Mato Grosso
Por unanimidade, Pleno emite parecer contrário à aprovação das contas de Acorizal
| Assunto:CONTAS ANUAIS DE GOVERNO MUNICIPAL Interessado Principal:PREFEITURA MUNICIPAL DE ACORIZAL |
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| JAQUELINE JACOBSEN CONSELHEIRA INTERINA |
DETALHES DO PROCESSO |
| INTEIRO TEOR |
| VOTO DO RELATOR |
| ASSISTA AO JULGAMENTO |
Por unanimidade e acompanhando voto da relatora, conselheira interina Jaqueline Jacobsen, o Pleno do Tribunal de Contas de Mato Grosso decidiu pela emissão de parecer contrário à aprovação das contas anuais de governo do Município de Acorizal, exercício de 2018, sob a gestão do prefeito Clodoaldo Monteiro da Silva. A decisão ocorreu no julgamento das contas (Processo nº 166782/2018 e 194506/2019 – apenso), realizado na sessão ordinária de quinta-feira (28/11).
No voto, a conselheira determinou ao gestor que em 60 dias regularize as pendências relativas às contribuições previdenciárias patronal e dos segurados e que o TCE-MT instaure Tomada de Contas Ordinária a fim de acompanhar o cumprimento da decisão anterior; apurar o valor dos juros e multas gerados pelos atrasos das contribuições previdenciárias de todo o exercício de 2018 e dezembro de 2017; e identificar os responsáveis pelo dano ao erário.
Votou ainda pelo encaminhamento dos autos ao Ministério Público Estadual, diante dos indícios de cometimento de crime previdenciário e de improbidade administrativa, além de ter feito diversas recomendações ao gestor, com a finalidade de contribuir para a melhoria da situação fiscal, financeira e orçamentária do município.
Entre as recomendações estão a adoção de providências para solicitar do Poder Legislativo a devolução da importância repassada acima do limite constitucional de 7%; adoção de medidas efetivas para reverter ou prevenir a situação de déficit orçamentário, a fim de manter o equilíbrio orçamentário; observação dos prazos estabelecidos pelo TCE-MT para o envio das informações e documentos solicitados; entre outras.
Irregularidade gravíssima
O relatório da Secex Previdência apontou ausência de repasses das contribuições patronais e dos segurados pela Prefeitura de Acorizal no exercício de 2018, totalizando um saldo total inadimplente de R$ 841.233,04. Os atrasos nos repasses previdenciários ocasionaram ainda a incidência de juros de mora, o que representou encargos financeiros ao erário municipal, resultantes de despesas não autorizadas, irregulares e lesivas ao patrimônio público.
Segundo a conselheira interina Jaqueline Jacobsen, a gravidade da falta dos repasses das contribuições previdenciárias, tanto da parte patronal quanto dos segurados, é irregularidade gravíssima, que por si só poderia resultar na emissão de parecer prévio contrário nas contas anuais de governo de Acorizal.
No voto, a conselheira destacou que “em especial, a parte descontada dos segurados em nenhuma hipótese pode ser tratada como receita flexível para o pagamento de outras despesas que não as de caráter previdenciário. Ademais, a adimplência previdenciária está diretamente relacionada com a capacidade de pagamentos dos benefícios devidos aos segurados”.
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Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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