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Mato Grosso

Tribunal devolve prédio do antigo fórum de Várzea Grande para Prefeitura e firma novo acordo

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Gratidão, saudosismo e sentimento de dever cumprido determinaram a tônica da solenidade de devolução do prédio do antigo Fórum da Comarca de Várzea Grande para a Prefeitura Municipal, na manhã desta quinta-feira (11), no Paço Municipal Couto Magalhães. Na mesma ocasião, também foi firmado um termo de compromisso para construção de um estacionamento com cobertura que possibilite a instalação de painéis solares fotovoltaicos no novo fórum, localizado no Chapéu do Sol (saiba mais ao final da matéria).
 
Chamada de “eterna diretora do Fórum da Comarca de Várzea Grande”, pelo atual juiz diretor, Luis Otávio Pereira Marques, a vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Maria Erotides Kneip, que durante décadas atuou naquele local, fez um discurso emocionado, discorrendo sobre a acolhida na cidade, os “momentos inesquecíveis” naquele prédio que, como ela enfatizou, “foi palco de inúmeras lutas” e “local onde vivemos para fazer justiça”.
 
Dentre as muitas lembranças, ela destacou a construção do anexo do fórum, conquista de magistrados, servidores, advogados e sociedade, que se organizaram por meio de festas, bingos e promoções com o intuito de arrecadas recursos. “No dia da inauguração, em 12 de setembro de 2002, os servidores e os presos (porque o fórum foi construído com a ajuda dos reeducandos), passaram a noite anterior ajudando a terminar de colocar o piso porque nós loucamente compramos dois caminhões de piso e não dava tempo de terminar. Aquele poliuretano que cobre a emenda dos dois corredores chegou 6h da manhã, no dia da inauguração. Houve local que o piso estava até mole, que foi preciso colocar um tapete vermelho. O povo achava que era de enfeite, mas não era. Era pra cobrir o piso que a gente tinha acabado de colocar, mas nós inauguramos loucamente assim, com trabalho, com ajuda de quem estava aqui do nosso lado. Então, povo de Várzea Grande, que alegria poder entregar aquilo que nos foi doado, utilizado e devolver dizendo que em momento algum isso serviu para outra finalidade senão aquela para a qual foi doada. Que honra! Que alegria! que sensação de dever cumprido”, discursou a magistrada.
 
Kneip destacou ainda que o local foi “um dos mais respeitados” do município e, para quem lá trabalhou, “o local mais amado”. “Agradeço ao Município de Várzea Grande, na pessoa do prefeito e da primeira-dama, dos seus vereadores, do juiz diretor, pela alegria que nos deram com o prédio mais bonito (ele era o prédio mais bonito da cidade), com um prédio tão confortável, com tanto calor humano, onde tantas pessoas puderam receber o acolhimento judicial. E eu desejo de coração que ele continue sendo esse oásis para aqueles que querem e buscam a justiça porque nós acreditamos num mundo mais justo e muito melhor”, declarou Maria Erotides.
 
O prefeito Kalil Baracat agradeceu à desembargadora pelo reconhecimento externado em suas palavras. Segundo ele, a devolução do prédio, juntamente com todo o mobiliário e equipamentos de ar condicionado, é um presente do Poder Judiciário para o Município de Várzea Grande, que no próximo dia 15 de maio completa 156 anos.
 
“Agradeço à desembargadora Maria Helena por toda sua atenção. E não poderia acontecer num melhor momento, com a desembargadora da nossa cidade, doutora Maria Erotides. Começou essa tratativa lá atrás e tivemos a felicidade, de ter a senhora hoje nos entregando o fórum. É uma gratidão imensa”, disse.
Conforme o gestor, atualmente Prefeitura gasta mais de R$ 100 mil com aluguéis de imóveis que abrigam secretarias fora do Paço Municipal, que agora passarão a funcionar no prédio devolvido pelo Judiciário, a exemplo das Secretarias de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, entre outras.
 
Também movido pelo sentimento de gratidão, o juiz diretor do Fórum de Várzea Grande, Luis Otávio Pereira Marques, destacou o papel de todos que, ao longo das últimas quatro décadas, deixaram sua contribuição. “Gratidão à sociedade várzea-grandense, que contribuiu efetivamente para a construção do edifício do antigo fórum, gratidão a todos os colegas magistrados e magistradas, servidores e servidoras, colaboradores e colaboradoras que por aqui passaram, contribuindo para o regular desenvolvimento do trabalho forense, na busca da distribuição de uma justiça célere e eficaz. Gratidão em especial à eterna diretora do fórum da comarca de Várzea Grande, desembargadora Maria Erotides, que, durante o período que por aqui atuou, deixou somente marcas positivas, indo além das suas atribuições inerentes ao cargo, sempre se envolvendo de corpo e alma nas causas sociais dessa comarca”, declarou.
 
O magistrado enfatizou ainda o sentimento de dever cumprido e apontou para o avanço que o novo fórum representa. “Podemos afirmar que o antigo prédio do fórum desta comarca, que neste ato é devolvido ao Município de Várzea Grande, cumpriu com seu ofício, fez a sua história e agora continuará desenvolvendo seu papel social, abrigando órgãos da municipalidade, em prol do serviço público. Com o desenvolvimento econômico e social da nossa comarca, exigiu-se a construção de um novo prédio do fórum, centralizando todas as unidades judiciárias e administrativas, visando propiciar um ambiente de serviço mais adequado a todos que dele se utilizarem”.
 
Quem também prestigiou emocionada a cerimônia que selou o encerramento das atividades do Poder Judiciário no prédio localizado no Paço Municipal Couto Magalhães foi a técnica judiciária Irany Oliveira Rodrigues, servidora há 37 anos, sendo 35 anos e 10 meses no antigo fórum de Várzea Grande.
 
“Eu cheguei aqui nesse prédio com 21 anos. Hoje eu estou com 58, então, foram tantas alegrias, tantas tristezas… É muita emoção entregar um lugar onde a gente viveu tantos anos, onde criei meus filhos debaixo da mesa, enquanto trabalhava. Agradeço a Deus por tudo o que me deu. Nós fizemos o que nós tínhamos condições de fazer para tratar bem os nossos jurisdicionados”.
 
Ela também compartilhou lembranças do local, que levará para sempre. “Nós tivemos que fazer bingo para construir o estacionamento, quando teve a inauguração da segunda parte do fórum, nós tivemos que lavar os pisos de madrugada para a inauguração, mas foram coisas feitas com alegria! As festas juninas que nós tivemos, festa da primavera, os finais de ano… Era tudo acolhedor! Todo mundo em família e nós compartilhávamos com todo mundo. A sociedade ajudou muito e hoje estamos entregando esse prédio com coração partido, mas com gratidão”, afirmou.
 
Termo de cooperação – A cerimônia de devolução do prédio do antigo fórum foi marcada não só pelas lembranças do passado, mas marcou também um novo passo em direção ao futuro do atual Fórum da Comarca de Várzea Grande. Isso porque foi firmado um termo de compromisso para construção de um estacionamento com cobertura que possibilite a instalação de painéis solares fotovoltaicos na nova sede do Judiciário várzea-grandense, localizada no Chapéu do Sol.
 
Conforme o termo, o Executivo municipal ficará responsável por elaborar o projeto da obra, contratar a execução, arcando com os respectivos custos. Já o Tribunal de Justiça, por meio da Presidência e da Coordenadoria de Infraestrutura, analisará e aprovará o projeto e acompanhará sua execução. O documento foi assinado pelo prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat, pela vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Maria Erotides Kneip, e pelo juiz diretor do Fórum, Luís Otavio Pereira Marques.
 
De acordo com o gestor municipal, a obra é uma contrapartida pela devolução do prédio, por parte do Poder Judiciário, que doou à Prefeitura todo o mobiliário, equipamentos de ar condicionado e tendas do estacionamento do antigo fórum. “A gente vai construir um estacionamento como forma de contrapartida com o Tribunal de justiça. Já temos o esboço de um projeto e vamos executar essa obra em compensação à doação do fórum de Várzea Grande, que doou mobílias, ar condicionado, que serão reutilizadas por nós. Foram doados e nós agradecemos”, disse.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: fachada do antigo fórum de Várzea Grande. É um prédio de concreto e portas de vidro, algumas palmeiras e outras plantas nas laterais e uma grande calçada de concreto na frente. Segunda imagem: fotografia da  desembargadora Maria Erotides enquanto concede entrevista coletiva. Ela é uma senhora branca, com cabelos compridos, lisos e grisalhos. Usa blusa verde com estampa de mandala, paletó preto e brincos de argolas pequenas e douradas. Ao fundo, é possível ver a decoração do palco com as cores da bandeira de Várzea Grande: verde, branco e azul. Terceira imagem: Juiz Luis Otávio Marques enquanto concede entrevista coletiva. Ele é um homem jovem, branco, com cabelo preto, liso e curto, de barba. Usa camisa branca, paletó e gravata cinza. Terceira imagem: Servidora Irany Rodigues concede entrevista à TV Justiça. Ela é uma senhora branca, de olhos claros, cabelo chanel liso, castanho na raiz e loiro no comprimento. Ela está sorrindo e usa um vestido tubinho preto e bege e um colar dourado com pingente delicado. Ao fundo dela é possível ver parte da parede do antigo fórum de Várzea Grande e algumas pessoas. Quarta imagem: Prefeito Kalil Baracat enquanto concede entrevista à imprensa. Ele é um homem branco, de cabelo preto, liso e curto. Usa camisa branca e um paletó preto. 
 
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

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A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

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Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

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Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

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Mato Grosso

Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano

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Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.

A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.

“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.

Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.

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Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.

Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.

Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.

Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.

“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.

Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.

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“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.

A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.

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Mato Grosso

Empresa do agronegócio genuinamente do agronegócio brasileira nacional lança de três novos produtos

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O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo

O 4º. Encontro de Cooperativas Nortox realizado recentemente em Foz do Iguaçu (PR), foi marcado pelo lançamento de três produtos: duas misturas exclusivas (os inseticidas Typhoon e Tempus) e um herbicida exclusivo, o Raker Top. “A Nortox, que já vem marcando história em lançamentos de misturas exclusivas, agora marca uma nova era de misturas de genéricos com moléculas sob patente. Isso demonstra mais uma vez que a empresa tem sua estratégia bem definida. O lançamento desses produtos foi o ponto alto do 4º. Encontro de Cooperativas”, afirma o diretor comercial da Nortox, João Marcos Ferrari.

Os inseticidas Tempus e Typhoon chamaram muita atenção dos participantes. O Tempus, com ação prolongada e alta eficiência contra lagartas, oferece proteção duradoura em diferentes culturas, combinando o efeito choque do clorpirifós à persistência do clorantraniliprole. O Typhoon, com uma ação forte contra a cigarrinha-do-milho e a lagarta-do-cartucho, é uma mistura exclusiva da Nortox, com amplo espectro de proteção contra as pragas do milho e efeito de choque imediato. Os princípios ativos são Clorantraniliprole e Metomil – OD.

Já o Raker Top, grande destaque, é um herbicida seletivo e sistêmico de pós-emergência, formulado com os princípios ativos Nicossulfuron e Tolpiralate. Ele é indicado especificamente para o controle de plantas daninhas na cultura do milho. Além disso, conta com a segurança de dois safeners para um manejo de pós-emergência sem causar fitotoxicidade.

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O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A programação teve início na quarta-feira (29), com a recepção das equipes, e prosseguiu ao longo de toda a quinta-feira (30), reunindo palestras e apresentações técnicas voltadas às principais tendências do agronegócio e às soluções desenvolvidas pela Nortox para o campo.

Na abertura, o diretor-presidente da Nortox, Romeu Stanguerlin, apresentou a trajetória da empresa, seus resultados e as perspectivas de crescimento previstas no planejamento estratégico até 2030. Em seguida, João Marcos Ferrari destacou a evolução do portfólio da companhia, abordando investimentos em pesquisa, inovação, desenvolvimento de produtos, nutrição vegetal e sementes.

Ao longo do encontro, também foram apresentados programas voltados às cooperativas, novas estratégias de manejo em fungicidas, soluções para pastagens, avanços na área de herbicidas, além de debates técnicos que promoveram a troca de experiências entre especialistas da Nortox e representantes das cooperativas. A programação contou ainda com palestras de convidados externos, como o economista Igor Barreto, do Itaú BBA, que apresentou uma análise do cenário econômico e das perspectivas para o agronegócio, e do pesquisador Aroldo Marochi, que abordou os desafios relacionados às doenças nas lavouras e ao manejo com fungicidas.

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