Mato Grosso
Estado repassa à Justiça segunda parcela de valores destinados aos salários dos funcionários
Próximo da reabertura do Hospital Estadual Santa Casa, o Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), tem priorizado a efetivação dos repasses financeiros destinados ao pagamento dos servidores da antiga unidade filantrópica.
Além de ter cumprido o primeiro repasse, o Estado também efetivou o segundo pagamento, conforme já previsto, nesta segunda-feira (24). O depósito dos valores foi feito junto à Justiça do Trabalho.
Ambas as transferências de junho foram mensuradas no valor de R$ 3 milhões; totalizando, desta forma, o repasse de mais da metade do valor total estipulado. Os pagamentos também contaram com a colaboração da Assembleia Legislativa, que abriu mão de R$ 3,5 milhões de seu duodécimo para socorrer a unidade.
O atraso dos salários dos funcionários ocorreu quando a unidade era gerenciada pela antiga administração, de forma privada.
“O Governo do Estado envidou muitos esforços e conseguiu antecipar 30 meses de indenização pelo uso dos bens móveis e imóveis da Santa Casa de Misericórdia, totalizados em aproximadamente R$ 10,8 milhões, como forma de amenizar a angústia vivida por esses trabalhadores. O montante será parcelado, sendo que as duas primeiras parcelas já foram repassadas diretamente à Justiça do Trabalho”, pontuou o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.
Em participação ao programa SBT Comunidade, exibido ao vivo na tarde desta segunda-feira (24), o gestor público ressaltou que a medida de Requisição Administrativa partiu de uma ampla necessidade da população cuiabana e mato-grossense. De acordo com Figueiredo, o Governo do Estado tomou a atitude de passar a gerenciar a unidade como forma de evitar um estado de calamidade na Saúde.
“Tomamos a decisão pela Requisição Administrativa porque a paralisação de uma estrutura do porte da Santa Casa – com 242 leitos, 10 salas de Centro Cirúrgico e 30 vagas de UTI – gera um colapso na Saúde do Estado.
Somado a este cenário, as judicializações aumentaram ao ponto de não conseguirmos suprir as necessidades da população nem por meio da rede particular. Diante da situação de extrema gravidade, o Estado precisou tomar uma atitude e a administração da unidade passou a ser responsabilidade da gestão estadual”, declarou.
Para a reabertura do hospital, se fez necessária a execução de uma série de readequações prediais. Estimados em aproximadamente R$ 1,5 milhão, os procedimentos de manutenção da estrutura dão nova roupagem aos setores da UTI, da ala pediátrica, da cozinha e do refeitório da unidade hospitalar.
O Hospital Estadual Santa Casa será a maior unidade de Saúde ligada à SES-MT e ainda contará com o aporte financeiro do Ministério da Saúde, que concederá R$ 10 milhões mensais a partir da reabertura do hospital.
“É importante frisar que essa unidade passará a ser inteiramente destinada ao atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS)”, concluiu o secretário.
Repasses à Justiça do Trabalho
Seguindo o cronograma de pagamentos dos servidores da Santa Casa, via Justiça do Trabalho, será efetuado o pagamento da terceira parcela no dia 24 de julho, no valor de R$1.170.475.75.
Nos próximos meses, o Governo do Estado depositará, sempre no dia 24, três parcelas iguais de R$ 1.170.475.75. Os salários deverão ser quitados integralmente após o pagamento da última parcela, no dia 24 de outubro.
Ao final do processo, o Poder Executivo terá cumprido o acordo de indenização à Sociedade Beneficente Santa Casa, em razão da utilização da estrutura hospitalar pelo Estado, e realizado o pagamento total de R$ 10.852.378.75 – referente a 30 meses de uso dos bens móveis e imóveis.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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