rondonópolis
-
Política MT21/08/2026 - 16:00Dra. Luciana Horta apresenta propostas para saúde e combate ao feminicídio em entrevista em Rondonópolis
-
Rondonópolis20/08/2026 - 18:53Fechamento de empresas acende alerta para o varejo de Rondonópolis
-
Política MT21/08/2026 - 16:11E agora, Rezende? Chapa com apenas 10 candidatos coloca reeleição em jogo no União Brasil
-
Política MT21/08/2026 - 17:22Teté Bezerra: a primeira mulher eleita deputada estadual por Rondonópolis
-
Esportes24/08/2026 - 12:01Rondonópolis Hawks vence em casa o Goiás FA por 52 a 00 e segue dominante no Centro Oeste
-
Rondonópolis24/08/2026 - 20:50Câmara de Rondonópolis acata pedido e suspende mandato da vereadora Mariúva Valentin por decisão do TJMT
-
Rondonópolis24/08/2026 - 21:12Prefeitura desafeta área institucional no Conjunto Lúcia Maggi para futura abertura de via pública








