Mato Grosso
Dez são presos por embriaguez e 47 são multados por dirigir sob efeito de álcool
Durante quatro dias consecutivos da Operação Vida no Trânsito, 10 pessoas foram presas por dirigir embriagadas e 47 foram multadas por estarem no volante sob efeito de álcool. Ao todo, foram cinco pontos de blitze, sendo aplicados 567 testes de alcoolemia de quinta-feira (28.11) até domingo (1º.12).
Também foram removidos 108 veículos, 58 motoristas multados por estar sem licenciamento dos veículos, 31 pessoas foram flagradas dirigindo sem CNH, 12 se recusaram a fazer teste com etilômetro. Outros 7 motoristas foram multados por estarem com a CNH vencida há mais de 30 dias.
A Operação Vida no Trânsito foi realizada pelo Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), Semob, Serviço de Operações Penitenciárias Especializadas (SOE), Ciosp, Polícia Rodoviária Federal, em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).
A ação teve como objetivo principal entrevistas com motoristas de Cuiabá para pesquisa nacional, encomendada pelo Ministério da Saúde à UFG para avaliar o efeito do Programa Vida no Trânsito (PVT), que estima a prevalência e fatores associados ao beber e dirigir e velocidade excessiva nos condutores de automóveis ou motocicletas.
O estudo vai avaliar o comportamento dos motoristas nas cidades de Cuiabá, Palmas, Campo Grande, Curitiba, Teresina, Belo Horizonte, Boa Vista, Florianópolis, São Luís, São Paulo, Macapá, Goiânia, Salvador e Vitória.
Pesquisadores da UFG, sob orientação do coordenador, o médico infectologista e pesquisador da UFG, Otaliba Libânio de Morais Neto, ouviram moradores da Capital, que não fossem trabalhadores de aplicativos, taxistas ou mototaxistas. Além de preencher o questionário, os motoristas sopraram o etilômetro para fins acadêmicos e depois, decidia se faria ou não o teste oficial da equipe da Lei Seca.
“Na pesquisa, avaliamos, através das entrevistas e também pelo teste de etilômetro, a dosagem de alcoolemia nos condutores de veículos. O estudo permite avaliar quais os principais fatores associados aos acidentes de trânsitos, e principalmente, com as mortes e feridos graves causados pelos os acidentes de trânsitos. Avaliamos usos detratores, como de aparelho celular e outros aparelhos que o condutor utiliza e que diminui a atenção, o que pode estar relacionado ao acidente de trânsito”, explica.
O secretário adjunto de Integração Operacional da Sesp, coronel PM Victor Fortes, destaca que os resultados da pesquisa serão importantes para ações efetivas para reduzir acidentes e mortes no trânsito. A Sesp continua por meio de parceiros como a PRF, órgãos municipais de trânsito, como a Semob e a Guarda Municipal de Várzea Grande, com as ações da Lei Seca.
“A gente também destaca a parceria e a integração de todos os órgãos e instituições que atuam na fiscalização, órgãos municipais, estadual e federal, participação ativa de todas as forças de segurança. O objetivo de todos é comum é preservar a vida e garantir a segurança de todos”, afirma.
Lei Seca
Em 2019, foram realizadas 35 operações Lei Seca em Mato Grosso, contemplando os municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Rondonópolis e Campo Novo do Parecis. Foram 161 pessoas presas por dirigir bêbadas, 4.363 testes de alcoolemia foram aplicados, 436 CNHs recolhidas, 367 documentos de veículos recolhidos, 854 veículos removidos, 437 pessoas dirigindo embriagadas e 96 se recusaram a fazer teste de bafômetro.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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