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Reforma Tributária: “Nunca vi… Só ouço falar…”
Estamos presenciando os últimos atos dos atuais governos estaduais e federal, e já se pode avistar, no camarim das transições, parte dos enredos que se anunciam para os próximos anos. E mais uma vez as discussões e reflexões sobre a reforma tributária sempre recebem destaque nos palcos da política.
A chamada reforma tributária vem sendo sucessivamente prometida pelos últimos presidentes do Brasil, os quais até tentaram, sem sucesso, formatar um modelo de reforma que pudesse ser aprovado.
Olhando para nosso quintal, o atual governador de Mato Grosso iniciou seu mandato prometendo realizar uma reforma na complexa legislação tributária do estado, visando propiciar maior competitividade, segurança jurídica e simplificação das normas. Chegou a ser apresentado no ano de 2016 um relatório elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), anunciado como o melhor modelo de ICMS do Brasil. Porém, o modelo de reforma apresentado encontrou muita resistência por parte de contribuintes, contadores e não obteve aprovação unanime nem mesmo dentro da própria administração pública.
Em nível federal existe um projeto de reforma tributária em tramitação, sob a relatoria do deputado federal Luiz Carlos Hauly. Esse projeto prevê, dentre outras alterações, a criação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que substituiria nove tributos da base de consumo: PIS, Pasep, Cofins, IPI, ICMS estadual, ISS municipal, Cide, salário-educação. Contudo, essa reforma vem sendo discutida com a equipe de transição do Presidente eleito Jair Bolsonaro e não há uma definição acerca do aproveitamento integral da mesma.
De fato, é urgente que se promova uma reforma substancial no nosso atual sistema tributário. A necessidade de reforma é flagrante e pode ser traduzida em números obtidos em estudos científicos de conceituadas instituições, vejamos: segundo levantamento divulgado pelo Banco Mundial, o Brasil permanece com o indesejável título de país onde as empresas gastam mais tempo para se pagar impostos. Em razão do absurdo número de documentos, tributos e leis, uma empresa nacional gasta 1.958 horas ao ano para cumprir todas as suas obrigações tributárias. Esse tempo é seis vezes a média de 332 horas registrada nos países da América Latina e Caribe, conforme o último relatório Doing Business 2018, do Banco Mundial, que mede o impacto de regulações e da burocracia no funcionamento das empresas.
Além dessa nociva burocracia para cumprimento das obrigações tributárias, o Brasil ostenta outro título inglório: está entre os primeiros países com as legislações mais complexas, confusas e de difícil interpretação do mundo. Desde a promulgação da nossa atual Constituição Federal, em 1988, o Brasil já editou e publicou 363.779 normas em matéria tributária, o que representa mais de 1,88 normas tributárias por hora em um dia útil, conforme o cálculo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – IBPT. Não é difícil compreender a dificuldade e confusão que esse absurdo número de normas ocasiona para os Contribuintes, acabando por caracterizar o Brasil como um logradouro de insegurança jurídica em matéria tributária.
Formatar um projeto de reforma que consiga atender aos interesses e expectativas dos vários setores da economia, política e estado, contudo, não é uma tarefa simples. Já que os contribuintes entendem que a carga tributária é muito elevada e almejam pagar menos, ao passo que o Estado quer arrecadar mais. E para a classe política, não parece muito atrativo do ponto de vista eleitoral apoiar reforma que possa resultar em corte de alguns privilégios que hoje existem, quando o assunto é o chamado “pacto federativo”, que distribui competências tributárias e atribuições dos entes da federação. E a disputa por recursos entre os estados e a união é o grande complicador.
Em linhas gerais, creio que a dificuldade em se aprovar uma reforma no sistema tributário brasileiro repousa no fato de, até hoje, as velas do interesse coletivo não terem conseguido resistir aos vendavais do corporativismo de alguns seguimentos da política e da economia.
Me inclino a acreditar que tanto em nosso Estado de Mato Grosso, como na União, as atuais discussões e projetos sobre reforma tributária serão levadas adiante pelos gestores que assumirão a partir de janeiro/2019 e, ainda que com alguns ajustes, vão conduzir a algo efetivo para o bem de nosso sistema tributário. Enquanto isso não acontece, lembrando Zeca Pagodinho na canção “caviar”, continuo a afirmar que a reforma tributária no Brasil eu “nunca vi… só ouço falar”.

Mario Fernando da Silva Castilho
Mario Fernando da Silva Castilho é advogado, pós-graduado em Direito Civil e Processo Civil pela Escola Paulista de Direito, pós-graduado em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários e sócio do escritório Thiago Dayan & Castilho Advogados Associados.
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Há vagas, há trabalhadores, mas por que eles não se encontram?
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O agro no centro do mundo
Por Paulo Lucion

Paulo Lucion é empresário
Quando o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) nasceu em São Paulo, ele surgiu com uma proposta ousada: aproximar o campo da cidade, conectar tecnologia, inovação, negócios, cultura e pessoas em torno de um dos setores mais importantes para o desenvolvimento econômico e social do planeta.
Agora, em 2026, damos um passo ainda maior. Pela primeira vez, o festival ultrapassa os limites da capital paulista e escolhe Sorriso para sediar uma edição do evento. E não poderia haver lugar mais simbólico para isso.
Sorriso não é apenas a Capital Nacional do Agronegócio. É uma cidade que representa aquilo que o agro brasileiro tem de mais forte: produtividade, tecnologia, empreendedorismo, sustentabilidade e capacidade de alimentar o mundo. Aqui, a produção acontece em larga escala, mas também se constrói conhecimento, inovação e desenvolvimento.
Receber o GAFFFF é um reconhecimento da importância que Mato Grosso conquistou no cenário nacional e internacional. Durante muitos anos, o Brasil discutiu o agro olhando para os grandes centros urbanos. Hoje, o mundo quer vir conhecer onde as coisas realmente acontecem.
Entre os dias 23 e 26 de julho, Sorriso será palco de debates sobre segurança alimentar, inovação, tecnologia, sustentabilidade, mercados globais e os desafios que definirão o futuro da produção de alimentos. Teremos mais de uma centena de palestrantes nacionais e internacionais, lideranças empresariais, produtores rurais, investidores, pesquisadores e especialistas compartilhando conhecimento e construindo conexões.
Mas o GAFFFF vai além dos fóruns e painéis técnicos. O grande mérito do festival é mostrar que o agro não pertence apenas a quem produz. O agro está presente na mesa das famílias, na geração de empregos, na indústria, no comércio, na logística, na ciência e na cultura. Por isso, o evento une conteúdo, negócios, gastronomia, entretenimento e esporte em uma experiência que aproxima diferentes públicos.
A expectativa de receber milhares de visitantes durante os quatro dias do evento também representa uma oportunidade para hotéis, restaurantes, comércio, prestadores de serviço e para toda a cadeia econômica do município e da região.
O GAFFFF também é uma vitrine para mostrar ao Brasil e ao mundo a capacidade produtiva de Mato Grosso, a força do agronegócio brasileiro e o potencial de uma região que continua crescendo, inovando e liderando transformações.
Como presidente de honra desta edição, vejo a realização do festival em Sorriso como um marco histórico. Estamos trazendo para o coração do agro mundial um evento que discute o futuro da humanidade por meio da produção de alimentos. Uma ponte entre Mato Grosso e a Faria Lima, pois a outra edição do GAFFFF será nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque. A escolha das praças não é casual. Sorriso representa o centro da produção agrícola brasileira. São Paulo, por sua vez, concentra capital, grandes empresas, investidores e tomadores de decisão.
O mundo estará olhando para Sorriso. E Sorriso está pronta para receber o mundo.
Paulo Lucion é empresário, presidente de Honra do GAFFFF Sorriso e CEO da Nutribras Alimentos
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