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A Caneta que Sangra: Crônica de uma Crueldade Institucional

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Por vezes, a crueldade se veste de legalidade. Usa terno, gravata, carimbos oficiais. Fala em “adequação normativa”, em “conformidade legal”, em “responsabilidade fiscal”. E assim, com a frieza de quem assina uma planilha, decide-se pela penúria de centenas de famílias.

Em Cuiabá, médicos e servidores da saúde acabam de descobrir, pela imprensa oficial, porque o diálogo parece ser artigo de luxo nesta república, que suas remunerações serão drasticamente reduzidas.

O adicional de insalubridade, pago há mais de uma década de uma determinada forma, será “corrigido”. Corrigido. Que palavra elegante para descrever o ato de esvaziar os bolsos de quem trabalha respirando tuberculose, atendendo pacientes com doenças infectocontagiosas, suportando jornadas extenuantes em unidades de saúde que mais parecem cenários de guerra.

A justificativa? Adequação à lei. Como se a lei fosse um ente abstrato, descolado da realidade, indiferente ao fato de que pessoas organizaram suas vidas — pagaram escolas dos filhos, assumiram financiamentos, cuidaram de pais idosos — confiando que o Estado, aquele mesmo que lhes exige dedicação e sacrifício, manteria minimamente sua palavra.

 

A Assimetria da Dor

O que mais indigna nesta história não é apenas a redução em si, mas a seletividade cirúrgica da penúria. Enquanto médicos que atendem em condições precárias terão seus vencimentos cortados sem cerimônia, sem transição, sem um único real de compensação, outras categorias — ah, outras categorias! — seguem blindadas.

Os mesmos órgãos que agora recomendam, exigem, determinam a redução dos vencimentos dos servidores da saúde preservam, para si mesmos, não apenas o subsídio constitucional, mas um generoso cardápio de auxílios, indenizações e vantagens. Férias não gozadas? Indenizadas. Moradia? Auxílio. Alimentação? Auxílio. Saúde? Auxílio. E por aí vai, numa coreografia de privilégios que faria inveja a qualquer monarca absolutista.

Existe uma mensagem implícita, mas cristalina, nesta assimetria: há cidadãos de primeira classe, aqueles que legislam e decidem em causa própria, que fiscalizam, e há os demais. Os médicos, enfermeiros, dentistas, agentes comunitários de saúde pertencem, nesta lógica perversa, à segunda categoria. Podem ser sacrificados no altar do ajuste fiscal. Contra eles o rigor da interpretação fria da lei, como abstração genérica que paira acima das família endividadas.  Afinal, quem são eles senão meros executores de políticas públicas?

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O Estado Esquizofrênico

A esquizofrenia institucional brasileira revela-se em sua forma mais grotesca quando o mesmo município que corta vencimentos de quem salva vidas aumenta, concomitantemente, a remuneração de cargos comissionados. Traduzindo do burocratês para o português claro: tira-se de quem trabalha na linha de frente, em condições insalubres, para dar a quem ocupa cadeiras políticas, muitas vezes sem qualquer qualificação técnica.

Não bastasse, há um histórico que faria corar qualquer gestor minimamente comprometido com a legalidade: gratificações criadas por simples portaria, plantões extras pagos sem base legal, uma “folha paralela”.

Irregularidades que, curiosamente, foram são toleradas por anos a fio pelos órgãos de controle. Mas quando se trata de retirar direitos consolidados de servidores essenciais, ah, aí a lei deve ser aplicada com o rigor de um algoz medieval.

Por Que Ninguém Mais Respeita as Instituições

E depois nos perguntamos, entre cafés e conversas de botequim, por que a população brasileira perdeu o respeito pelas instituições públicas. Por que há tanto cinismo, tanta descrença, tanto desprezo pelo discurso oficial.

A resposta está aqui, escancarada, nesta e em mil outras histórias iguais: porque as instituições aplicam duas medidas, dois pesos, duas varas. Uma para os seus, outra para os demais. Porque pregam austeridade para os outros enquanto nadam em benesses. Porque falam em “responsabilidade fiscal” enquanto mantêm penduricalhos que custariam o orçamento de pequenos municípios.

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Como respeitar um Tribunal que exige cortes na saúde mas preserva seus próprios supersalários? Como confiar num Ministério Público que recomenda redução de vencimentos de médicos mas blinda seus membros de qualquer decesso? Como acreditar num Estado que, com uma mão, aplaude os heróis da pandemia e, com a outra, esvazia seus contracheques?

 

A Crônica de um Desrespeito Anunciado

Há algo profundamente imoral, e uso esta palavra pesada conscientemente, em alterar, de forma abrupta, a remuneração de quem há mais de dez anos planeja sua vida financeira baseado numa prática consolidada. Não se trata de defender ilegalidades. Trata-se de reconhecer que pessoas não são números numa planilha. Que por trás de cada contracheque reduzido há um filho que terá que mudar de escola, um idoso que ficará sem medicação, uma família inteira jogada na insegurança.

E se, de fato, havia irregularidade no pagamento, a solução civilizada, aquela que um Estado minimamente responsável adotaria, seria a transição gradual, a negociação transparente, a instituição de medidas compensatórias. Mas civilidade, ao que parece, é mercadoria rara neste Brasil de desigualdades institucionalizadas.

E o mais absurdo, neste Estado Democrático da Desigualdade promovida pelo Estado, é pensar que, uma empresa da iniciativa privada, jamais poderia fazer isso, pois na CLT vantagens pagas por mais de dez anos, são incorporadas aos salários.

O Silêncio Cúmplice

O mais ensurdecedor nesta história toda, porém, é o silêncio. O silêncio de quem poderia, deveria intervir. O silêncio dos que se dizem defensores do interesse público, mas que, diante da violação escancarada de direitos de trabalhadores essenciais, preferem a inação.

Porque, no fundo, todos sabem: mexer com médicos, enfermeiros, com a ralé que mantém o sistema público de saúde funcionando, não tem custo político. Não rende manchete, não mobiliza opinião pública, não ameaça carreiras. Diferente seria se a medida atingisse os próprios palácios do poder.

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E assim, entre silêncios cúmplices e canetadas cruéis, vai se construindo o deserto de credibilidade em que vivemos. Cada injustiça institucional é uma pedra a mais no muro da desconfiança. Cada privilégio preservado às custas do sacrifício alheio é mais um tijolo na fortaleza do cinismo.

 

O Preço da Descrença

Ao final, todos pagaremos o preço desta hipocrisia sistêmica. Porque quando médicos deixam a rede pública, e deixarão, podem apostar, quem sofrerá será a população mais pobre, aquela que depende do SUS. Quando a qualidade do serviço desabar, e desabará, não serão os magistrados, promotores ou conselheiros que enfrentarão filas intermináveis nas UPAs. Serão os mesmos de sempre: os esquecidos, os invisíveis, os que não têm voz.

E aí, quando o sistema entrar em colapso, virão os discursos inflamados sobre a “crise da saúde pública”, sobre a “necessidade de mais investimentos”, sobre o “compromisso com o povo”. Discursos vazios, proferidos pelos mesmos que hoje, com suas canetadas insensíveis, plantam as sementes do caos que fingirão lamentar amanhã.

Enquanto isso, em Cuiabá, médicos organizam assembleias, sindicatos protestam, famílias refazem orçamentos apertados. A vida segue, como sempre seguiu para quem não tem o privilégio da blindagem institucional, não pode legislar em causa própria.

E o Brasil, este país de contrastes obscenos, segue sua marcha inexorável rumo ao abismo da desigualdade, embalado pela sinfonia hipócrita de quem prega sacrifícios que jamais fará.

A caneta que assina estes atos administrativos deveria, ao menos, ter a decência de sangrar. Mas canetas, assim como certos gestores, não têm coração. E talvez seja exatamente por isso que estejamos onde estamos.

Cuiabá, outubro de 2025.

Adeildo Lucena- presidente do Sindimed-MT e

Bruno Álvares- advogado do escritório Vaucher e Álvares e assessor jurídico do Sindimed-MT

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Saúde mental: urgência pública que exige ação e acolhimento

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*Irajá Lacerda

A saúde mental deixou de ser uma preocupação silenciosa e se consolidou como uma das grandes urgências públicas do Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu o impressionante número de 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais e comportamentais, o que representa uma alta de 15,66% em relação ao ano anterior. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideram os afastamentos, revelando um país emocionalmente adoecido.

O cenário nacional dialoga com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, divulgados no final 2025, que apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. A OMS também estima que depressão e ansiedade custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Essa realidade ganhou ainda mais atenção no Brasil com a atualização da NR-1, que passou a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, reforçando que a pressão no ambiente de trabalho e o esgotamento profissional exigem prevenção, responsabilidade e acolhimento.

Esses números não são apenas estatísticas. Por trás de cada linha há uma mãe exausta, um trabalhador no limite ou um jovem sofrendo em isolamento. Dados oficiais do IBGE em 2026, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), revelam que cerca de três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos relataram sentir tristeza frequente, 18,5% disseram sentir que a vida “não vale a pena ser vivida” e 32%  afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito.

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O impacto vai além do ambiente escolar: estudos do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) apontam que o tratamento de jovens com transtornos mentais chega a comprometer metade da renda das famílias na busca por apoio. O cenário exige que família, escola, assistência social e saúde atuem de forma integrada para acolher crianças e jovens antes que a dor vire tragédia.

Em Mato Grosso, esse desafio também precisa ser encarado de frente. Em 2025, o estado registrou 5.556 afastamentos temporários por transtornos mentais e comportamentais, segundo a Previdência Social. Não adianta ostentarmos indicadores econômicos grandiosos se as nossas famílias sofrem desamparadas, sem acesso adequado a psicólogos, psiquiatras e tratamento contínuo. O desenvolvimento econômico perde o sentido se não vier acompanhado da dignidade humana.

Para mudar essa realidade no nosso estado, a ação precisa ser descentralizada. É urgente expandir os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para o interior, garantindo que o morador de qualquer município tenha o mesmo direito ao cuidado que quem vive na capital. Além disso, precisamos estruturar programas de apoio emocional permanentes dentro das escolas estaduais, capacitando professores para identificar os primeiros sinais de crise em crianças e adolescentes, e criar parcerias com o setor privado para aplicar a NR-1 de forma humana e acolhedora.

Cuidar de pessoas significa olhar para aquilo que as grandes obras e os discursos políticos tradicionais ignoram. É enxergar a dor de quem não consegue pedir socorro e garantir que o orçamento público priorize a vida. O Brasil e Mato Grosso precisam transformar a saúde mental em prioridade absoluta. Uma sociedade só é verdadeiramente rica e desenvolvida quando protege sua gente, oferecendo a cada cidadão a oportunidade e o amparo necessários para viver bem e com dignidade.

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*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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Governança jurídica: empresas fortes dependem de segurança institucional

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DAUTO PASSARE

Empresas não crescem apenas por eficiência operacional ou capacidade financeira. Crescem porque conseguem planejar — e o planejamento depende de estabilidade institucional, previsibilidade regulatória e segurança jurídica.

O desenvolvimento econômico está diretamente ligado à confiança que empresários e investidores possuem nas instituições. Quando as regras mudam constantemente, os contratos se tornam inseguros e o ambiente regulatório é instável, o impacto atinge toda a economia.

O Brasil ainda convive com elevada complexidade jurídica, excesso de judicialização e insegurança tributária. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o país mantém dezenas de milhões de processos em tramitação, refletindo um cenário de intensa litigiosidade.

Nesse contexto, a governança jurídica deixou de ser apenas uma função técnica e passou a ocupar posição estratégica dentro das empresas.

Empresas sólidas dependem de estruturas capazes de prevenir riscos, organizar relações societárias, garantir segurança contratual e antecipar conflitos regulatórios e tributários.

A advocacia contemporânea exerce justamente esse papel: não apenas atuar em crises já instaladas, mas contribuir para a construção de estabilidade e segurança dentro das organizações.

A ausência de segurança jurídica produz efeitos silenciosos, mas profundos: investimentos são adiados, projetos deixam de avançar e o custo operacional aumenta.

Por outro lado, ambientes institucionalmente estáveis favorecem crescimento sustentável, inovação e expansão econômica.

No agronegócio e no setor empresarial, especialmente, previsibilidade regulatória e segurança contratual tornaram-se elementos indispensáveis para o desenvolvimento dos negócios.

Veja Mais:  Sociedade da tecnologia ou da comunicação?

Mais do que uma questão técnica, a segurança jurídica é hoje um ativo econômico.

Empresas fortes precisam de instituições fortes — e a advocacia estratégica tem papel fundamental na construção desse ambiente de estabilidade e confiança.

*é advogado, professor universitário e sócio-fundador do escritório Passare Advocacia em Cuiabá

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Pejotização da medicina: o lucro de poucos e a precarização da profissão médica

Publicado

Dr. Adeildo Lucena

A medicina brasileira atravessa uma das maiores transformações da sua história profissional. O que antes era uma carreira associada à estabilidade, autonomia técnica e valorização social vem sendo substituído por um modelo de contratação marcado pela precarização, insegurança jurídica e perda de direitos. O nome desse processo é pejotização.

Hospitais, clínicas, organizações sociais e grandes grupos privados de saúde passaram a substituir vínculos formais por contratos de pessoa jurídica (PJ), obrigando médicos a abrirem empresas para poder trabalhar. Na prática, muitos profissionais continuam submetidos à mesma rotina de um empregado comum — com escala fixa, subordinação, metas e plantões obrigatórios —, mas sem férias, sem 13º salário, sem FGTS, sem licença médica e sem aposentadoria adequada.

A chamada “flexibilização” virou, na realidade, um mecanismo de redução de custos para o sistema privado de saúde.

Dados recentes mostram a dimensão desse fenômeno. Estudo citado por pesquisadores da FGV aponta que a pejotização no Brasil já provocou perdas entre R$ 89 bilhões e R$ 144 bilhões aos cofres públicos desde a reforma trabalhista de 2017. A diferença ocorre porque trabalhadores contratados como PJ recolhem muito menos tributos e contribuições previdenciárias do que empregados regidos pela CLT.

O próprio  Conselho Federal de Medicina reconheceu que empresas utilizam a pejotização para economizar recursos, transferindo riscos aos profissionais e comprometendo as condições de trabalho. Durante debate nacional promovido pelo CFM, representantes da medicina do trabalho alertaram que médicos terceirizados vêm sendo colocados para exercer funções fora de suas atribuições e sem garantias mínimas de proteção profissional.

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Ao mesmo tempo, o Brasil vive uma explosão no número de profissionais. A pesquisa “Demografia Médica 2025”, conduzida pela Faculdade de Medicina da USP em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira, aponta que o país já ultrapassou a marca de 635 mil médicos ativos, com previsão de crescimento contínuo nos próximos anos.

Esse aumento da oferta de mão de obra, somado à expansão agressiva de grandes conglomerados privados da saúde, criou um ambiente de forte pressão econômica sobre os médicos, especialmente os mais jovens. Muitos recém-formados entram no mercado já obrigados a abrir CNPJ antes mesmo do primeiro plantão.

Sem direitos trabalhistas, milhares de médicos enfrentam jornadas exaustivas, insegurança previdenciária e ausência completa de estabilidade. Há profissionais trabalhando anos seguidos sem férias remuneradas, sem cobertura em caso de afastamento por doença e sem qualquer proteção em situações de maternidade ou incapacidade laboral.

O problema ultrapassa a questão corporativa. A pejotização também afeta diretamente a qualidade da assistência prestada à população.

A lógica empresarial da redução de custos transforma o médico em mera peça operacional dentro de uma cadeia financeira controlada por grupos econômicos. O profissional passa a viver sob pressão de produtividade, metas de atendimento e redução do tempo de consulta. A medicina perde seu caráter humanizado e se aproxima perigosamente de um modelo industrial.

Os grandes grupos econômicos lucram. Os planos de saúde ampliam faturamento. As organizações privadas reduzem encargos. Mas o médico perde segurança, perde autonomia e perde dignidade profissional.

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O mais grave é que esse modelo vem sendo naturalizado.

Criou-se uma falsa ideia de que direitos trabalhistas seriam privilégios ultrapassados. Não são. São garantias mínimas de proteção humana e profissional.

Defender relações de trabalho dignas não significa negar novas formas de contratação. Significa impedir abusos e preservar condições mínimas para o exercício ético da medicina.

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso entende que o debate sobre a pejotização precisa deixar os bastidores jurídicos e ganhar dimensão pública. A sociedade precisa compreender que precarizar o trabalho médico também significa fragilizar o atendimento à população.

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