Mato Grosso
Infartado, paciente espera transferência para UTI em Goiás, após intervenção da Defensoria Pública de MT
A Defensoria Pública de Mato Grosso (DPMT) conseguiu liminar na Justiça, com bloqueio do valor de R$ 67 mil, para transferir para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Goiás, o paciente A.B.L., 35 anos. Ele sofreu um infarto agudo do miocárdio na segunda-feira (10/9) e aguarda, no Pronto Socorro de Barra do Garças, 521 km de Cuiabá, pela transferência.
O defensor público que atua na área criminal em Barra do Garças, Hugo Fernandes, explica que atendeu o caso de A. na madrugada de quarta-feira (12/9), quando o juiz plantonista Michell da Silva, aceitou o pedido da Defensoria e determinou que o Estado de Mato Grosso e o município, transferissem o paciente em UTI aérea, para uma UTI com especialista em cardiologia, no prazo de 24h.
“Diante da gravidade do caso, o colega defensor que atua na área Cível e continuará com o caso, o Carlos de Souza, decidiu pedir o bloqueio de contas e o juiz Carlos Ferrari, também entendendo a gravidade, determinou o bloqueio, diante da inexistência de vaga pública e em hospitais conveniados no Estado”, disse.
Antes de encaminhar o pedido para a Justiça, a equipe da DPMT buscou orçamentos de hospitais públicos e privados, conveniados com o Estado, que tivessem estrutura e pudessem receber o paciente, mas diante da negativa de vaga pública e da recusa de vários privados em fornecer a informação, a DPMT indicou o Centro Goiano de Cateterismo, em Goiás, explicou Fernandes.
“A ausência de vaga no Sistema Único de Saúde (SUS), indicada pelos gestores da Saúde pública no processo, associada a falta de informação do custo de tratamento em hospitais privados e conveniados de Mato Grosso, nos fez buscar vaga em outro Estado. Agora, estamos fazendo os trâmites para agilizar a transferência, que será por UTI aérea”, informa o defensor.
A. precisa passar por um cateterismo e diante da gravidade da situação em que se encontra, precisa de cuidados intensivos e especializado de um profissional cardiologista. Os médicos do Pronto Socorro de Barra do Garças informaram que ele corre risco de morrer, caso o atendimento não seja prestado.
Recém Nascida – Além do caso de A., o defensor Fernandes explica que durante seu plantão nesta semana conseguiu transferir, com decisão liminar da Justiça, para uma UTI pediátrica com cardiologista, em Várzea Grande, a recém nascida I. V. A., que nasceu em Barra do Garças, no dia 9 de setembro com graves problemas respiratórios.
A bebê teve que ser entubada e passou a respirar por ventilação mecânica e os médicos da pediatria suspeitavam de doença da membrana hialina.
“Fomos atrás de outro bebê, que também precisava de UTI, mas teve melhora, graças a Deus. Lá, tomamos conhecimento da situação dessa recém nascida, que teve que passar por vários procedimentos, mas como o hospital não tem UTI Infantil e Neonatal, a vida dela estava em risco. Conseguimos a vaga e ela está em Várzea Grande, na UTI, porém, em situação muito grave”, explica o defensor.
O Hospital e Pronto Socorro de Barra do Garças conta com oito vagas de UTI adulto, todos ocupadas no momento.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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