Mato Grosso
Câmeras instaladas pela Sema na Transpantaneira registram 95 espécies de animais silvestres
Os registros foram feitos no período de 12 de maio de 2022, quando o monitoramento teve início, e 19 de julho de 2023 e a compilação desses dados concluída recentemente. Os mamíferos foram responsáveis por 60,7% dos registros as aves 38,9% e répteis e anfíbios juntos por menos de 1%.
O trabalho de captura feito por 15 câmeras permite que a Sema elabore um mapa de incidência das espécies. O documento traz várias curiosidades como as espécies mais registradas e as menos avistadas pelas câmeras. Os meses que tiveram o maior número de registros foram outubro e novembro.![]()
Cachorro-do-mato é o mamífero que mais apareceu nas imagens – Reprodução
O mamífero que mais aparece nas imagens é o cachorro-do-mato, em 3.951 registros, seguido da cutia, 2.572 vezes e da tipiti, 1773, anta, 1.085, veado-mateiro, 1.034; jaguatirica, 664, e veado-catingueiro, 604.
Muito conhecidos na fauna do Estado, o quati foi registrado em 345 imagens; o tatu-galinha em 129 imagens; a capivara, 97; o preá 67; onça-parda, 49, e tamanduá-mirim, 38.![]()
Entre os mamíferos ameaçados de extinção, na categoria vulnerável, pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a onça-pintada foi registrada 304 vezes, enquanto o tamanduá-bandeira apareceu em 70 imagens; o gato-mourisco em 69; o macaco-prego em 67; o queixada em 64 e o tatu-canastra em 40.
Tiveram os menores registros de mamíferos o tatupeba (8), pacas (6), lobos-guará (4), ouriços-cacheiros (2), sagui-do-cerrado (1), caxinguelê, também conhecido como esquilo pantaneiro (1) e bugio-preto (1).
O Mutum-de-penacho é a ave mais registrada em 1.896 imagens, seguida do aracuã-do-pantanal, 1.675; urubu-preto, 1.177; jacu-de-barriga-castanha, 832, e o urubu-de-cabeça-amarela, 513.
Conhecidos na fauna do Estado que tiveram as imagens capturadas são carcará (446); saracura-três-potes (338); urubu-de-cabeça-vermelha (253); Ema (163); tuiuiú (86); João-de-barro (43); anu-coroca (35); curicaca-real (30); pato-do-mato (18); bem-te-vi (4); gavião-preto (3); siriema (3) e pica-pau do campo (2).
Entre as aves registradas apenas uma vez estão o urubu, arapapá, gavião-pernilongo, martim-pescador-grande, socó-dorminhoco, bacurau, pomba-amargosa, alma-de-gato, garça-real, tucanuçu, sabiá-gongá, coleiro-do-brejo, choró-boi, curicaca, sabiá-laranjeira, jacurutu e suindara.
Dos répteis e anfíbios, foram registrados teiú-comum (56); calango-verde (18); jacaré-do-pantanal (14); anfíbios não identificados (4); lagarto (4); serpente (3) e iguana (1).
Monitoramento
O monitoramento é essencial para o trabalho da Sema, pois permite conhecer os hábitos e registrar dados sobre a fauna silvestre que habita a Estrada Parque Transpantaneira. As informações coletadas contribuem para planejar e colocar em prática ações e políticas públicas que ajudarão a proteger os animais que vivem no local.
O mapeamento possibilita identificar pontos de importância ambiental e emergencial. Dados como identificação dos pontos de travessia de animais silvestres, por exemplo, possibilitarão que algumas ações sejam adotadas visando reduzir o número de atropelamentos. Já os pontos com maior incidência serão utilizados para melhorar as estratégias de conservação durante eventos climáticos severos, como épocas de seca e incêndios florestais.
Uma das idealizadoras do projeto, a analista de Meio Ambiente Neusa Arenhart, da Coordenadoria de Fauna e Recursos Pesqueiros, destacou que “a princípio estamos fazendo um apanhado geral dos dados do primeiro ano de monitoramento. Temos os dados separados por ponto de coleta, sendo 15 pontos ao total. Tentamos incluir o máximo de dados por registro, como local, data, hora, se o animal está sozinho ou acompanhado, se tem filhotes e até se apresenta alguma característica que possa identificar o indivíduo”.
A analista de Meio Ambiente explicou que esses dados ainda requerem análises mais apuradas para estipular os primeiros parâmetros do monitoramento que deve continuar ao longo dos anos. “Em cima dos resultados podemos propor algumas medidas mitigadoras para redimir e diminuir o impacto sobre os animais causado pelo uso da Estrada Parque”, disse.
Câmeras Trap
As câmeras Trap que fazem parte de um programa para conhecer, monitorar e acompanhar os animais do Pantanal e as imagens contribuem para o conhecimento da diversidade de animais silvestres que circulam na área da Estrada Parque Transpantaneira. Com as câmeras é possível registrar a diversidade, abundância de espécies, frequência relativa, padrões de atividades diária e sazonal, saúde ao medir estado nutricional e alguns aspectos comportamentais (reprodução, alimentação e socialização).
A Estrada Parque Transpantaneira faz parte da BR-060, que liga a cidade de Poconé à comunidade Porto Jofre, localizada às margens do Rio São Lourenço/Cuiabá. São, aproximadamente, 150 km de extensão de uma estrada elevada no Pantanal.
As câmeras estão fixadas nas estradas vicinais ao longo da Estrada Parque Transpantaneira e outros pontos identificados como passagens da fauna silvestre. Os equipamentos estão programadas para gravar vídeos de 10 segundos, com intervalo mínimo de 60 segundos. Sempre que um animal passa em frente às câmeras, elas começam a gravar, devido ao sensor de calor presente no equipamento.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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