Mato Grosso
Sefaz cassa inscrição estadual de empresas do setor de sucatas por fraude
Quatro empresas do setor atacadista de sucata de metais tiveram suas inscrições estaduais cassadas pela Secretaria de Fazenda (Sefaz). A medida foi adotada após a Unidade de Inteligência Fiscal e Monitoramento (UIFM) identificar fraudes fiscais como a constituição de empresas noteiras, com o intuito de gerar créditos tributários fraudulentos, os conhecidos “créditos podres”.
As empresas se instalaram em Mato Grosso, no início de 2019, e atuaram no período de fevereiro a julho. Nesse período foram emitidas 497 notas fiscais frias no valor de R$ 60 milhões, aproximadamente. Essas operações geraram mais de R$ 7 milhões em créditos de ICMS, destinados a indústrias de Mato Grosso do Sul, Pará, Goiás e São Paulo.
De acordo com a Unidade de Inteligência Fiscal e Monitoramento (UIFM), a Sefaz realiza o acompanhamento eletrônico do comportamento econômico, em tempo real, de todas as empresas do Estado. Utilizando métodos de inteligência analítica, desenvolvidos na própria secretaria, é possível identificar diversos contribuintes com graves indícios de atuação fraudulenta, por meio de algoritmos.
Esses algoritmos, utilizados nas rotinas de monitoramento, conseguiram gerar alertas para as quatro empresas “noteiras” que foram classificadas com o mais alto nível de risco.
Com isso, foi instaurado procedimento administrativo que confirmou as suspeitas preliminares e culminou com a cassação das inscrições estaduais desses contribuintes. Além disso, todos os documentos fiscais emitidos foram declarados inidôneos e, por consequência, tornaram-se inaptos todos os créditos de ICMS gerados.
A partir das informações constatadas, a Sefaz vai cientificar a Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), da Polícia Judiciária Civil, vez que há indícios da existência de um organização criminosa especializada na criação dessas empresas. Os Fiscos das unidades de destino dessas notas fiscais, declarada inidôneas, também serão informados para que promovam a autuação de seus contribuintes por utilização de “créditos podres”.
A Sefaz ressalta que uma de suas diretivas é a estruturação de um complexo informatizado de monitoramento e controle dos contribuintes, garantindo tempestividade e assertividade na identificação de fraudes fiscais – evitando o surgimento de passivos tributários de difícil recuperação. Nesse sentido diversas rotinas de cruzamento massivo de dados, com emprego de métodos de inteligência analítica em ambiente de Big Data, vem sendo criadas e começam a demonstrar resultados no combate à sonegação fiscal.
Noteiras
As empresas noteiras, ou empresas fantasmas, laranjas e “de fachadas” como também são conhecidas, são constituídas e registradas de forma fraudulenta. Elas não exercem suas atividades, ou seja, só existem no papel e são utilizadas de maneira criminosa para emitir documentos fiscais para documentar saídas de mercadorias de outras empresas.
Essas notas servem também para cobrir outros tipos de ilícitos, como gerar créditos indevidos de ICMS, acobertar falsas exportações, registrar despesas fictícias, acobertar cargas roubadas ou furtadas, esconder pagamentos de corrupção e tráfico de drogas.
Ou seja, são empresas criadas unicamente com a intenção de gerar créditos de ICMS fictícios por meio da emissão de documentos fiscais sem a efetiva circulação das mercadorias declarados. Esses créditos são utilizados para abater, de maneira fraudulenta, o montante do imposto devido pelos destinatários.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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